Monday, March 07, 2005

Tanta coisa!

Só passou um fim de semana e tanta coisa aconteceu e que me apetecia comentar.
Começo pelo governo que surgiu de surpresa no sábado de manhã ainda a televisão não tinha acabado de me acordar! Percorri com curiosidade as páginas do teletexto da RPTi, pensei que o sono não me tinha permitido ler com clareza, reli as ditas páginas e convenci-me que assim era: o Vitorino não estava! Já era difícil explicar aos meus colegas estrangeiros (que o admiraram no seu trabalho como comissário) porque é que ele não era o primeiro ministro; acho que vai ser impossível a minha nova tarefa de explicar que Vitorino nem sequer ministro é! A menos que os convença que ele está na calha para presidente da República...
Também não sei o que pensar da presença do Prof. Freitas do Amaral no governo. Acho que concordo com a análise de ontem de Marcelo Rebello de Sousa (cada um tem o direito de mudar de opinião, mas talvez o Prof. já não tenha o folêgo necessário para ser MNE). A propósito, o lado positivo da saída de MRS da TVI é que mesmo no estrangeiro podemos acompanhar as suas reflexões, agora que está na RTP.
Este novo governo chega numa altura em que, em termos turísticos, Lisboa está na moda. Cada semana que passa há alguém que me vem dizer que passou o fim de semana em Lisboa e que acrescenta meia dúzia de elogios que me aquecem a alma de alfacinha. O que é engraçado é que, independentemente da nacionalidade do viajante, chegam todos à conclusão que somos muito diferentes dos espanhóis! Afinal, não são só os novos Estados membros da União Europeia que são desconhecidos. Portugal ainda é, para muitos, uma grande incógnita. (Lembro-me sempre de uns amigos suecos que, chegando a Lisboa num magnífico fim de dia de Maio, olharam em redor e disseram: é tudo tão normal! Parece que esperavam cenas mais do terceiro mundo.)
Como o post já vai longo, deixo outros assuntos para nova ocasião, e termino comentando o filme "Mar Adentro" que vi ontem e que trata de uma história verídica passada na Galiza e que eu desconhecia: o pedido de eutanásia de um tetraplégico. O filme não toma posição sobre o assunto; pelo contrário, vão desfilando argumentos a favor e contra, que nos fazem refletir sobre o assunto.
Há quem ache que deve deixar uma marca no mundo antes de morrer. Não tendo em mim rasgos de genialidade que me permitam alimentar tais ambições, só quero dar o meu melhor, tentar ser feliz e tentar dar felicidade aos que me rodeiam. Já percebi que é uma missão estenuante e que, muitas vezes (tantas vezes!) falho redondamente.
De qualquer modo, e além da abordagem emocional e religiosa que o tema autoriza, creio que, juridicamente, a eutanásia é um interessante desafio. O Tribunal dos Direitos do Homem já se pronunciou uma vez mas a questão está muito longe de estar resolvida.
Uma boa semana para todos!