Wednesday, September 28, 2005

Escócia

Começaram por perder o avião: excelente maneira de iniciar umas férias! Mas agora fica um episódio para contar, para sorrir.
Aterraram já tarde em Edimburgo e, depois de levantado o carro previamente alugado e de deixadas as bagagens no pequeno hotel (charmoso) rumaram a um pub. Para os nossos hábitos continentais fazia frio mas os escoceses, seguindo o calendário (afinal era Maio), estavam vestidos à Verão. Ainda hoje me arrepiam os tops que elas ostentavam. Tive frio por elas!
A Escócia foi percorrida em todos os sentidos, numa ânsia de viver e de absorver: estradas estreitas e a condução ao contrário fizeram-nos rir e foram memórias várias vezes recordadas. Mais até do que o castelo de Edimburgo, as verdes paisagens escocesas, as ovelhas e as vaquinhas. Mas não mais do que uma imensa turra que demos quando, olhando um rio, não nos apercebemos da nossa rota de colisão: vimos estrelas, como nos desenhos animados.

Eu sei

Eu sei que há coisas que não se escrevem em blogues.
Eu sei que há coisas que nem sequer se pensam.
Eu sei que há fome e miséria no mundo.
Eu sei.
Então porque não consigo sentir?

Nunca percebi!

O que se passará de noite para me deitar bem e acordar cheia de dores de cabeça?

Tuesday, September 27, 2005

Lembram-se das crónicas da Guidinha?

Tá a chover e a ficar escuro e aqui nem há o cheiro das castanhas assadas nem nada e estou com pouca genica para ir até ao ginásio ou então é a malvada daquela voz que não deixa a minha consciência fazer-se ouvir sim que eu em vez de ir fazer ginástica estou é para aqui a pensar em comer gelado bem enroscadinha no meu sofá com um livro à mão o comando da televisão à mão o telefone à mão e não pensem que sou preguiçosa e que nunca me levanto porque ponho tudo à mão mas a verdade é que ponho tudo à mão menos aquilo de que preciso e logo vos direi amanhã mas aposto que quando quiser começar a ler vou ter que me levantar para ir buscar os óculos e depois verificarei que tenho sede e lá vou ter que me levantar para ir beber água e depois vai tocar o telefone que não tenho ao pé de mim porque sempre me esqueço do télélé portátil e depois vou ter que ir fazer chichi e quando chega a hora da cama estou tão cansada que até parece que fui ao ginásio então até amanhã

Dilema

Torceu as mãos, passou-as agitadamente pelos cabelos, pelo que restava, pensou. Por momentos, a sua atenção desviou-se para os sinais de envelhecimento e teve que ir até ao espelho para que este reflectisse os músculos puxados no ginásio.

Patético, disse, sorrindo, agora falo com o espelho! Afinal de contas, não estou assim tão mal. A vida é minha, concluiu esforçado, sem verdadeiramente acreditar. Será?
Ou estarei a ser levado pela vida, que manipulei enquanto pude mas que agora me atirou para um remoinho imenso que me impele a mim e que salpica os que me rodeiam?
Não! Fiz as minhas escolhas. São minhas. Resta-me assumi-las.

E tudo o que ficou por fazer, o que começou e nunca acabou, o que nem chegou a começar, as esperanças que deixou morrer serão restos de si que um dia virão à tona. Mas hoje não os quer ver!

Vestiu o casaco, saiu de casa. Um dia, mais adiante na história, saberemos se o sorriso que ostenta não é o mais triste que já existiu.

Monday, September 26, 2005

Cinderella Man

Estou a gostar desta nova modalidade climática bruxelense: sol de dia, chuva de noite! Prático, porque não tenho que regar as plantas da varanda…
Menos prático quando se sai do cinema à noite!
No sábado, fui ver Cinderella Man sem saber do que se tratava (só tinha ouvido dizer que era bom). Acho que há muito não via um filme tão “stressante”: o homem ganha ou não? Sobrevive à grande depressão ou não?
No fim, fiquei espantada: então não é que no meio de tanta dificuldade todos os princípios e valores são respeitados? E como a história é verídica, reconfirmo a ideia, ultimamente abalada, de que há gente decente. Ainda!
E o meu anjo da guarda sorriu (acho eu. Pelo menos eu sorriria. Se fosse anjo da guarda, claro.) e mandou-me um resto de fim-de-semana acolhedor.

Alguém quer vir tomar café?

Friday, September 23, 2005

Fim de tarde

A sexta-feira encaminhava-se calmamente para o fim.

Noutros tempos seria um momento de reencontro com alguém, aquele ser escolhido em quem se aninhara confiantemente. Seria o momento de festejar o fim-de-semana, de encontrar amigos, de beber um tudo nada demais.

Seria o momento de deixar os olhos se perderem no outro com a certeza feita de infinito, de deixar a mente divagar em sonhos que se planeavam, em projectos que se sonhavam alicerçados em pilares de amor e ternura.

Seria o momento de tocar as mãos sem pressas nem receios, porque estavam ali, porque sempre estariam ali.

Hoje o sol põe-se por entre ondas de saudade e de tristeza: nada restou desses momentos de cumplicidade de final de tarde! A mão que se entende, hesitante, vai chocar com o vazio. Não chega a tocar… admitir esse vazio é a maior das provações. Não se sente com forças para o enfrentar!

Como disse?

Para ti

Final de um dia de trabalho. Depois de massacrar o corpo numa sessão de ginástica, nada melhor do que um relaxante banho turco e um agradável jantar com gente de que a gente gosta.
Dois dedos de conversa, trocas de ideias, projectos que ficam no ar! Cumplicidades que se tecem, sorrisos que se compreendem.
Conhecer pessoas é tão bom como ler livros: é descobrir coisas novas, ideias diferentes, experiências distintas.
E hoje já é sexta-feira! E dizem que o fim-de-semana se anuncia solarengo!

Thursday, September 22, 2005

Entendimento

Participar em reuniões com interpretação em várias línguas é um pesadelo. Entre o põe e o tira de auscultadores, perdem-se palavras, espessam-se as ideias.

Por muito bons que sejam os intérpretes (e aqui fica a homenagem a quem faz este trabalho que deve ser estoirante), acho sempre que há falhas na comunicação: cada um desenrasca-se como pode, as respostas tornam-se cada vez mais vagas, os discursos cada vez mais vazios.

Ontem participei numa reunião deste género que durou o dia todo.

E ainda estou a pensar na representante húngara, senhora de poderosos olhos verdes e de cabelo ruivo austeramente preso em carrapito, com trajes de advogada de sucesso e tiques de sucesso reconhecido, que nunca consigo entender. Os olhares que se cruzam na sala permitem-me pensar que todos passamos pelo mesmo. Respondo o melhor que posso e sei, consciente que estou do meu blá blá sem sentido. E ela sorri francamente.

Ainda não percebi em que língua me escuta. Ainda não percebi se o sorriso é de agradecimento ou porque percebe que eu estou a amontoar palavras sem nexo só para não ficar calada. Mas foi o mesmo sorriso com que socialmente trocámos palavras de ocasião durante uma pausa e o mesmo com que se despediu até à próxima reunião.

A Europa será possível assim?

Tuesday, September 20, 2005

Um dia

A morte é a única coisa certa da vida. Excepto para aqueles que da lei da morte se libertaram, como disse o poeta.

Mas nós, comuns mortais, seremos, um dia, pó, esquecidos da nossa existência quotidiana.

Até ao esquecimento final, seremos recordados pelos familiares e amigos: uns sê-lo-ão com sorrisos, outros com lágrimas: porque uns vivem tentando ser melhores, outros, com ou sem intenção, espalham tristeza e maldição.

Monday, September 19, 2005

Time in

"Losers make promises they often break. Winners make commitments they always keep."

Denis Waitley


Prometi que voltava e aqui estou eu! Tudo está preso com cordéis mas não faltam peças (ok, admito, algumas estão a precisar de bate-chapas e de camadas de tinta…)
Depois de algumas provas iniciáticas, fui admitida na categoria dos winners. Nem tinha outra hipótese: um loser será sempre um loser e eu por aí não vou.

Monday, September 12, 2005

Time out

Maus espíritos e pulhas terrestres sugaram-me as forças, destruíram-me os sonhos!
Bons amigos recolhem caridosamente bocados de mim, guardam-nos em gelo, para que não sejam devorados por leões maus.
Não lhes darei o prazer de me verem derrotada e um dia voltarei ainda mais forte.
Até lá, tenho que recolar pedacinhos de mim e esperar que as lágrimas sequem para que possa ver claramente o meu caminho.
Não se preocupem, o inimigo está identificado, as defesas reerguidas e os ferimentos não são de morte.
Só preciso de repouso.

Friday, September 09, 2005

Inquérito

A pedido da Brígida (desculpa o atraso da resposta) e da Ti aqui vão as respostas ao inquérito:

CINCO COISAS DE QUE NÃO GOSTO

Mentira porque estraga a vida de toda a gente. Mas parece que há pessoas que não sabem viver sem ela! Ou será que não sabem viver, tout court?

Estar fechada no gabinete quando lá fora está sol. Que desperdício!

Pensar que a vida é curta para fazer tudo o que gostaria de fazer.

O Inverno em Bruxelas.

Cheiro a suor.

CINCO COISAS DE QUE GOSTO BASTANTE

Ler. É o mundo que se abre à nossa frente, sem sairmos do sofá.

Viajar. Para conhecer novas cores, novos sabores, novos horizontes.

Estar com amigos (família são mesmo super-amigos), descobrir amigos novos e redescobrir amigos antigos.
Gelado, gelado, gelado e queijo.

Sonhar coisas boas, mesmo que as saiba irreais.

5 ÁLBUNS

Não sei responder a esta pergunta! Gosto de música suave, melódica, mas também de ritmos africanos e latinos, mas também de baladas francesas, mas também de fado…
Por outro lado, adoro o silêncio!

UMA MÃO CHEIA DE MÚSICAS

Também não sei responder a esta música! Depende do momento. Sou capaz de ouvir What a wonderful world durante três semanas e depois esquecê-la por três meses!

PASSO O TESTEMUNHO:

A quem quiser.

Thursday, September 08, 2005

It's an injustice, it is!

The world is not fair, and often fools, cowards, liars and the selfish hide in high places.

Bryant H. McGill

Monday, September 05, 2005

"No fundo, é isso, a solidão: envolvermo-nos no casulo da nossa alma, fazermo-nos crisálida e aguardarmos a metamorfose, porque ela acaba sempre por chegar."
August Strindberg

Pois é Luna. E por isso copiei a frase acima.
(Um beijo neste momento difícil).

Coragem

Está sol, não há trabalho urgente, "para ontem", na minha secretária, o computador não estava bloqueado com milhares de e-mails...admito que os elementos estão reunidos para me facilitar o regresso ao trabalho.
Agora só falta reconhecer que o passado não pode ser transposto para o presente: só pode ser vivido através das recordações...

Sunday, September 04, 2005

De volta!

Mas muito triste.
Beijos a todos