Friday, April 29, 2005

Fim-de-semana

O fim-de-semana está à porta e apesar do tempo cinzentíssimo e chuvoso de hoje (como se isto fosse uma novidade!) fico sempre muito entusiasmada com a ideia de não ter que vir trabalhar.

O problema é que este entusiasmo é mais por hábito: por diversas razões, não me apetece enfrentar este fim-de-semana que se aproxima. Ao menos que faça sol (está prometido pelos senhores do tempo, mas aqui nunca se sabe…) para que o coração, aquecido, adormeça, e para que o cérebro, amolecido, decida afrouxar as engrenagens. Ou então que eu consiga fazer como um primo meu que, antes de entrar no mar da Figueira da Foz (gelado por definição), se punha em posição de meditação e dizia em voz alta “Ommm, não sentir….”.

Portanto, e à laia de conclusão, o trabalho não só dá saúde (dizem…) como distrai!
Talvez seja altura de retomar o eterno tapete de Arraiolos.

Oração

Há muitos anos ouvi na televisão francesa um debate sobre religião em geral.
Um dos intervenientes indicou a sua oração favorita. Gostei e reproduzo-a muito: "Merci. Pardon. Au secours!"

Thursday, April 28, 2005

Luta contra o vento

Eu sei que nunca se tem uma segunda oportunidade para se dar uma primeira impressão.
Mas será que não é possível uma segunda oportunidade para se voltar à primeira impressão?
Isto é, quando se apaga a chama da amizade, como fazer para a acender de novo? Onde estão os fósforos que inflamam a alma?
É que os ventos da vida são imprevisíveis e por vezes tão contrários aos nossos interesses!

Wednesday, April 27, 2005

Debate sobre a União Europeia

Creio que a maior parte dos cidadãos europeus (incluindo os portugueses) conhecem muito pela rama essa entidade desconhecida que dá pelo nome de União Europeia.
E é pena porque na base está um projecto interessante e ambicioso que, em 50 anos de existência, fez evoluir os países europeus que dela fazem parte de uma existência divergente para uma convergência positiva de que todos beneficiamos.
Neste momento preciso, estão em discussão dois assuntos importantes para o futuro da União: a Constituição Europeia e as novas Perspectivas Financeiras 2007-2013.
Em ambos os assuntos, os políticos de cada Estado-Membro mostram-se incapazes de ver para além dos meros interesses nacionais e os cidadãos incapazes de ver para além daquilo que esses políticos lhes dizem.
O debate está portanto truncado e viciado à partida.
Não votar a Constituição Europeia ou inviabilizar as novas perspectivas financeiras (que determinarão os fundos à disposição da Comissão Europeia para desenvolver as suas competências e responder aos desafios políticos decididos pelo Conselho de Ministros da União) é pôr em causa um modelo de gestão mais eficaz numa União agora com 25 Estados e que terá 27 em 2007 (com a adesão da Roménia e de Bulgária). Não é, ao contrário do que se ouve dizer por aí, barrar o caminho a uma progressão para uma Europa federalista, nem impedir a adesão da Turquia! Não é votar a favor de mais soberania dos Estados membros, nem impedir profundas alterações jurídicas! Não é subtrair o poder decisório dos governos nacionais às directrizes de Bruxelas!
Não votar a Constituição Europeia ou inviabilizar as novas perspectivas financeiras é tão simplesmente impedir o trabalho normal das instituições europeias, é permitir que, em nome de interesses nacionais de alguns países, se ponha em causa o princípio de solidariedade que permite ajudar a desenvolver os Estados menos desenvolvidos (de que Portugal tanto beneficiou e ainda beneficia), que permite que no território da União circulem livremente pessoas, bens, serviços e capitais, que permite que, em conjunto, se faça frente a catástrofes naturais ou não (como os incêndios em Portugal ou o atentado terrorista de Madrid).
Basicamente, não votar a Constituição Europeia ou inviabilizar as novas perspectivas financeiras é estar contra o projecto da União Europeia.
Faço uma sugestão: aqueles que estão contra a União leiam o projecto de Constituição e votem a favor. O seu artigo I-60° prevê a saída voluntária da União por parte de um Estado-Membro, situação não prevista actualmente no direito comunitário em vigor.

Tuesday, April 26, 2005

Back again

Fui à Pátria apanhar sol.
E atrasei-me nos comentários e decerto que vai sobrar muito por dizer!
Umas pinceladas vão ter que dar para me pôr em dia: se estou em Bruxelas (a suportar esta crónica falta de sol) é porque um dia houve cravos vermelhos no meu país. Acordei então para a política e cresci ao sabor de uma revolução. Ainda me lembro de estudar na escola que éramos a capital de um império e invejei as pessoas que votaram nas primeiras eleições livres e desejei ter idade para ir votar também. "Brinquei" aos partidos e vivi com entusiasmo as manifestações. Distribui panfletos e colei cartazes, disputei associações de estudantes no liceu.
Hoje "que já sou grande" tenho saudades desse tempo em que em todos havia uma entrega total pela defesa de ideais.
31 anos depois da revolução é muito tempo: fiz o meu balanço pessoal e acho que fiz escolhas erradas na vida. Mas enfim, na altura eram as escolhas que me pareciam certas ou mesmo as únicas viáveis. E mesmo se o coração se entristece, agora há que seguir em frente e gozar os pontos positivos. Regressar ao passado não é possível. Parar, só o tempo suficiente para respirar fundo e ganhar coragem. Vamos embora...
Cada vez que vou a Portugal fico com vontade de lá ficar! Mas dizem-me que é porque não vivo lá, porque as coisas estão mal... Pois, mas há sol e o sol traz os sorrisos e as bicas bebidas nas esplanadas enquanto se lê o jornal. É bom.

Thursday, April 21, 2005

"Gosto muito de você leãozinho"

Eu sonho com o sol, mas há quem componha melhor o ramo e lhe associe uma quente voz brasileira. E tem razão! O que haverá melhor para a alma do que ser aquecida pelos raios do sol e musicada pelo Caetano Veloso? Talvez se possa mesmo acrescentar uma cerveja e uns cajús numa esplanada à beira mar!

Wednesday, April 20, 2005

É inevitável

Ter que falar do novo Papa!
Quando me disseram o nome não fiquei surpreendida! Tinha sido o meu primeiro vaticínio.
Depois explicaram-me que não poderia ser ele, por razões políticas, que teria que ser um Papa sul-americano, talvez mesmo africano ou indiano.
Parece que as razões religiosas se sobrepuseram às políticas (ou terão sido outras razões políticas ainda mais profundas?)
Dado que me recuso a acreditar que só o dinheiro e a política regem o mundo, ouso esperar que esta escolha tenha sido a resposta ditada pela escolha refectida dos cardeais presentes no conclave e que ela tenha em vista o bem da Igreja.
Deste modo, e como me reconheço membro desta, fico contente por ter, de novo, um líder e espero pelos actos antes de me manifestar sobre o mandato do Papa Bento XVI.

Tuesday, April 19, 2005

Love

Love is patient, love is kind. It does not envy, it does not boast, it is not proud. It is not rude, it is not self-seeking, it is not easily angered, it keeps no record of wrongs. Love does not delight in evil but rejoices with the truth. It always protects, always trusts, always hopes, always perseveres. - 1 Corinthians 13:5-7

Sabedoria

It is not because things are difficult that we do not dare; it is because we do not dare that they are difficult (Seneca).

Monday, April 18, 2005

Sofrer

Hoje está tudo cinzento, eu e o tempo! Vi no sábado um filme italiano (Non ti muovere) muito triste, aflorando muitas misérias humanas. O filme não é nada de especial mas fiquei a pensar na vida que certas pessoas levam, nos sofrimentos por que passam e não paro de me perguntar se as coisas poderiam ser de outro modo, se a vida poderia ser vivida de outro modo. Sobretudo quando, objectivamente, parece estarem reunidas as condições para se ser feliz e o resultado é a infelicidade.
Será que o ser humano foi feito para sofrer e, consciente ou inconscientemente, destrói o que o faz feliz? Será que somos incapazes de construir e de manter a nossa felicidade? Será que o sofrimento nos faz sentir vivos? E que fazer sofrer os outros nos dá a sensação (que dizem inebriante) do poder?
Não sei responder a nada disto!

Friday, April 15, 2005

Em que estação estamos?

Eu não quero ser repetitiva mas certos prezados bloguistas, cujo valor e mérito não estão minimamente em causa, antes pelo contrário, parecem não levar muito a sério o cinzentismo de Bruxelas.
É que não sou eu, é mesmo esta cidade! Decerto nasceu deprimida e bem podem os jardineiros municipais encher os jardins de tulipas, que ela não se ensolarenga (será que a palavra existe?). Pois bem, estamos na sexta-feira, certo? A última vez que vi um dia de sol de jeito foi, foi, foi ... algures na semana passada! Para cúmulo, chove! E está frio! E eu ainda visto os anoraks de Inverno! E estou farta! Porque é Primavera...
Até o Luxemburgo é menos cinzento!
Como não hei-de eu sonhar com Lisboa, Luanda, Maputo, Beira, Pemba, Seychelles, Maldivas, whatever, desde que tenha sol e seja quente?

Thursday, April 14, 2005

Esqueci-me

Ontem esqueci-me de indicar um livro que eu adorei quando era pequenina (ou será que me esqueci que fui pequenina!?): "365 histórias de encantar". Ainda me lembro de alguns poemas e a vossa sorte é isto não ter som...

Wednesday, April 13, 2005

Toca e segue

Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um qualquer do Mia Couto pela graça e destreza com que brinca com as palavras.
Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por um personagem de ficção?

Vários, mas, correndo o risco de decepcionar alguns, lembro-me das personagens dos livros da Odete de Saint-Maurice que, por vezes, me pareciam tão reais como os meus amigos da escola.

Qual foi o último livro que compraste?

Um montinho deles na Waterstones em Bruxelas no sábado passado. Entre eles “The five people you meet in Heaven” de Mitch Albon, “The blue horizon” de Wilbur Smith e “44 Scotland Street” de Alexander McCall Smith.

Que livros estás a ler?

Tendo acabado o “The five people you meet in Heaven” de Mitch Albon acho que vou escolher um qualquer da enorme pilha que tenho lá em casa. Talvez Naipaul.
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?

Isto faz-me lembrar o exame de entrada na Universidade Católica! Como se dizia que havia perguntas deste género nós dividíamo-nos entre a Bíblia, Cem maneiras de cozinhar peixe e Construa você mesmo um bote!

Prefiro dizer que gostaria de levar livros dos seguintes escritores: Mia Couto, Pepetela, Naipaul, Eça de Queirós e Fernando Pessoa.

A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?

À T-shelf para ajudar nas arrumações da Primavera;
À MMICR para se passar de novo para o lado público, porque faz falta;
À Brígida porque tem, decerto, coisas novas para dizer.

Keep on going!

“All endings are also beginnings. We just don’t know it at the time”

do livro “The five people you meet in Heaven" de Mitch Albom

Tuesday, April 12, 2005

Café Luanda

Enquanto os “grandes” bebiam bicas, fumavam e conviviam entre si, eu ficava muitas vezes a contemplar uma enorme fotografia a preto e branco da baía de Luanda no café do mesmo nome.

O café ainda existe mas a fotografia não.

Mas no meu imaginário de criança, aquela fotografia era a mais bonita que jamais vi. Daí a achar que tinha que ir ver Luanda foi um passo.
Que ainda não dei.
Eu ainda não vi a baía de Luanda!

Monday, April 11, 2005

Divagar

Fabuloso este texto da Brigida.
Eu consigo ter a nostalgia sem nunca lá ter vivido, alimentada por via familiar.
Passei períodos de férias muito bons pelas bandas de Moçambique e Cabo Verde e alimento, não muito secretamente, o sonho de viver (pelo menos um período que ultrapasse a noção de férias) em Moçambique.
Não muito secretamente, mas muito pouco activamente, porque o meu lado europeu, atávico, deixa-me perplexa sobre os modos de acção possível. Assim, tirando os sonhos que alimento sempre que posso, vivo por experiências outras e outras (por exemplo) uma experiência que nunca tive.

Mudança

Tomar decisões pode ser uma coisa muito difícil!
Começa pelo esforço de tentar analisar, de cabeça fria, a situação actual, identificando o que interessa mudar e o que poderia ficar, sabendo que não é normalmente possível mudar apenas o que está mal e deixar tudo o que está bem porque as coisas vivem intrinsecamente relacionadas.
Depois é preciso identificar o caminho que se pretende seguir: não é possível conhecer de antemão tudo o que se vai encontrar mas pode-se fazer o esforço de preparação para as eventualidades mais certas.
Por fim, a parte mais exigente: largar o conhecido e dar o decisivo passo na direcção da mudança.
Sem arrependimentos nem tentações de voltar atrás!

Friday, April 08, 2005

Direitos e deveres

Vários são os meios à disposição dos cidadãos comunitários para se dirigirem à Comissão europeia. A maior parte das vezes fazem-no para apresentar queixas, por vezes justificadas, por vezes apenas gritos de alma de quem não sabe mais o que fazer neste mundo burocrático e complexo.
Uma vez chegou-me às mãos uma missiva com um grito de alma diferente: alertava este cidadão europeu para o facto de a União se gastar na promoção dos direitos da cidadania europeia sem nunca falar dos deveres.
Parece, de facto, que a dicotomia entre as duas realidades (que são no fundo as duas faces da mesma moeda) corresponde a uma maneira muito particular de encarar a vida: os direitos podem exigir-se dos poderes públicos cuja única obrigação seria promovê-los e protegê-los. Os deveres, esses, fariam parte da esfera da moral, privada e íntima, sem que nada nem ninguém possa reclamar do seu cumprimento (ou incumprimento).
Corresponde ao l’air du temps: cada indivíduo vive para si e contra os outros. A ideia de viver para si e para os outros (ou para os outros e para si!) é apelidada de tonta e de retrógrada.
Somos então muitos milhões de bolinhas estaques exigindo tudo aquilo que no nosso imaginário fará a nossa felicidade total, absoluta e permanente. E acreditamos mesmo nisso! E ficamos muito chocados quando os tais tontos e retrógrados nos chamam pelo nosso nome: egoístas! Simplesmente. Mas ficamos ainda mais espantados quando não somos totalmente, absolutamente, permanentemente, felizes!

Morte

A morte do Papa esteve nas primeiras páginas dos jornais. Mas o Papa teve uma longa vida, difícil, decerto, mas balizada pela fé que escolheu e que o guiou até ao fim.
A morte do Príncipe Rainier do Mónaco esteve nas segundas páginas dos jornais. Mas o príncipe teve uma vida longa e os confortos materiais talvez tenham amenizado as dificuldades porque terá passado.
A morte de um menino de 13 anos atrás de uma bola numa movimentada rua de Bruxelas e de um bebé de oito meses por vontade de um tumor no cérebro não vieram nas páginas dos jornais. Mas obrigam-nos a parar e a pensar.
A pensar na fragilidade da vida.
A pensar na urgência de viver.

Thursday, April 07, 2005

Sonhos

Há sonhos que alimentamos cuidadosamente para que nunca deixem de o ser! São aqueles que verdadeiramente não queremos realizar, porque deixarão de ser sonhos.
Depois há aqueles por que lutamos: esses quando se realizam deixam-nos felizes, caso contrário, ficamos com um gostinho um pouco amargo na boca .
E depois há os irrealizáveis de todo, os que alimentamos e nos fazem sofrer e dos quais não nos conseguimos libertar. Acho que é porque, no fundo, contra tudo e contra todos, achamos que se vão realizar ... um dia!
Quem sabe?

Wednesday, April 06, 2005

Cidadania da União

Uma das prioridades políticas da União europeia é dar sentido à expressão "cidadania da União" para que cada pessoas residente no território da União possa sentir-se parte activa e não mero espectador (ou mesmo vítima) da construção europeia.
Estando no centro dessa construção, compreendo as perplexidades daqueles que estão mais afastados. Efectivamente, mais do que explicar às pessoas o que é isso da cidadania europeia e dos direitos que lhe estão associados é preciso, penso, desenvolver o sentido de pertença a essa comunidade alargada.
Como fazer isto com 25 nacionalidades falando 21 línguas diferentes (sem contar as ditas línguas minoritárias que, não sendo línguas oficiais da União, são as línguas utilizadas por grupos importantes que as reconhecem como "maternas", como é o caso do catalão, do gaélico ou do luxemburguês) e tendo 25 diferentes culturas? Nem vale a pena argumentar que certas culturas são muito semelhantes a outras porque isso é o que os "outros" fazem connosco e com os espanhóis, amalgamando as diferenças (que sabemos existir) e achando que a separação da Península Ibérica em dois países é mais uma bizarria da história sem qualquer justificação. Imagino que dizer o mesmo dos países bálticos ou dos países nórdicos é manifestar idêntica ignorância.
A solução pode estar no conhecimento dos outros, culturas e línguas. Daí a importância que atribuo à aprendizagem das línguas e às viagens. O futuro de uma criança portuguesa não está limitado as fronteiras do estreito território português mas pode alargar-se a todo o território da União.

Tuesday, April 05, 2005

Amigos

Este post é uma sincera homenagem aos meus amigos pela presença nos bons e nos maus momentos.
É sempre bom ter uns faróis que alumiam o caminho e que ajudam a suportar o cinzento tão cinzento como o cinzento de Bruxelas.

Monday, April 04, 2005

Diálogo

Tomo emprestado este texto (com o devido agradecimento) para sublinhar a importância do diálogo interreligioso no mundo de hoje.
O tema, aliás, está na lista de prioridades políticas do mundo e talvez seja a resposta adequada para os fundamentalismos, radicalismos e outros ismos com que nos confrontamos.
O diálogo permite conhecer, e o conhecimento é a melhor maneira de evitar os medos e de propagar a tolerância. É a única maneira que sei de enriquecer humanamente. E de crescer...
A União europeia ergue alto a bandeira do diálogo (interreligioso e multicultural). Esperemos que não seja mais uma área cujo conteúdo acabe vazio pelas limitações do politicamente correcto!

Mais um dia!

O fim de semana esteve divinal! É tão bom poder ler livros sentada ao sol, preparar um barbecue na varanda, flanar por Bruxelas e ver os jardins cheios de gente a recarregar baterias, observar os jovens a fazerem acrobacias com os skates e os patins de rodas em linha. A Grande Place pululava de turistas entusiasmados aproveitando a luminosidade do sol: as esplanadas estavam cheias, os cliques das máquinas fotográficas contínuos.
Tentei embeber-me deste espírito primaveril, de renascimento da vida, mas o meu casulo ainda está muito fechado. Preciso de mais um tempo para aceitar as mudanças que me rodeiam e que me impõem uma nova realidade de que, por enquanto, ainda não aprendi a gostar. Mas, talvez tudo seja como a água tónica: aprende-se a gostar!
E para permanecer na onda das coisas positivas, o jardim de Keukenhof, na Holanda, já abriu. Para quem gosta de flores, e sobretudo, de tulipas, vale a pena ir até lá.
Termino com uma perplexidade! Alguém leu o livro "Self" do Yann Martel? Acho que não consegui acompanhar a mudança de ritmo e não percebi o delírio em que o livro entra a partir mais ou menos do meio! É nestas alturas que tenho pena de não ter um clube de leitura....

Sunday, April 03, 2005

Silêncio

Tenho a sensação de que acabou mais uma época: morreu o Papa que eu conheci!
O Papa Paulo VI não me disse muito dada a pouca idade que tinha naquele tempo. O Papa João Paulo I não teve tempo de dizer muita coisa.
João Paulo II foi, portanto a minha referência.
E foi, sem dúvida, um homem fundamental para a Igreja.
A minha homenagem é uma oração em silêncio.

Friday, April 01, 2005

Eu vi o Papa

Estou a trabalhar com um olho na BBC news! Sei que o Papa está muito mal e que, a qualquer momento, a má notícia pode chegar.
Cresci com este Papa e acompanhei com entusiasmo a visita que fez, nos idos dos anos 80, à Universidade Católica onde era então estudante. Fiquei fascinada com a sua presença, com a sua mensagem de fé e de esperança. Penso que a história recordará o papel importante que este Papa desempenhou na mudança política do mundo e no seio da Igreja católica. Penso que recordará a coragem e o empenho de dizer e de fazer aquilo que achava que devia ser dito e feito sem olhar a conveniências ou ao politicamente correcto. Seguiu sempre uma linha fiel e coerente e isso é muito mais do que muitos conseguem fazer.
Eu, pelo meu lado, recordarei o branco e amarelo que espalhou por Portugal, aproximando as pessoas e acalmando espíritos, numa altura em que o país se refazia das emoções fortes da revolução.

Parabéns Rafaela

A minha primeira e única sobrinha (os demais são sobrinhos!) nasceu há 9 anos! Está uma menininha linda e moderna, que me manda SMS naquela linguagem cifrada que me faz franzir o sobrolho para a tentar perceber, que acompanha a moda e que está a par dos acontecimentos televisivos que é preciso conhecer.
Há dois ou três anos, quando lhe perguntei o que queria de presente respondeu-me "muitos"! Pois é o que eu lhe desejo hoje: que receba muitas prendas (a minha vai mais tarde!).
Um grande beijo Rafaela.

Million Dollar Baby

Uff, não é um filme fácil de suportar! Somos confrontados com questões muito complexas, daquelas que desejamos nunca ter de responder, mas que mexem com tudo o que temos dentro de nós.
Pessoalmente, fui obrigada a relativizar muita coisa (afinal, todos temos problemas e, centrados que estamos no nosso umbigo, eles são os maiores do mundo), a repensar atitudes e decisões. Agora, basta ter a força e a coragem de assumir uma nova hierarquia de valores...
Acho que é isto que nos faz crescer, que, no fundo, nos melhora como seres humanos porque nos torna mais tolerantes, mais flexíveis, mais conciliadores. A vida não é linear, o futuro é desconhecido (e imprevisível) e a reviravolta no rame-rame quotidiano pode acontecer quase sem darmos por isso.
Por tudo isto, peço desculpa aos que magoei, aos que, consciente ou inconscientemente, ofendi. Tenho remorsos de coisas que fiz, arrependo-me de coisas que não fiz e que deveria ter feito, de palavras que disse e daquelas que não cheguei a dizer e espero que hoje, o primeiro dia do resto da minha vida, como diria o Sérgio Godinho, eu consiga recomeçar de novo.
Uma excelente sexta feira para todos.