Wednesday, April 20, 2005

É inevitável

Ter que falar do novo Papa!
Quando me disseram o nome não fiquei surpreendida! Tinha sido o meu primeiro vaticínio.
Depois explicaram-me que não poderia ser ele, por razões políticas, que teria que ser um Papa sul-americano, talvez mesmo africano ou indiano.
Parece que as razões religiosas se sobrepuseram às políticas (ou terão sido outras razões políticas ainda mais profundas?)
Dado que me recuso a acreditar que só o dinheiro e a política regem o mundo, ouso esperar que esta escolha tenha sido a resposta ditada pela escolha refectida dos cardeais presentes no conclave e que ela tenha em vista o bem da Igreja.
Deste modo, e como me reconheço membro desta, fico contente por ter, de novo, um líder e espero pelos actos antes de me manifestar sobre o mandato do Papa Bento XVI.

5 Flocos de neve

Anonymous pomboan atirou uma bola de neve ...

Também me tinha sido explicado que não deveria ser esta a escolha, visto que era um dos favoritos. Mas foi. Acho que não o conhecemos
embora pensemos que sim. Como ouvi ao Padre Feytor Pinto, a escolha do nome pode ser reveladora, talvez vá continuar a obra de Bento XV e se assim for será excelente para todos os católicos e sobretudo para os católicos sul americanos e africanos. Eu fiquei contente com a escolha.

10:16 am  
Anonymous aproprodeviavivivi atirou uma bola de neve ...

Eu não pertenço a este Clube. O meu deus não tem nome, não gosta de íconos, nem faz coisas à sua semelhança. Mas se calhar até foi ele que escolheu este "papa", sabe-se lá. Porque sentido de humor, ai isso o meu deus tem. Eu não gosto de pensar que o meu deus é melhor do que o dos outros, não sei, acho que não é coisa de deus(es). Depois, escolher um homem tão descaradamente poderoso no seio do Clube para o dirigir, ainda que em nome de uma doutrina bem bonita (se tirarmos aqueles disparates escritos há milhares de anos sobre as mulheres, os adúlteros, os "infiéis", etc, que ainda, AINDA há quem tem o desplante de nos querer impor) que prega a humildade (haverá coisa mais oposta à própria noção de poder???), a caridade (no Vaticano??? vocês já lá estiveram? E não sentiram repugnância face a tanta riqueza? É porque se o Vaticano pertencesse à família dos Rothschild, sei lá, eu achava lindíssimo e nem pensava na brutal distância entre a doutrina e os actos...), o amor aos pobres (aqueles fatos de papa custarão quanto? Talvez a minha avó, com a sua reforma, conseguisse juntar dinheiro para pagar um ou dois botões ao fim da vida...).

Enfim, vou fechar os parêntesis, porque reconheço que isto é como as cerejas.

O Clube tem um novo líder. Velho, intriguista, reaccionário. Eu não espero pelos actos, eu JULGO desde já os actos de um homem de 78 anos. Acho que já é uma idade aceitável para se ser responsável pelo que se fez...

Em nome das mulheres adúlteras (porque é sempre delas que se está a falar, não é?), das muitas mulheres mortas por fazerem abortos às escondidas, de todas as que nunca puderam dirigir uma missa por terem nascido homens, de todos os que são julgados pela sua preferência sexual sem poderem explicar que não fizeram escolha nenhuma, que, a aplicar a doutrina do Clube, foram feitos mesmo assim por vontade do seu deus,
o eu desejo ao Chefe do Clube paz de espírito e uma boa consciência. Que, suspeito, boa falta lhe fazem.

11:41 am  
Blogger Brigida Rocha Brito atirou uma bola de neve ...

Não será uma escolha de transição?
Pessoalmente gostaria que tivesse sido o Nigeriano, o Mexicano ou um dos Brasileiros. Mas sempre pensei que seriam opções muito difíceis do ponto de vista das políticas internacionais e mesmo religiosas. Esperemos que tenha sido uma opão reflectida e que o Bento XVI faça um bom trabalho a favor da Paz.

6:06 pm  
Anonymous pois é atirou uma bola de neve ...

Lembro-me quando visitei o Vaticano pela primeira vez. Lembro-me de estar na praça de S. Pedro. E de ter ficado maravilhado - não tanto pela estética da arquitectura, mas pelo engenho da geometria. E, sobretudo, pelo esplendor de um lugar feito em nome de um Deus; a capital de um Deus - o Único para muitos - na Terra.

Fiquei deslumbrado com o Taj Mahal. Um edíficio sem outra finalidade que o de um mausoléu. Mas que ficou como testemunho do amor de um homem por uma mulher.

Impressionaram-me os apartamentos do Palácio Potala: cada um com uma orientação astronómica específica para a meditação do Dalai Lama, príncipe de Lhasa. E o próprio edifício: branco e acima de todos os outros nos contrafortes dos impossíveis Himalaias.

E os jardins de Osaka? Como ficar insensível ao equilíbrio super-humano dos templos e escadarias que se sobrepõem numa geometria que reflecte a mística da teologia taoísta?

E a cidade de Macchu Pichu? Uma cidade construída nos cumes dos Andes, infértil, inóspita; sem água própria nem meios de subistência que pudessem ser arrancados às pedras.

Os templos aztecas.

As pirâmides do Egipto.

As catedrais góticas.

A Hagia Sofia.

Os minaretes lápis-lazúli de Samarcanda.

A cidade santa de Qom.

Tantos e tantos monumentos dedicados - não à vida, ao amor, à comunidade, aos homens - mas à morte e a um Deus ou a um panteão de Deuses. A uma religião. E digo-vos, o vaticano nem me parece o mais bonito. Nem entra no meu "top 5".

Quantos não terão perdido a vida, a fortuna e a lucidez, trabalhando no Vaticano; contribuindo com o seu dinheiro para uma salvação incerta mas para uma opulência mais que evidente da Cidade Eterna.

Quantos não morreram nos sacrifícios incas e aztecas?

Quantas mulheres não foram humilhadas nas procissões em Osaka, obrigadas a transportar às costas um enorme falo de madeira?

Que miséria não há mesmo ao lado do Taj Mahal?

Quantos já foram alfabetizados no Tibete, em que só os monges - antes da brutal invasão da China - aprendiam a ler e escrever?

E tantos outros exemplos.

Vejo todos estes monumentos como exemplos de arte. Por vezes, sublime. Vejo-os também como monumentos - não menos sublimes - de devoção e como marcos de referência para uma comunidade; tão grandiosos e belos quão grandes a comunidade que neles se revê.

Mas, embora perceba a espiritualidade que transparece destes locais, nunca foram - verdadeiramente - experiências espirituais.

Experiência espiritual é parar um dia numa vila ou aldeia perdida e entrar, quase por acaso, na capela. E aí encontrar o pároco. Que gosta de jogar à bisca, de beber um copo de tinto, de fumar um cigarro. Um homem como todos nós, enfim. E trocar umas palavras sobre isto, aquilo e nada.

E, de regresso ao carro, descobrir um rosário em madeira, pobre como a aldeia, dado por esse padre, a quem nada foi confessado, mas que nos perdoou os pecados.

Espero o mesmo de Bento 16

9:47 am  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Pois é
Adorei o teu post.
No fundo, qualquer que seja a crença de cada um, o problema a enfrentar em qualquer caso é a morte, essa separação física definitiva que se deve forçosamente aceitar! E sobretudo esse passo para o total desconhecido que se oferece a todos sem excepção.
Preparar e aceitar essa realidade proporciona verdadeiras obras de arte, quer seja a arquitectura de que falas, quer seja qualquer outra forma como a poesia por exemplo.

9:54 am  

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