Monday, October 31, 2005

Transparências

A água do mar, por vezes, é tão transparente que parece que se vê tudo: os nossos pés em linhas difusas, as conchas reflectindo os raios de sol, os peixes vislumbrados entre a ondulação.
Depois, quando enfiamos a máscara e mergulhamos a cabeça no mar, vemos um mundo diferente, insuspeito visto de fora, vemos as cores brilhantes dos peixes mas também os corais mortos!
É que, por vezes, as transparências são uma ilusão.

Wednesday, October 26, 2005

Desculpem

O desabafo do post anterior!
Insultar o governo ainda vá, dizer mal do Cavaco já é habitual, não respeitar as passadeiras de peões é mau mas corrente, dizer mal dos outros é desporto de alguns...agora fazer chorar crianças não! Só uma besta quadrada mesmo!
E a partir de agora cinzento só lá fora (porque Bruxelas é mesmo assim). Aqui já não há paciência. Quando me esquecer disto, comentem, telefonem, e-mailem: zanguem-se que eu mereço!

Quadradas

O meu pai também dizia que havia umas pessoas que eram umas bestas quadradas!
Tinha razão o meu pai!

Tuesday, October 25, 2005

Vergonha

O meu pai diria que há pessoas que se tivessem vergonha pintariam a cara de preto!
E eu acrescento que há pessoas que, além de não terem pingo de vergonha, são tão sem imaginação que levam a uma previsibilidade irritante.
Que sensação de déjà vu...
Como não morrem de tédio é que me espanta!

Monday, October 24, 2005

Resumo

Eu podia falar da noite fabulosa de sexta respondendo a desafio lançado pela Nokas e que superou todas as expectativas: filme fabuloso do Wim Wenders, pizza em restaurante de ambiente africano (ou não estivéssemos nós em pleno Matongé, o little Congo de Bruxelas) recordações que atravessavam as gerações e os diferentes contextos dos presentes. Houve reencontros, canções das nossas saudades e muito riso. Grupo mais pequeno terminou a noite (melhor dizendo, começou o dia) em conversas mais intimistas intercaladas por passos de dança ao som de Angola e Cabo Verde.

Eu podia falar do pacato sábado cuja principal tarefa foi acabar de ler o livro do clube de leitura e onde o serão incluiu umas olhadas para a TV e uns telefonemas mais ou menos animados consoante o interlocutor.

Eu podia falar da “maison autrique” do arquitecto Victor Horta, exemplo sóbrio de Arte Nova do século XIX, que visitei ontem, ou mesmo do clube de leitura onde se discutiu “What I loved” de Siri Hustvedt (casada com Paul Auster, para tua informação).

Eu até podia falar dos momentos de tristeza e saudade que a chuva, o frio e o cinzento introduzem insidiosamente nas almas.

Mas não, não me apetece falar de nada disto. Porque passei o fim-de-semana a pensar no livro que acabei de ler e a achar que o “Mark” era alguém que eu conhecia e que, tal como o “Mark”, ele não se reconheceria! E isso é perturbador…

Aqui chove!

Friday, October 21, 2005

Votos

Façam o favor de ser felizes! O fim-de-semana está mesmo aí. Quase, quase. Apesar de muito cinzento. O tempo, quero eu dizer.

Esperança

Terá chegado o homem da esperança? Pelo menos não se resigna, tem imperativos de consciência e não se candidata contra ninguém.
Pelo menos é diferente!

Thursday, October 20, 2005

Anjo

O meu anjo da guarda descansou! O trabalho que lhe deu proteger-me dos demónios e diabos...
O substituto tem ainda pouca experiência mas é esforçado. Lá chegará!

Obrigada

Muito simpático e agradável o jantar de ontem!

Wednesday, October 19, 2005

Quem canta seus males espanta

Há pessoas que conseguem ter casas lindas e acolhedoras sem estarem decoradas com móveis caríssimos e sem terem tudo hiper arrumado como se ninguém vivesse nelas.

Há pessoas que acolhem as outras com simpatia e descontracção, como se sempre tivéssemos feito parte da casa e daquela existência.

Assim foi o meu serão ontem, com risos e palhaçadas.
Acabámos a cantar “Gente di mare” (alguém se lembra desta canção do festival da Eurovisão? – Italy four points, l’Italie quatre points!).

Tuesday, October 18, 2005

Ursinho

If Teddy Bears Ruled The World
If teddy bears ruled the world,
Oh my, what a wonderful place.
Everyone would be happy.
There would be a smile on every face.
We would picnic every Sunday
At our favorite old oak tree.
We would sing and dance and prance about,
Just playing joyfully.
We would all be nice to each other
And always lend a hand.Ready with a bear hug,
We would always understand.
We would all be happy when something nice
Happened for one of our friends
And our friendships would last forever.
Nothing would cause them to end.
We would be kind to everyone,
Not just those in our own home,
But to everyone throughout our world,
Wherever we may roam.
Yes, if teddy bears ruled the world,
What a wonderful life this would be.
Our hearts would always be happy
As we danced by the old oak tree.

Janis Miner

Mais um dia

É tudo o que eu quero: mais um dia! E depois outro, e depois ainda outro para um dia acordar feliz com aquele em que estou.
Quanto tempo falta?

Monday, October 17, 2005

Sem rima

Quando um poeta escreve a que impulso cede?
Escreve para os outros, para os maravilhar, para os fazer sonhar? Ou será que responde a uma necessidade básica de lançar ao mundo as palavras que ecoam dentro de si e que ele não consegue (já não consegue!) guardar em silêncio?
As palavras crescem no peito dos poetas e sem as dizer ele sofre, dor infinita e incompreendida (incompreensível?). Elas têm que sair, se não forem palavras, serão uma fotografia, um gesto, uma lágrima.

Saturday, October 15, 2005

Criação

Novo projecto em mãos!
Desta vez é coisa séria, a longo prazo.
Para que a vivência de outros, maiores e melhores do que nós, nos ilumine e impeça de nos centrarmos na imensidade da nossa pequenez.Porque quero olhar para trás (sim, tenho a coragem de o fazer) e ter a sensação de que fiz caminho e fazendo-o melhorei-o.
A quatro mãos começamos, com entusiasmo, a lançar as fundações. Tenhamos forças para levar o ânimo até ao fim porque a causa é nobre.

Friday, October 14, 2005

Descubra as diferenças

Em 23 de Março de 1981 a série “Yes Minister” descrevia assim a nossa Europa e eu nem me atrevo a fazer comentários!

Jim Hacker: "Europe is a community of nations, dedicated towards one goal."
Sir Humphrey: "Oh, ha ha ha."
Jim Hacker: "May we share the joke, Humphrey?"
Sir Humphrey: "Oh Minister, let's look at this objectively. It's a game played for national interests, it always was. Why do you suppose we went into it?"
Jim Hacker: "To strengthen the brotherhood of Free Western nations."
Sir Humphrey: "Oh really. We went in to screw the French by splitting them off from the Germans."
Jim Hacker: "So why did the French go into it then?"
Sir Humphrey: "Well, to protect their inefficient farmers from commercial competition."
Jim Hacker: "That certainly doesn't apply to the Germans."
Sir Humphrey: "No no, they went in to cleanse themselves of genocide and apply for readmission to the human race."
Jim Hacker: "I never heard such appalling cynicism. At least the small nations didn't go into it for selfish reasons."
Sir Humphrey: "Oh really? Luxembourg is in it for the perks; the capital of the EEC, all that foreign money pouring in."
Jim Hacker: "Very sensible central location."
Sir Humphrey: "With the administration in Brussels and the Parliament in Strasbourg? Minister, it's like having the House of Commons in Swindon and the Civil Service in Kettering."

Bichinho madrugador

Isto de uma pessoa se levantar às 6h da manhã, prolonga o dia mas castiga as pálpebras!
Acham que posso ir tomar um segundo pequeno almoço?

Wednesday, October 12, 2005

Escrito por elas

Muito interessante uma série de posts sobre os blogues femininos vs masculinos para ver aqui.
Estou de acordo, em traços gerais, com o que é dito! Sobretudo quando menciona uma certa volatibilidade das mulheres, capazes de súbitas mudanças de humor e de escrever sobre sim e sobre não, com um sorriso ou em lágrimas!
Porque assim é a vida, acho eu! A nossa busca da felicidade tem espinhos e as mulheres não têm medo de dizer ai. Certos homens se calhar também não. Outros acharão que o ai lhes retira potência!
Mas se todos fossemos iguais o mundo era monótono.

E alegre se fez triste

Que fios tristes da vida se quebram quando amigos deixam de o ser?
Que fenómeno químico se produz quando alguém apaga o passado para dele retirar factos e pessoas, apagar alegrias e negar entendimentos?
Que força poderosa leva a que amizades anteriores sejam transformadas em actos agressivos que fazem mal, muito mal, um mal gratuito mas certeiro?
Que mão maquiavélica destrói, a frio e sistematicamente, o que a amizade havia construído?
Que espírito doente conclui que afinal nada existiu, que permanece cego ao que de bom houve, em negação mentirosa e injusta?
Em que recanto da alma se armazenam as mágoas? Ou serão essas pessoas destituídas de alma?

Como Ulisses te busco e desespero
como Ulisses confio e desconfio
e como para o mar se vai um rio
para ti vou. Só não me canta Homero.
Mas como Ulisses passo mil perigos
escuto a sereia e a custo me sustenho
e embora tenha tudo nada tenho
que em te não tendo tudo são castigos.
Só não me canta Homero. Mas como U
-lisses vou com meu canto como um barco
ouvindo o teu chamar -- Pátria Sereia
Penélope que não te rendes -- tu
que esperas a tecer um tempo ideia
que de novo o teu povo empunhe o arco
como Ulisses por ti nesta Odisseia.

Manuel Alegre

Monday, October 10, 2005

Para não dizerem que não falei

As eleições são assunto obrigatório. Afinal não é todos os dias que um país elege uns “magníficos” independentes porque o povo assim o quis.
O que fazer? Encolher os ombros e ir buscar outra bebida? Rir com os comentários jocosos dos amigos? Fingir que não é nada connosco e que só estamos ali pelo convívio?
Acho que ontem estávamos, não obstante o bom humor, meios abananados.

O futuro que não teve

Em tarde de festa, ontem, tive a oportunidade de conversar com uma senhora de passado rico de experiências. Contou-me a história de um cunhado assassinado por lutar por um ideal. Coisa estranha nesta nossa Europa materialista. Foi há menos de vinte anos, foi portanto recente, e contudo é uma ideia tão longínqua: morrer por uma causa não pertence à nossa época nem ao nosso continente.
Fiquei triste pelo episódio em si mas não parei de pensar na sorte que poderá ser acreditar assim num sonho, em valores. Que bom deve ser acordar com a certeza do caminho que se faz, mesmo que esse caminho seja difícil, tão difícil que conduz à morte.
A distância do relacionamento pessoal, que me permitiu alimentar o retrato do herói, foi abruptamente reconhecida quando essa senhora me diz “uma pena, deixou filhos pequenos por causa de um ideal! O meu marido nunca compreendeu esta vontade de arriscar até ao fim e ainda hoje chora o futuro que o irmão não teve”.
O sol está a sorrir-me pela janela, o fim-de-semana foi intenso e a filha desta senhora é minha amiga.
Vamos lá lutar pelo futuro que ainda podemos ter.

Sunday, October 09, 2005

Vivement lundi

Cinema (desta vez foi o « A Good Woman) e conversa até as tantas!
Estágio de dança africana (senegalesa) ao som dos tambores (sobrou a vontade de aprender mais).
Ajuda a uma amiga que prepara a sua mudança para a capital da Europa (estou felicíssima por a ter aqui).
Tentativa de compras em lojas de roupa (desta vez não encontrei o que queria.). Para compensar eu e uma amiga fomos comer um gelado (o último da época, segundo ela, porque começa a fazer frio).
Festa “Black and White” para afogar o cérebro em música alta, fumo de cigarros e, desta vez, sumo de laranja (ia conduzir!).
E muitos remorsos porque estou demasiado atrasada na leitura de um livro que vai ser discutido no meu clube de leitura já no fim-de-semana que vem.
E ainda só hoje é domingo! Que cansaço.

Friday, October 07, 2005

Bewitched

Lembram-se da feiticeira que abanava o nariz, a preto e branco, na televisão há muitos anos?
Não me lembro do nome da actriz que fazia de Samantha (a Madalena sabe decerto!) mas ontem ela era a Nicole Kidman…
Pois, foi dia de comédia romântica para descansar o cérebro e afagar o coração. E só nessas condições é que vale a pena ir ver (ou então se não se resistir à beleza da Nicole Kidman, claro).
Porque o melhor da noite foi mesmo o convívio que se seguiu!

Thursday, October 06, 2005

Tenho que contar

No café, uma amiga portuguesa disse isto:

"Está mesmo um dia de vinda de D. Sebastião".

A espera continua.

Mais cinzento é difícil.

Bruxelas acordou (ou ainda não porque está tudo meio estremunhado) sob cinzento manto de nevoeiro, daquele que ilude as cores e abafa os sons.
Bruxelas está uma cidade em câmara lenta.
Numa tentativa de iluminar a alma aumentei o som do rádio e repeti Nkosi Sikelele Africa até à exaustão (para quem não saiba, é um cântico religioso africano que foi usado pelo ANC e é agora o hino da África do Sul). Fui alternando com a Malaika (outra canção africana). E parece que resultou! Espero que a máquina se digne a dar-me um café (tem andado de mau humor nos últimos dias e cospe qualquer tipo de moeda que lhe tentemos dar!).
Nkosi Sikelele Africa+Malaika+café e estou preparada para um dia de trabalho que se afigura complicado e longo.

Wednesday, October 05, 2005

Soirée

Ontem fui ver uma ópera moderna.
“Thyeste” de Jan van Vlijmen inspira-se na peça de teatro de Hugo Claus que por sua vez adapta a obra homónima de Séneca.
A única palavra que encontro para descrever o espectáculo é: brutal! A história, em si, é sinistra, a música demasiado pouco melódica para o meu gosto e a encenação feita de cores decididas, sem quaisquer nuances, em cima de um palco praticamente nu.
A violência da ópera serviu de tema de debate para o jantar que se seguiu. Ficou a pergunta: é o mal uma característica intrínseca do homem, que se pode disfarçar mas nunca aniquilar?

Monday, October 03, 2005

Título fantástico

Este escritor escocês é fabuloso, prolífero e com muita imaginação. Eu adoro-o. Vejam lá se não tenho razão:
PROFESSOR DR MORITZ-MARIA VON IGELFELD often reflected on how fortunate he was to be exactly who he was, and nobody else. When one paused to think of who one might have been had the accident of birth not happened precisely as it did, then, well, one could be quite frankly appalled.

“Portuguese Irregular Verbs”, Alexander McCall Smith
Repararam no título do livro?

Para falar de flores

“Broken flowers” é um filme que dá que pensar. Toca um tema sério fazendo-o de forma ligeira, sorridente mesmo, mas sem cair no facilitismo das moralidades ou das críticas de costumes estereotipadas. O ritmo lento permite-nos seguir o enredo sem stress nem sobressaltos e consegue a proeza de ser lento no justo ritmo. Mais lento e seria demais! Na minha modesta opinião claro.

Saturday night fever

Eu nem sabia que havia « péniches » no canal de Bruxelas (não sei como se chama um barco deste tipo em português: confesso a minha ignorância em matéria náutica!).
E fiquei a saber que os havia da melhor maneira, numa festa que durou até às tantas, em ambiente latino (que os belgas adoram) apesar do tempo bastante “local” que se fazia sentir (chuva e frio…).
Entre mojitos e passos de salsa passei uma excelente soirée.
Há tanto tempo que não dançava!