Tuesday, January 31, 2006

Impulso

Juro que se não fosse o frio lá fora e o facto de já estar de pijama, saía para ir comprar gelado...

Lido na blogoesfera

Divinal.
Cheguei lá via Ma-Schamba.

Batota

O sono de ontem não me deixou acabar o livro. Decidi fazer batota e trouxe-o comigo.
Entre dois tijolos que coloco para construir a Europa hei-de ter tempo para chegar ao fim.
Enquanto o cimento seca!
Não digam nada a ninguém

Monday, January 30, 2006

Percursos

Está frio. Um vento cortante.
Enrola um cachecol ao pescoço, veste o casaco que aperta cuidadosamente. Puxa a gola para cima.
Verifica que tem nos bolsos o que precisa.
Procura as chaves de casa.
Pega nas luvas.
Na rua, acende um cigarro, que vai fumando devagar.
Como vagarosos são os seus passos, sem destino, sem objectivo.
Acabado o cigarro, esmaga-o com o sapato, calça as luvas, mete as mãos nos bolso e parte em direcção a lado nenhum.

Munique

Fui ver o filme.
Baseado em acontecimentos de que tenho vaga memória, devido à minha pouca idade na altura, o filme faz-nos deseperar de alguma vez se conseguir a paz naquela parte do mundo.
Simples espectadores não conseguem deixar de se posicionar ora pró Israel, or prá Palestina. Se cala assim tão fundo em nós, o que dizer daqueles que sentem as coisas na pele?
Espanta-me sempre ver a força do ódio!

Saturday, January 28, 2006

Música

Vou ter que falar de Mozart.
Por causa da efeméride.
Por causa da música.

Agora vou levar um CD para o carro, sorrir para os transeuntes gelados e não me enervar com os demais condutores...

*E a minha obrigação é especial porque sou da promoção Mozart do Colégio da Europa.

Friday, January 27, 2006

Meteo

O zero positivo de ontem transformou-se em decididos seis negativos hoje!
Tenho o pressentimento que vou viver como uma toupeira entre edifícios, garagens e carros!

Thursday, January 26, 2006

You've got mail

Adepta que fui (e em teoria ainda o sou, mas já pratico pouco) das cartas, sempre achei que nada as poderia substituir. O telefone não, decerto!
E os e-mails?
Descobertos como instrumentos de trabalho, penso agora que têm um potencial imenso.
Gosto quando a troca de e-mails se faz em sucessão contínua, a substituir um diálogo. Pequenos textos, cheios de auxílios gráficos (que ajudam a dar o tom), para combinar uma ida ao cinema, para fofocar, ou comentar as últimas eleições.
Guardam do meio epistolar a ânsia com que se aguarda a chegada de mais um. E do mesmo modo, permitem-nos ler e reler, voltar a eles uns dias mais tarde para recordar, para sorrir de novo.
Os e-mails dão-nos também tempo para pensar, para não dizer baboseiras da boca para fora, como se faz, por vezes, ao telefone.
Comprometem-nos! Claro! Está escrito. Ficou gravado.
Ficam à mercê de um save ou de um delete, como as cartas podem ser guardadas ou rasgadas.
Podem ser pessoais, pessoalíssimos, de amor ou de ódio, de ternura ou humorísticos.
São bocadinhos de nós que mandamos! Mais rápido do que por carta, mais long lasting do que os telefonemas!

Optimismo

O termómetro que eu habitualmente vejo quando venho para o trabalho, anunciava hoje de manhã que a temperatura era de +0.
Zero positivo? Oxalá não desça a zero negativo...

Wednesday, January 25, 2006

Pontos de vista

As luzes foram reduzidas. Ao longe, no hall, ouviam-se ainda resíduos de vozes, pessoas que sem pressa deixavam o teatro, combinando encontros para acabar a noite, discutindo a peça a que haviam assistido.

Nos bastidores arrumavam-se os cenários, os adereços eram preparados para a próxima representação, os artistas retiravam a maquilhagem, vestiam os seus trajes de gente normal.

Na grande sala, depois de uma rápida vista de olhos para ver se nada havia sido esquecido, as luzes foram apagadas, as portas fechadas à chave.

Pouco a pouco, também os camarins se esvaziaram.

Da peça, que acabara em apoteose com os espectadores aplaudindo de pé, já só restavam memórias: que traziam sorrisos a quem a viu e cansaço a quem já a representou várias vezes e continuará a fazê-lo até ao final da época.

Tuesday, January 24, 2006

No corredor

Cruzei-me com uma amiga.
"Acabei de fazer um teste de língua finlandesa"

Vinha com cara de tragédia grega!

Entre reuniões

E ao mesmo tempo que almoço!

Um representante da Polónia chegou atrasado à reunião porque o avião saiu atrasado de Varsóvia. Motivo: 25 graus negativos!
Moral da história: construir a Europa era muito mais difícil se têm decidido começar pela Polónia...

Ainda acabo os meus dias de funcionária a dizer bem do comunismo!

E venha a próxima!

Acabada uma reunião, seguimento dado a assunto urgente, dossiers preparados, siga a próxima reunião...
Hoje são quatro, assim, umas a seguir às outras!
Quando era mais pequenina achava-me importante por ter tantas reuniões...
Agora nem por isso!
Talvez volte.

Reunamos!

Quando se tem um director luxemburguês, a quem o frio não incomoda e para quem a Europa é a salvação (coitado do Luxemburgo se não fosse a União Europeia!), as reuniões começam às 8h45.
Pela fresquinha para ter as ideias arrefecidas.
E eu que nem dei por engolir o café…
Talvez volte.

Monday, January 23, 2006

Clichés

Lá fora está frio e escuro.
Final de segunda-feira.
Só apetece enfiar um pijama confortável, enroscar no conforto de uma manta fofa, colocar uma musiquinha suave, preparar uma taça de frutos secos e ler.
Mas como estou numa de contrariar clichés, vou até ao ginásio!

Fugiu!

O visitante da Polónia fugiu!
Snif, snif...

Polónia?

Estas coisas giras que a minha mana colocou no blogue deixam-me intrigada!
Quem me visita da Polónia? (É que no Brasil sempre falam português!)

Será desta?

Que o país muda de rumo e acerta o passo?

Saturday, January 21, 2006

Dever cívico

A primeira vez que votei senti-me grande, importante, responsável pelo futuro do país.
Foi no tempo em que os resultados demoravam uma eternidade a sair, ficava-se acordado noite dentro.
Depois tudo evoluiu e chegou uma altura em que ainda não tinhamos acabado de contar os votos na nossa secção e já o país sabia os resultados nacionais devido às sondagens à boca das urnas.
Fui-me embora e tudo se diluiu.
Amanhã votarei por dever. Já não por prazer.
Espero votar bem!

Friday, January 20, 2006

Quadro

Três silhuetas, ao fundo, no lado esquerdo. Em azul … preto? … aproxima-se, talvez azul muito escuro. Parece que estão suspensas no ar, ou no céu! À direita, em plano mais baixo, um conjunto estilizado de casas. Percebem-se janelas, advinham-se portas, mas só ao longe. De perto, é mais um amontoado de cores. Sim, porque aqui sobressaem tons mais vivos. Olhando melhor, o azul é mesmo predominante. Curioso, de repente parece que são os amarelos e os vermelhos que dominam! Como os sentidos se podem enganar!
Sentou-se.
Centrou o olhar nas silhuetas.
Há movimento, mas disperso. Imaginaria que as silhuetas se dirigiriam para as casas…estranho! Parece que não. A silhueta do meio abre-se num gesto de desespero, com a mão de dedos muito abertos, o tronco arqueado, a cabeça atirada para trás. A da direita, pelo contrário, tem curvas arredondadas, transmite uma sensação de paz, de aconchego. A própria textura é mais lisa, como se o pincel tivesse deslizado mais suavemente, sem indecisões nos traços. A silhueta da esquerda é misteriosa, não deixa transparecer nada, é uma mera silhueta, sem vida, sem dimensão. Talvez para dar mais relevo às outras duas.
O fundo do quadro, em azul diluído, foi feito a grossas pincelada sem procurar uniformidade. Talvez marcando caminhos, indicando direcções
Terá que voltar. O quadro não o deixou indiferente.

Thursday, January 19, 2006

Toque de cor

Atravessou a estrada, cruzou mendigos e gente apressada, desceu a escada para o Metro, entre gente sem sorrisos, leu os títulos dos jornais sem prestar atenção ao conteúdo, encolheu-se da chuva miudinha e bebeu um café para aquecer.
Caminhou até perder as pessoas, deixou para trás o movimento da cidade, pisou as veredas enlameadas do parque e procurou.
Mas não havia nem uma flor!

Wednesday, January 18, 2006

Desafio

Como fotografar o vento?

Monday, January 16, 2006

Jazz

Calças pretas, túnica preta, cabelo a puxar para o grisalho, uma mistura indecifrável de raças!
Agradeceu os aplausos com um sorriso tímido (tímido? Não, talvez não. Era mais um daqueles sorrisos de quem encontrou neste mundo paz e serenidade) e com as mãos juntas à altura do peito.
Tocou. Iluminado em tons de amarelo e laranja, só isso, sem mais adornos.
Os dedos dançavam sobre as teclas em movimentos sempre fluidos mesmo quando o ritmo se agitava e o corpo cedia ao entusiasmo. Por vezes a música empurrava-nos a cabeça contra o encosto da cadeira e forçava a mente a divagar por espaços perdidos. Alguns olhos fecharam-se, alguns rostos distenderam-se. A música brincava agora com os dedos dos espectadores que distraidamente tamborilavam nas pernas.
Música sem compassos de espera, tudo tocado de uma vez só.
Mais melódica a primeira peça, mais ritmada a segunda!
Com acordes que remetiam para algo e logo a mente partia em busca de tais lembranças. Era de novo puxada para o palco por um conjunto de notas repetidas. Outros acordes pareciam momentos de espera, a pedir que os esquecessem e que olhassem para os braços do pianista que se cruzavam e descruzavam, para o pé esquerdo que, por vezes, batia o ritmo.
De nenhuma das vezes anunciou o fim. Que, portanto, chegou de mansinho, de surpresa. E houve uns momentos de pausa até aos aplausos.
Ele agradeceu de novo, do mesmo modo. E saiu de cena com as mãos juntas à altura do peito e com o sorriso em paz.

Friday, January 13, 2006

Sexta 13?

Onde estão todos?
Deve ser por ser sexta 13 que ninguém, ou quase ninguém, se atreve a sair.
Se calhar também eu devia ter ficado recolhida, ao abrigo de potenciais vírus que acordem às sextas 13.
É que nem sei se sou corajosa ou inconsciente!

O Lidador

Há algum tempo que não sentia esta urgência em combater o sono para acabar um livro! Aliás, muito pelo contrário…livros há que são uma versão mais “literária” do Xanax.
E se hoje estou com olhos de quem esteve na farra pela noite dentro, foi por causa do “Cavaleiro da Águia” e por causa de Fernando Campos.
Romance histórico (eu adoro romances históricos) sobre a vida de D. Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, mas também sobre os cristãos e os mouros na península Ibérica, mas também sobre um cronista e sempre na expectativa de ver aparecer D. Afonso Henriques.
No fim, concluí que quem sabe escrever sabe escrever e que eu sei pouco daquele período da história ibérica, onde as fronteiras eram linhas flexíveis ao sabor da sorte e do azar das guerras e alianças.
Novas alianças conduziram Portugal a esta União onde agora se encontra. Quem é o novo Lidador?

Thursday, January 12, 2006

Cinismo também é...

Quando nos dizem "Bom dia" depois de uma noite demasiadamente curta devido a um serão demasiadamente longo!

Cinismo é...

Quando nos dizem "Bom-dia" e pela janela só entram reflexos cinzentos e húmidos de temperaturas abaixo dos 5°C!

Wednesday, January 11, 2006

Mudar de tom

A vida é bela!
That's it.

Não é mesmo fair!

Ensinaram-me a ser responsável e a cumprir os meus deveres.
Ensinaram-me a fazer o melhor possível no cumprimento desses deveres.
E assim faço!
Resultado, em vez de um horário normal, nine to five, e de ir para casa fazer as minhas coisinhas, dão-me dossiers de primeira prioridade (e, por este andar, comprimidos para não dormir) a bem da construção da Europa.
Bolas, com tantos livros para ler, filmes para ver, ginástica para fazer, férias para programar, enfim, vida para viver!

Resignação

Um colega britânico, fazendo jus à conhecida fleuma do seu povo, nunca se enerva, com nada.
Contrapus, "como não te enervas? Não vês que o que te fizeram não é fair?"
Responde-me com o mesmo ar de sempre, "The world is not fair! Never was! Your mistake is to think that the world is fair".
Ok, não será. Mas devia ser, não devia?
Well, probably!

Tuesday, January 10, 2006

Insondáveis

Os desígnios de Deus são insondáveis.
Mas eu morro de curiosidade!

Sunday, January 08, 2006

A carregar

Estive sentada ao sol.
Mas desconfio que não há preparação possível para o regresso ao cinzento...

Friday, January 06, 2006

Fascinante

Confesso que me encantam as lojas dos chineses.
Sobretudo porque têm lá coisas que eu ignorava precisar antes de as ver! Mas, depois de saber que existem, como viver sem elas?
Digam-me lá como se tem qualidade de vida sem um telefone que também é candeeiro e que, para alegrar o lar, tem uns peixinhos de plástico que dentro de água verdadeira (aqui está o truque...) nadam dançando ou dançam nadando para que o telefonema não se torne aborrecido?
Como resistir a comprar uma espuma de banho quase sem preço e aproveitar o dinheiro que se poupou para comprar um bibelot em forma de dama antiga que, se se reparar bem, tem uma luz para realçar as flores que transporta num cestinho feito de palhinha?
E porque não uma espada de samurai que fica absolutamente o máximo em cima de qualquer lareira que se preze?
Entretanto, poupa-se tempo (que é dinheiro, como se sabe) porque, de uma só vez, se compra também papel de cozinha, uma extensão eléctrica, fita cola, brinquedos para as crianças, verniz para as unhas, chinelos de quarto, roupa interior, calças de ganga, uma touca para a piscina, um relógio porque àquele preço não vale a pena substituir a pilha do outro e uma trotinette eléctrica para chegar a casa depressa...

Dia de Reis

Alguém partilha comigo uma fatia de bolo-rei?

Thursday, January 05, 2006

Bolas

Um ano novinho em folha e já está tudo torto!
Iraque, Israel e tutti quanti...
Cada vez me convenço mais que a mensagem de Jesus Cristo (amai-vos uns aos outros...) é impossível, mesmo que se tente sinceramente.
:-(

Tuesday, January 03, 2006

Caminhos reencontrados

Cruzei as ruas do meu bairro, a pé, repetindo passadas feitas tantos anos antes.
Quando ia a para a escola. Depois para o liceu.
Fiz idêntico percurso, atravessando por cima da relva nos mesmos locais, reconhecendo os prédios, as praças.
Tomei café e retomei o caminho como se não tivessem passado tantos anos.
Apesar das melhorias feitas, ainda me reconheço em casa nas ruas do meu bairro.