Thursday, March 31, 2005

Final do mês

Já lá vão três do ano de 2005.
Inexoravelmente, o tempo passa! Por vezes acho angustiante não ter maneira de o dominar, de o controlar, mas a idade (a tal que dizem que traz sabedoria) já me ensinou que a única coisa que há a fazer é aproveitá-lo. Durante muito tempo entendi esta palavra num sentido dinâmico: era preciso fazer coisas, aprender coisas, conhecer coisas... Cansava-me e era cansativa. Hoje, apesar de ainda ter recaídas de hiperactividade, já gozo o "dolce fare niente". Quanto mais não seja, 10 minutinhos na sauna como ontem ao fim do dia.

P.S. Tenho pena de não saber (ainda!) pôr fotos no blogue. Há uma loja (de roupa) em Bruxelas que se chama "Où est donc le soleil?" É que não sou só eu....

P.S.2 A minha avó faz hoje anos! Assim, se me esquecer de telefonar logo, fica público que não me esqueci da data. Parabéns avó!

P.S.3 Claro que não me vou esquecer de telefonar logo porque a minha mãe, que já me telefonou ontem a lembrar, telefonará outra vez, lá mais para o final do dia. Não há como as mães para nos evitar situações socialmente inaceitáveis. Obrigada.

Tuesday, March 29, 2005

Livros

A Páscoa aqui foi cinzenta e molhada. Assim continua hoje.
Um tempo magnifico para ficar enroscada no sofá a ler. Passei portanto estes dias de fim de semana e feriado entre livros maravilhosos. Naipaul, Yann Martel, Mia Couto.
Pena tive de ter que trabalhar hoje...
Para quem esteja de visita a Bruxelas aconselho vivamente a Waterstones (para livros em inglês) e a Tropismes ou a Filigranes (para livros em francês).

Friday, March 25, 2005

Boa Páscoa

Com amêndoas, ovos de chocolate e coelhinhos.

Bruxelas

Sejamos justos, Bruxelas não é uma cidade assim tão má!
Sobretudo quando as férias lhe retiram o carácter de cidade engarrafada e apressada, agressiva e mal-disposta.
Hoje, por exemplo, está mesmo uma cidade simpática: o sol, ainda que envergonhado, espreita entre as nuvens, iluminando as flores que despontam mal surge a Primavera. São elas, e não as andorinhas, que anunciam a Primavera aqui! A véspera de fim de semana longo (é feriado na segunda-feira) e a esperança de ausência de chuva (que, não obstante, está anunciada), trazem para a rua mesas e cadeiras, roupas veranis e sandálias (não sei como conseguem aguantar o frio: deve ser uma questão de hábito), crianças e avós, adolescentes e cães.
Sentados na relva, jovens sonham com o futuro e os funcionários engolem apressadamente uma sandwich.
Eu gosto de deaambular pelas ruas do meu bairro, à descoberta da multitude de culturas que se tarduz em cores de pele, estilos vestimentares e lojas exóticas. E tomar um café na Place de Saint Boniface!
Melhor de tudo, que o clima não afecta, são os restaurantes de Bruxelas: há unanimidade, come-se bem em Bruxelas! Qualquer cozinha do mundo, é só escolher.
Apesar de tudo, há muito a descobrir na "capital da Europa"!

Thursday, March 24, 2005

Não resisto

A falar de novo do tempo!
Palavra de honra, sempre achei que fosse um hábito britânico sem hipótese de exportação para o continente. Até ter chegado a estes pontos geograficamente mais centrais. Estou mesmo convencida que é prejudicial à saúde engolir o desespero que o clima nos cria!
Pois aí vai: chove e está cinzento escuro. Tipo Novembro na Pátria! Não há alma que resista a isto. Aqui não há quatro estações no ano, há uma longa estação de chuvas que engloba um Inverno danado, uma Primavera fraquita, um Verão de meio dia (normalmente durante a semana para o vermos através da janela do gabinete) e um outono sem romantismo.
Qual terá sido a ideia de decidir construir a Europa a partir daqui?

Saudade

Requiem

Há mortos que demoram a morrer
é inútil sepultá-los e eles voltam
demoram-se por vezes numa sombra
num braço de cadeira ou no rebordo partido
de uma chávena. Ou então escondem-se
em pequenas caixas sobre as mesas.
Há objectos que ficam cheios deles
são como o rosto transmudado dos ausentes
sua marca na casa e no efémero.

Por isso custa tanto retirar o prato e o talher
arrumar os fatos defazer
a cama. Há mortos que nunca mais se vão embora.
Há mortos que não param de doer.

Manuel Alegre in "Coimbra Nunca Vista"

Um grande beijo M. E. onde quer que esteja.

Wednesday, March 23, 2005

Dia a dia

Vou vivendo sentindo cada hora, lentamente, escoando-se com dificuldade.

Não tenho janela que me distraia e que me alumie. O meu novo gabinete é escuro, escuro e com vista para um prédio mesmo em frente, agora em construção. Os trabalhadores colocam neste momento as janelas o que faz com que deixe de ver as obras a decorrer dentro do edifício e passe a ver o reflexo do edifício onde estou. Nos andaimes, esses mesmos trabalhadores, entre duas janelas colocadas, fumam uns cigarritos e falam ao telefone. Acabaram-se as vistas!
O trabalho também já perdeu grande parte das suas capacidades terapêuticas; ou sou eu que não estou com capacidade para as descobrir. As sensibilidades políticas de uns e de outros aborrecem-me: são jogos de palavras com a importância que só os protagonistas lhes atribuem sem imaginar que os malabarismos perdem o seu fulgor na tradução para 21 línguas (sim, a União Europeia funciona (será possível?) com 21 línguas). O "prima donismo" de certas pessoas já nem me irrita, só me cansa.
A pressão e o stresse levam-me a vaguear por longe (nem sei onde), num sítio que seja quente e que torne os meus problemas (sempre prementes claro) irrelevantes: quero lá saber da Constitutição europeia, das cartas que os cidadãos europeus enviam, da legislação que o Parlamento Europeu exige e que o Conselho repudia; quero lá saber das obras em casa e dos tipos que dizem que chegam às 9h00 e nunca chegam, das dúvidas existenciais de uns e da necessidade fundamental de dietas de outros (porque, afinal, as roupas de verão já estão nas montras); quero lá saber dos preparativos para o próximo fim de semana que têm como último objectivo preencher espaços vazios e enganar a enorme solidão interior.
Eu quero paz interior para poder dormir e acordar, como num sonho, noutra vida. É só isso! E é impossível.

Tuesday, March 22, 2005

Pois!

Eu não diria melhor.

Pode isto ser verdade?

"A woman one loves rarely suffices for all our needs, so we deceive her with another whom we do not love" Marcel Proust

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões

Televisão

Estou sem televisão e estarei assim pelo menos durante uma semana.
É uma experiência gira! Não é que eu seja fanática da caixa mágica mas tenho que admitir que estou mais dependente do que eu pensava. Não fumo, não bebo, mas "zapo"! Pois é, ontem a minha mão foi automaticamente umas poucas de vezes ao comando para ver o que a televisão estava a dar. Mais uma fraqueza que tenho que admitir.
Mas, como é preciso ver sempre o lado bom das coisas, é agora que avanço a leitura dos livros que estão empilhados à espera que eu lhes toque.
Aproveitarei também o silêncio para meditar, esclarecer ideias na minha cabeça, delinear estratégias de acção futura.
E quando o silêncio me pesar, há sempre discos para ouvir. Sobretudo agora que me apaixonei por uma canção africana linda: "Malaika". Já tenho várias versões e não me canso de as escutar.
Se a própria casa me apertar, posso sempre dar um giro e gozar a Primavera bruxelense (cada um goza o que tem...).
Quem diria que é possível viver sem televisão!

Monday, March 21, 2005

Primavera

Começa hoje a Primavera?

Prioridades

A notícia sobre a morte dos dois polícias em Portugal, o filme "Hotel Rwanda" sobre o genocídio no Rwanda, são dois casos, meros exemplos, de que é preciso parar e relativizar a nossa posição. Não é que eu ache que o maior mal dos outros nos reconforta no nosso menor mal, porque, como se diz, com o mal dos outros podemos nós bem. O que me obriga a parar é a enormidade e, sobretudo, a perenidade de certos males, como os mencionados.
Para os males menores há esperança de saída, de um novo caminho que se abre e que, necessariamente, oferecerá novas perspectivas. Basta descobrir esse caminho e ter a coragem de caminhar no desconhecido.
Hoje é Ssegunda e apesar da rotina de mais uma semana de trabalho, é uma semana novinha em folha que temos à frente para viver. Vamos a isso!

Sunday, March 20, 2005

Coisas

Hoje poderia falar de várias coisas:

Começar pelo dia do pai que a Madalena tão bem abordou. Mas as saudades imensas, indizíveis, avassaladoras que sinto do meu, obriga-me a não pensar muito neste dia. (Uma amiga, tentando lidar com o desaparecimento do seu próprio pai perguntou-me quando é que as saudades deixavam de doer tanto. Tive que lhe responder a verdade: nunca!).
Também podia falar da lusofonia que tantas ondas tem criado na blogosfera (ver esta onda a título de exemplo e porque remete para outras). Mas não me apetece. Tenho mesmo a ideia que o debate é mais uma desconversa com palavras e conceitos ambíguos e não esclarecidos o que faz com que o diálogo se processe em frequências diferentes.
Podia até comentar esta opinião sobre as mulheres portuguesas ou sobre qualquer outro tema aí abordado. Mas hoje até isso não me anima!
Podia falar do filme "Hotel Rwanda" que vi ontem e que lança negras nuvens sobre a confiança que podemos ter sobre os homens e as mulheres, capazes do bem, é certo, mas capazes de muito mal.
Mas hoje não me apetece falar de nada porque, para ser franca, só me apetece chorar! Pelo passado que já foi, pelo presente instável e pelo futuro incerto! Pela incapacidade de dominar sentimentos e emoções. Pela incapacidade de tomar decisões.
Pela sensação de estar dentro de uma máquina de lavar e não ser capaz de pôr em prática a solução de uma amiga: "Ora, sai da máquina!". Tomara eu, tomara eu, descobrir o botão para a parar e para abrir a maldita porta...

Friday, March 18, 2005

Loucura

Fui "acusada" de ser demasiado certinha, sem "loucura" na minha vida! Ando há dias a pensar nisto. Tentei invocar o piercing no umbigo, mas parece que não vale: ou não é o tipo de loucura certa, ou não é suficiente...
Portanto, ou admito que não tenho um pingo de loucura ou continuo à procura da loucura desconhecida que há em mim!

Lusofonia

Os dois gandes ecos que nos chegam das primeiras medidas do novo governo dizem respeito ao número de mulheres com pastas ministeriais e à lusofonia.
Tenho que admitir que o segundo tema me interessa particularmente e a tantos outros, aliás, dado o debate que está a provocar na blogosfera.
Vivendo no estrangeiro sinto todos os dias a minha diferença, quer do ponto de vista cultural quer linguístico. Diferença que os esforços da União europeia ainda não conseguiram compensar com, por exemplo, a criação da cidadania de União.
Essa diferença, também a sinto nos demais países estrangeiros, quer sejam ou não membros da União. Não fora o Figo e ninguém saberia nada de Portugal nem dos portugueses...
Em casa só me sinto no espaço da lusofonia. E digo isto sem paternalismos ou sentimentos imperialistas fora de época! Digo-o, porque é verdade. Porque a língua comum e as raízes culturais partilhadas me dão a minha necessária circunstância, completando assim o meu eu.
Disse num post anterior que tenho pena que a CPLP não funcione de forma eficaz. Todos os países de língua portuguesa teriam a ganhar com um organismo capaz de promover efectivamente um verdadeiro intercâmbio nomedamente cultural.

Thursday, March 17, 2005

Saudade

Uma das coisa que não pude fazer ontem foi comentar isto.
A saudade é, para mim, o maior obstáculo à objectividade. Quando só consigo imaginar Lisboa como sendo uma cidade branca e luminosa, banhada pelo belo Tejo azul, à beira do qual apetece beber uma bica enquanto se saboreia um jornal, rodeada de gente boa e sorridente que fala a minha língua e partilha da minha cultura, quando da imagem desaparecem a sujidade das ruas, a falta de civismo e o trânsito infernal e caótico, sei que está na altura de ir até lá e reajustar os parâmetros da objectividade...
Por outro lado, é certo que a saudade que sinto, permanentemente, me fez sentir muito mais lusa e deu pleno sentido à frase do poeta "a minha Pátria é a língua portuguesa". Daí a pena que tenho de não ver uma CPLP importante e assumida. Mas isto é tema para outro post.

Finalmente!

Ontem o sistema impediu-me de entrar no blogue. Que frustração!
E logo ontem, que esteve um dia primaveril em Bruxelas. É impressionante como um pouco de sol e calor consegue mudar, quase instantaneamente, uma cidade. As cores ficam mais luminosas, as pessoas mais sorridentes, os cafés rapidamente montam as explanadas, os jardins enchem-se de "banhistas" solares... Sente-se a necessidade de aproveitar ao máximo o que se sabe ser de pouca dura: hoje já está cinzento de novo!

Monday, March 14, 2005

O futuro

Difícil, difícil é encarar o futuro quando a visibilidade é fraca! E quando o passado insiste em tomar o lugar do presente e em fazer questão de se projectar mais além!
Bem repetimos que mais vale parar, que mais vale encontrar um lugar confortável para esperar dias mais claros, mas algo (quem será? A mente, o coração?) persiste em querer desenrolar o novelo do tempo para que o passado se repita no presente. Depois sobram lágrimas e angústias até que aceitemos o inevitável. E tudo isto com a certeza de que a ferida vai sarar, talvez fique cicatriz, mas a dor vai passar. Ainda assim, o tal algo (a mente, o coração?) é, para já, mais forte e lança-nos, tal folha seca no vento outonal, num rodopio sem rumo.
Um dia, num destes momentos em que parece que a nossa vida se desfaz em poeiras e galhos sem forma nem senso, ofereceram-me um calendário. Bonito, em papel reciclado, com a frase: o tempo cura tudo. A minha vida descruzou-se dos caminhos dessa amiga, mas eu nunca esqueci aquela ajuda e ainda hoje é esse calendário (agora mental) que me ajuda a esperar que o nevoeiro se levante!

Regresso

Um dos meus blogues favoritos voltou! Que boa maneira de começar mais uma semana (que de momento se apresenta cinzenta) em Bruxelas.

Escrever

Adoro escrever!
Comecei, como criança, por uns poemas engraçados (ou, pelo menos, assim o pensavam os meus pais que, embevecidos, os davam a ler aos amigos), continuei em adolescente, com uns poemas parvos (que, felizmente, nunca dei a ler a ninguém), e fui perdendo o gás à medida que crescia e que compreendia que a matéria prima não seria da melhor qualidade...
Ainda assim, sobrou-me o outro lado da moeda que é o adorar ler. Perco-me, horas a fio, noutros mundos que me ajudam a completar, umas vezes, ou a esquecer, outras vezes, o meu próprio mundo.
Por vezes irrito-me com os autores; por variadas razões! Uma delas é a raiva que sinto por escreverem o que eu gostaria de ter escrito e da forma como o gostaria de ter feito. Este puro sentimento de "inveja" é uma sentida homenagem que eu presto aos meus escritores favoritos.

Thursday, March 10, 2005

António Variações

Num post anterior citei António Variações. O Portugal dos Pequeninos indicou-nos a sua música. Também ela do mesmo autor. Anos depois, António Variações ainda continua a falar a tantos de nós.

Governo

A RTPi informou-me hoje de manhã dos secretários de estado do futuro governo. Creio que a lista ainda não está completa mas, para já, apenas há duas mulheres. E o dia internacional da mulher foi só há dois dias!

Wednesday, March 09, 2005

Tivesse eu a sabedoria de atingir a felicidade assim!

Onde está o sol?

Uma das coisas difíceis de suportar em Bruxelas são os Invernos longos, cinzentos, chuvosos e frios. A partir do final de Fevereiro começam todos a ficar francamente fartos e isso nota-se na frieza, mesmo antipatia, com que os contactos entre as pessoas se dão, nota-se no ar triste e cansado das pessoas que cruzamos na rua, nota-se na falta de vontade de sair da cama de manhã...
Nesta altura, em que todos esperam ansiosamente pela Primavera e pelo sol, os livros e os amigos (não necessariamente por esta ordem) são as pedras preciosas que refletem a pouca luz que existe. E, claro, os telefonemas para Lisboa para matar saudades.
É que a falta de sol é como a falta de sal na comida, tudo fica sem sabor.
Desculpem este longo desabafo, mas o sol é o chupa-chupa da minha alma!

Tuesday, March 08, 2005

Confusão

Há alturas eu que não me sai da cabeça o refrão da canção do António Variações "só quero ser o que eu não sou, só quero estar onde eu não estou" (cito de memória).
Basicamente, ando à procura da felicidade. Mas ... não é isso que fazemos todos, cada um à sua maneira?

Dia internacional da mulher

Registe-se a efeméride mas sem grandes comentários; este tipo de dias serve basicamente para que as consicências se aquietem com meia dúzia de discursos bonitos, uma mão cheia de intenções inconsequentes e umas comemorações barulhentas mas vazias.
Repito uma frase que ouvi um dia e que resume bem o que penso sobre o assunto: igualdade entre os sexos sim (em termos legais, em termos de oportunidade, por exemplo) mas o direito à diferença é um direito que se exige. Não se pode tratar de modo igual o que é desigual à partida!
Isto não significa que eu não pugne por uma maior representatividade das mulheres na política, em ógãos dirigentes nas empresas, etc. E que sobretudo não fique chocada com a forma como as mulheres são tratadas no mundo árabe - que para mim constitui uma básica violação dos direitos humanos!
Significa somente que nós mulheres devemos, ao mesmo tempo que lutamos pela igualdade, lutar também pelas nossas particularidades, pelas as nossas diferenças.

Monday, March 07, 2005

Barnes and Noble

Apesar do muito mar que me separa de Nova Iorque posso, sem passar frio, nem apanhar chuva, dar um pulo até à Barnes and Noble, fantástica livraria nova iorquina, onde apetece assentar arraiais de cada vez que lá se vai. Deixo o endereço para quem a quiser visitar
http://www.barnesandnoble.com/

Uma das coisas que já tive e que tenho pena de não ter neste momento é um clube de leitura. Tive-o quando vivia no Luxemburgo e, apesar de se limitar aos escritores de língua portuguesa, o clube contava com a participação de não portugueses. Ssão incríveis as diferentes perspectivas que pessoas com backgrounds culturais distintos podem ter sobre o mesmo livro!

Tanta coisa!

Só passou um fim de semana e tanta coisa aconteceu e que me apetecia comentar.
Começo pelo governo que surgiu de surpresa no sábado de manhã ainda a televisão não tinha acabado de me acordar! Percorri com curiosidade as páginas do teletexto da RPTi, pensei que o sono não me tinha permitido ler com clareza, reli as ditas páginas e convenci-me que assim era: o Vitorino não estava! Já era difícil explicar aos meus colegas estrangeiros (que o admiraram no seu trabalho como comissário) porque é que ele não era o primeiro ministro; acho que vai ser impossível a minha nova tarefa de explicar que Vitorino nem sequer ministro é! A menos que os convença que ele está na calha para presidente da República...
Também não sei o que pensar da presença do Prof. Freitas do Amaral no governo. Acho que concordo com a análise de ontem de Marcelo Rebello de Sousa (cada um tem o direito de mudar de opinião, mas talvez o Prof. já não tenha o folêgo necessário para ser MNE). A propósito, o lado positivo da saída de MRS da TVI é que mesmo no estrangeiro podemos acompanhar as suas reflexões, agora que está na RTP.
Este novo governo chega numa altura em que, em termos turísticos, Lisboa está na moda. Cada semana que passa há alguém que me vem dizer que passou o fim de semana em Lisboa e que acrescenta meia dúzia de elogios que me aquecem a alma de alfacinha. O que é engraçado é que, independentemente da nacionalidade do viajante, chegam todos à conclusão que somos muito diferentes dos espanhóis! Afinal, não são só os novos Estados membros da União Europeia que são desconhecidos. Portugal ainda é, para muitos, uma grande incógnita. (Lembro-me sempre de uns amigos suecos que, chegando a Lisboa num magnífico fim de dia de Maio, olharam em redor e disseram: é tudo tão normal! Parece que esperavam cenas mais do terceiro mundo.)
Como o post já vai longo, deixo outros assuntos para nova ocasião, e termino comentando o filme "Mar Adentro" que vi ontem e que trata de uma história verídica passada na Galiza e que eu desconhecia: o pedido de eutanásia de um tetraplégico. O filme não toma posição sobre o assunto; pelo contrário, vão desfilando argumentos a favor e contra, que nos fazem refletir sobre o assunto.
Há quem ache que deve deixar uma marca no mundo antes de morrer. Não tendo em mim rasgos de genialidade que me permitam alimentar tais ambições, só quero dar o meu melhor, tentar ser feliz e tentar dar felicidade aos que me rodeiam. Já percebi que é uma missão estenuante e que, muitas vezes (tantas vezes!) falho redondamente.
De qualquer modo, e além da abordagem emocional e religiosa que o tema autoriza, creio que, juridicamente, a eutanásia é um interessante desafio. O Tribunal dos Direitos do Homem já se pronunciou uma vez mas a questão está muito longe de estar resolvida.
Uma boa semana para todos!

Friday, March 04, 2005

Arqueologia

Ontem à noite vi um programa sobre uma civilização da América Latina que desapareceu: os Moche. Fico sempre perplexa com estas histórias de grandes civilizações, ricas, poderosas, culturalmente avançadas, que desaparecem sem deixar rasto; além do mais, a América Latina parece ser terreno propício a estes fenómenos.
E penso na época que atravessamos que me parece ser, do ponto de vista histórico, um fim de ciclo com as suas crises políticas, económicas e humanas. Para não falar das catástrofes naturais! Todas estas causas são avançadas para justificar o fim das tais civilizações latino-americanas. No caso dos Moche, depois de várias catástrofes naturais (inundações, secas) que os enfraqueceram, uma terrível guerra civil teria ditado o fim.
Seremos nós o princípio do nosso fim?

Thursday, March 03, 2005

Racismo

Ontem a televisão britânica deu um programa sobre o racismo da polícia relativamente aos imigrantes e refugiados no Reino Unido.

É assustador que fenómenos destes ainda ocorram no espaço da União Europeia e que nem as memórias do nazismo façam cerrar fileiras contra manisfestações primárias de racismo e xenofobia. Ainda há muito a fazer para que a tolerância seja um facto e para que as diferenças não sejam obstáculos à compreensão e à integração.

Wednesday, March 02, 2005

Este post é inacreditável.
Não é que eu ache que o humor deva ter limites: é a própria vida que deve ser vivida entre o que se pode fazer/dizer e o que não se pode fazer/dizer. É a única maneira que eu vejo de se respeitar o outro, de se ser tolerante, de se exercer com dignidade a liberdade individual.
Cada pessoa é livre de pensar o que quiser do Papa (e de qualquer outra pessoa) mas a liberdade de se dizer o que se pensa deve ser primeiro ponderada quanto à forma (como o dizer) e quando aos destinatários (como vão receber a mensagem). Queira-se ou não, a igreja católica (tal como todas as demais igrejas) mexe com domínios tão sensíveis das pessoas que nela(s) se acolhem que nos obriga a ser particularmente cuidadosos com o que se diz e como se diz.
Mal comparado, temos o mundo cheio de conflitos (graves), que se baseiam (talvez não só, mas também) no desrespeito destes princípios de "cuidado" quando se lida com temas sensíveis como o são os temas religiosos.
Como diria o outro "não havia nexexidade de chocar desta forma, nem de abordar a figura do Papa com falta de respeito e de dignidade".

Primavera

Ja estou naquela fase em que só quero que chegue a Primavera! Janeiro e Fevereiro são os meses mais difíceis e quando chega a Março só apetece sol e calor! Mas enfim, também está frio em Portugal, segundo me dizem e deve ser por isso que o país parece, visto daqui, ao ralenti. Cada dia que passa procuro notícias do novo governo e nada. Como se as eleições só tivessem servido para dar um recado ao Santana Lopes mas, verdadeiramente, não quisessem dizer nada ao Sócrates!

Ontem, o frio da noite impediu-me de ir ao cinema, meu primeiro plano, e a desordem da casa (obras em vias de começar o que é sempre uma pequena revolução) fez-me reencontrar poemas antigos que eu tinha escrito. Numa outra vida que eu tive, antes de Bruxelas, no Luxemburgo. Às vezes tenho a sensação de levar uma existência monótona mas, perante certas coisas que surgem assim inesperadamente, vejo que já percorri muitos caminhos.

A ver onde me leva o que percorro neste momento...

Tuesday, March 01, 2005

Neva em Bruxelas

Hoje neva em Bruxelas.
E está cinzento, como o título deste blogue.
Nestas alturas parece que a Primavera nunca vai chegar! O que nos anima é que ela acaba sempre por vir, mais cedo ou mais tarde!
A RTP internacional continua sem me dar notícias do novo governo: o país, visto daqui e por aquela televisão, anda só à volta do futebol e do fado. Só clichés para alimentar a imagem do Portugal pequenino e contentinho.
Entretanto, aqui ninguém percebe porque o Vitorino não é o novo primeiro ministro: como comissário deixou uma excelente recordação de alta competência. Para compensar o fado e o futebol...