Friday, March 31, 2006

Crónica de Bruxelas 3

Sexta à noite é sexta à noite.

Aí como aqui!

Nem o frio, nem a chuva afastam as pessoas de gozarem o princípio do fim-de-semana.

Convém uma certa preparação prévia se se quiser ter a certeza de encontrar mesa no restaurante da moda ou se se quiserem evitar longas filas para o cinema.

De resto, o espectáculo é idêntico ao de muitos outros sítios: muitos carros, estacionamentos caóticos, grupos barulhentos, gente nova, gente menos nova, gente gira.

Uma das vantagens do clima bruxelense (juro que nunca pensei que um dia iria dissertar sobre as "vantagens" do clima de Bruxelas!) é que as estações do ano são claramente distintas pelo que a época das esplanadas tem um princípio e um fim (e um meio também, como é óbvio, mas para esta crónica isso não interessa nada).

Agora que o bom tempo se aproxima (wishful thinking) um dos bons sítios para celebrar a sexta à noite é a Place de St Gery.

Centrada nos Halles Saint Gery, hoje um café agradável e um local de exposições, esta zona está repleta de cafés, bares e restaurantes, mais música ao vivo, menos música ao vivo.

Há de tudo para todos os gostos.

Entremos, por exemplo no Le Mappa Mundo, café-bar de dois andares, todo em madeira e ferro forjado, balcão corrido com copos pendurados de cabeça para baixo.

Nada melhor para sacudir a "belguice" que nos vai impregnando com o passar do tempo, do que dar um pulo até lá, para beber uma caipirinha ou um mojito a fingir (é isso, parte da nossa vida aqui é a fingir!) que estamos "ailleurs".

Um dia, noutra vida que aqui vivi (a minha vida, como a lua, tem fases), fui até lá, num final de tarde quente e abafado.

Vencida a primeira dificuldade que foi, e é sempre, estacionar o carro, instalei-me na esplanada, segunda fila, debaixo do toldo.

O intenso calor (sem liberdade poética, porque aqui pode fazer muito calor…um ou dois dias por ano!) tinha trazido para a rua os tops de alcinhas, os calções e as sandálias e a vontade de beber cerveja fresca.

Calor abafado, daqueles que sabem a trovoada.

O céu começava a carregar-se de nuvens plúmbeas e as cabeças levantavam-se analisando a situação. Pelo saber da experiência feito, as capotas dos cabriolets foram fechadas porque vale mais prevenir do que remediar uns assentos encharcados.

Três gotas grossas, chuva redonda e cheia, anunciaram a tempestade. O céu desfez-se em bátegas de água, os raios cruzaram, luminosos, o manto nebuloso e os trovões impuseram silêncio à natureza. Cheirava a calor molhado, a terra antes sedenta.

Nas esplanadas, as cadeiras recuaram, as mesas rearranjaram-se, mas ninguém se foi embora.

As cervejas continuavam a sair, mas eram bebidas sem palavras, em intensa observação destes fenómenos "tropicais" da natureza.

Foi breve.

O céu limpou, a atmosfera acalmou-se, o barulho retomou o ambiente do café.

Os únicos que ainda se preocupavam com a chuva eram os empregados que tentavam esvaziar o toldo, feito para o sol, de toda a água indevida sem molharem, ainda mais?, os clientes.

Thursday, March 30, 2006

Chuvada

Há pouco, o barulho da chuva a bater nas janelas era tão ensurdecedor que me custava a ouvir o meu pensamento.

Eclipse

Ouço notícias de um eclipse solar!
Entusiasmadas e entusiasmantes.
Grande coisa.
Ele aqui eclipsa-se quase todos os dias! E a maior parte das vezes é mesmo um eclipse total.

Será falta de hábito?

Quando chove, os belgas a conduzir parecem parvos.

Wednesday, March 29, 2006

É que não posso! (3)

As pessoas que têm a mania que são superiores aos outros deixam-me doente.
Sobretudo quando o não são!

Quarta-feira

Acordou sem vontade.
Com a chuva a bater nos vidros.
Já não era noite, ainda não era dia. Aquele bocado do tempo em que tudo está por decidir.
Sentia-se demasiado pesado e a ideia de que tinha que repetir, hoje outra vez, hoje de novo, os mesmos gestos de ontem e de amanhã, desgostou-o.
Fechou os olhos e fingiu que não tinha acordado.
Era um sonho, com chuva a bater nos vidros, com as paisagens desoladas e planas que vira no cinema na véspera.
O despertador tocou.
Silenciou-o!
Tarde demais.
Sabia que estava acordado, agora sim.
Quando saiu de casa cumprimentou o vizinho com um sorriso.
Não valia a pena dizer-lhe que estava acordado sem vontade!

Tuesday, March 28, 2006

Ainda o Simplex

Genial!

Simplex

Mas alguém acredita num programa do governo que se chame Simplex?

Monday, March 27, 2006

Vivemos para quê?

Perguntava hoje um padre quando nos reunimos para nos consolar/apoiar/resignar do choque da notícia.
Tinha 41 anos e, diga-se o óbvio, muito ainda para viver.
Dizemos nós.
Mas não foi assim.
Quando a notícia chegou, via e-mail, silencioso, devastador, as interrogações sairam da nossa alma e perguntaram-se "Porquê?".
A resposta nunca a saberemos.
E, segundo o Padre, nem é a pergunta certa para fazer.
Olhe cada um para dentro de si e perceba para o que vive, acrescentou!
Neste momento percebo pelo menos a urgência de viver!
E agora vou rezar por ele. Para que interceda por mim, por nós.

Crónicas de Bruxelas 2

Não há centros comerciais em Bruxelas.

Isto é, há zonas comerciais cobertas, quase, quase como os nossos centros comerciais, mas que funcionam com os normais horários de funcionamento de todas as demais lojas.

O que fazer então aos domingos? (Pergunta que só os portugueses podem entender.)

Um dos meus passeios preferidos é ir até ao Sablon e ao Jeu de balle para ver as antiguidades e as velharias.

A zona, entre o Palácio de Justiça e o Palácio Real, arquitectonicamente rica e humanamente variada, começa na Place du Sablon, encimada pela magnífica Igreja de Notre Dame du Sablon e adjacente ao adorável jardim do Petit Sablon (não é que os nomes sejam muito variados, admito!).

Aos antiquários da praça do Sablon vai-se para ver e ser-se visto.

E não deixa de ser engraçado observar como se comporta uma sociedade de importâncias estanques. Consoante as nacionalidades expressas em diversas línguas, assim se espantam os cidadãos. Passo, sem dúvida indiferente, pelo conde local, que não sei quem é, mas o meu coração sobressaltava-se quando via o António Capucho (pronto, isto era só um exemplo, parem lá com os sorrisinhos matreiros! Ele já nem sequer está cá...).

Giro é também observar como as nacionalidades não se distinguem só por traços genéticos mais ou menos estereotipados (os nórdicos são louros e os latinos morenos!) mas também por uma presença distinta, no porte e na roupa, que, por exemplo, claramente nos distingue de nuestros hermanos. Ou eles de nós! Ressalvadas as devidas excepções que sempre existirão na vida e em tudo!

Saindo desta praça, em direcção à Rue Haute e à Rue Blaes deixamos para trás a "nobreza" para pisarmos terrenos da burguesia, sobretudo estrangeira, que procura, quiçá a preços mais módicos, aquela peça diferente para colocar em casa.

Burguesia estrangeira? Sim, a integração de várias culturas num mesmo espaço é uma utopia. Elas co-existem, paralelam-se, tocam-se inclusivamente, mas não se integram. Até para não se perderem…mas isto já são outras águas que não vou navegar agora.

São portanto poucos os belgas que cirandam por aqui.

Os belgas resolveram abandonar (e juro que não sei se este verbo é o correcto porque há quem defenda o uso do verbo expulsar) esta área deixando-a assim nas mãos de outros cidadãos europeus. Tema delicado e sensível este que não penso sensato abordar aqui e agora.

Compreendido o espaço em que estamos, entendido o contexto para nos sentirmos à vontade, resta-nos caminhar até ao Marché aux Puces onde se pode encontrar de tudo como é próprio de qualquer feira da ladra que se preze.

Vasculhem nos caixotes, observem com atenção os objectos espalhados sem ordem nem preceito em cima de panos pousados no chão, aprendam as técnicas de negociar com marroquinos. Para casa poderão trazer peças africanas, brinquedos de outros tempos, louça antiga, quadros e fotografias de épocas idas que ali foram parar sem nome nem família…

Um dia peguei numa cabeça de preta, madeira pesada, traços lindos.

Que eram 25€, porque era uma peça excelente, rara mesmo, nunca vista, adjectivos que iam aumentando perante o meu ar pouco convencido e nisto surge a falha nas negociações, é madeira que nunca parte, pode até cair, e eu mostro uma racha que atravessava a cabeça verticalmente de alto a baixo e pouso a cabeça no chão, desinteressada. Quanto é que quer dar, perguntam ritualmente, 5€, digo em jeito de encolher ombros. E hoje ela lá está na minha estante!

E no regresso a casa, não se esqueçam de tomar um chocolate quente no "Wittamer" ou de gozar o raro sol de Bruxelas bebendo um sumo de laranja no "Au vieux St Martin".

Sunday, March 26, 2006

É que não posso! (2)

Fico possessa com as pessoas que, como quem não quer a coisa, assobiando baixinho, se metem à sorralfa nas filas.
Acharão que somos todos parvos?

Saturday, March 25, 2006

Decisão

Chove!
Vou fingir que é Primavera e começar uma dieta de Verão.

Friday, March 24, 2006

Pontos de vista

Perante isto apetece-me dizer que a verdadeira divisão da blogosfera é entre blogues que se maquilham sempre, blogues que nunca se maquilham e blogues que se maquilham às vezes.

Tolerância?

"Linhas paralelas nunca se encontram a não ser que uma, ou ambas, se curvem" (recebido por e-mail)

Reflexão

"Imagination is more important than knowledge" - Albert Einstein
Curiosamente, lido num documento de Parlamento Europeu. Curiosamente ou talvez não!

Thursday, March 23, 2006

É que não posso!

Uma coisa que me irrita particularmente é o toque que os telefones Nokia trazem de origem.

Crónicas de Bruxelas 1

Bruxelas tem, quase inevitavelmente, zonas agradáveis e outras nem por isso. Claro que tudo isto é muito subjectivo, porque pode haver quem goste de viver num sossegado bairro residencial, de casas e jardinzinhos com o carro à porta, como pode haver quem opte pela desinquietação de zonas mais comerciais, percorridas por autocarros e bem servidas pelo metro.

Mas a visão objectiva também é aplicável porque ainda há em Bruxelas zonas degradadas (que a cidade se esforça, visivelmente, por recuperar) e outras cuja "casticidade" não é recomendável mas atiça a curiosidade (quem ainda não visitou o red light district das meninas nas montras que atire a primeira pedra)!

Ora, eu vivo numa zona simpática de Bruxelas!

Sou capaz até de já ter dito isto porque a idade não perdoa e dou por mim a repetir-me mais do que gostaria.

Mas a sério, vivo num bairro onde é possível juntar a dimensão residencial, à comercial e à cultural, onde é possível percorrer livrarias no sábado de manhã, comprar uns trapos no sábado à tarde, ir ao cinema no sábado à noite, jantar e tomar um copo pela madrugada adentro, ir ao mercado da fruta no domingo de manhã e tomar um café (tragável, sublinhe-se) no domingo à tarde.

Além disto, é um bairro multi-étnico, o que não só é politicamente correcto como anima e quebra a monotonia.

Claro que a diversidade pode dar azo a dificuldades de compreensão, género desencontros culturais, não sei se me estão a entender.

Diariamente, faço então o meu exercício psicológico de tolerância e aceitação do outro (o sociologicamente "outro"), ao volante do meu carro, quando me obrigo a não buzinar ao simpático "outro" da frente que acha que o automóvel serve para, "caracolmente", trocar impressões com amigos, familiares, vizinhos e passantes "outros" da mesma etnia.

Pensei, muito portuguesmente, atirar-lhe com um "Caramelo, anda lá com isso que eu vou trabalhar", mas depois, moldada que estou no espírito moderno do isso não se faz, lá conto mentalmente até 10, 20, 30, o que for preciso, até porque depois, terminados os efusivos cumprimentos, também eu tenho direito a um aceno, a um sorriso, e fico-me com a consciência tranquila de ter sido aceite como uma sociologicamente outra, não obstante a minha diferença.

Wednesday, March 22, 2006

Reunião

Vou até ali discutir com iluminados como se o tema fosse importante.
Séria e compenetradamente, seguirei via intérpretes, línguas incompreensíveis dizendo coisas sem sentido.
Depois, quando voltar, porei por escrito os resultados.
Que circularão graves, importantes, por gente qualificada e hierarquizada.
Deixarei o escritório sem estados de alma.
Farei tudo como habitualmente.
Um dia tudo será esquecido para que tudo possa de novo recomeçar … como se o tema fosse importante.

Chaves do carro

Se eu fosse uma pessoinha organizada aposto que as chaves do carro estariam sempre no mesmo sítio.
E dado que o esforço organizativo em que denodadamente me empenho parece não obter qualquer resultado em matéria de chaves do carro, todas as manhãs perco passos à procura delas, exercitando-me mentalmente para rever a última vez que lhes pus a vista em cima, rodando sobre mim própria na busca matinal apressada.
E o pior de tudo é que elas, as chaves, têm um lugar. Isto é, eu determinei um sítio onde elas deveriam estar!
Mas como em tudo, da teoria à prática vai uma distância, por vezes, intransponível.

Tuesday, March 21, 2006

Primavera em poesia

Disseram-me que a Primavera começou hoje. Que não aqui decerto!
E depois soube que era o dia da poesia. E eu não sou poetisa.
Mas tenho pena.
Pena de não ter talento para dizer em palavras cheias de cor e de música a falta que me faz a Primavera.
Pena de não poder rimar as flores com a renovada esperança de um sol mais quente.
Pena de não poder homenagear em soneto a força da vida e a urgência de renascer.
Resta-me reler os poetas e esperar que chegue a Primavera.

Felizmente passou

Por vezes sinto uma vontade súbita e inexplicável de fazer coisas estranhas!
Como, por exemplo, no outro dia em que me apeteceu fazer sopa!
Sabe quem me conhece minimamente que a cozinha para mim é o local onde está o leite dentro do frigorífico…
Tudo o resto, são instrumentos e utensílios mais ou menos misteriosos que uso com parcimónia não vá estragarem-se.
Daí que, a tal vontade inaudita de fazer sopa me tenha deixado em estado de choque.
Sentei-me esperando que passasse. Nada! Na minha mente listavam-se as batatas, as cebolas…
O caso esteve tão mal parado que cheguei a sair de casa. Até entrei no supermercado.
Aqui, as coisas complicaram-se: primeiro porque estes belgas não têm batatas. Isto é, têm vários tipos de batatas. Mas em nenhum estava escrito "batata para sopa".
Não ia ser um pequeno obstáculo que me impediria de atingir o meu objectivo! E, seguindo o espírito que levou os portugueses aos quatro cantos do mundo (expressão gira, dado que o mundo é redondo, mas bom, isto é matéria para outro post), considerei que batata era batata e peguei num saco qualquer.
Bom, estava a tentar simplificar, mas é sabido que a simplificação distorce a realidade, pelo que sou obrigada a corrigir-me: de facto, não peguei num qualquer porque, por aquela altura, o eterno espírito prático feminino já estava a ponderar que seria preciso descascar as batatas. Pelo que, verdade, verdadinha, peguei no saco que tinha as batatas maiores para darem menos trabalho a descascar.
Nesse momento, veio-me ao espírito a hipótese de usar puré de batata instantâneo para fazer a tal de sopa. Não teria que descascar batatas! Aqui, racionalizei o assunto. Pitucha, Pitucha, se te dás ao trabalho de fazer uma sopinha, é para a fazer bem feita!
Estoicamente, resisti à ideia perturbadora e passei para o sector das cebolas.
Mas, há que admitir, a história das batatas ainda estava e trabalhar no meu espírito. É que, depois de descascadas, haveria que cozê-las (onde, onde? Seria desta que me atreveria a usar a panela de pressão?) e desfazê-las. Aqui, nova guinada no meu cérebro. Será que a varinha mágica estava disponível? É que, logo por coincidência, a minha vizinha tinha-me pedido emprestado o mixer (pânico, pânico, o que é um mixer?) para bater claras em castelo (fiquei a saber que os belgas chamam mixer àquela coisa!) e era portanto provável que a varinha mágica precisasse daquele corpo para funcionar. Era possível! Teoricamente pelo menos! A bem dizer, nem era garantido que houvesse varinha mágica lá em casa. Isto é, haver havia, mas compra antiga, feita num destes momentos absurdamente inexplicáveis…
E foi quando passou a nuvem má!
Regressei à normalidade!
Recoloquei o saco de batatas no sítio e fui para casa com sopas instantâneas a que basta juntar água.
Meus Deus, porque me fizeste assim?...

Monday, March 20, 2006

Mais uma corrente

A Catarina lançou-me um desafio. Muito gosta a blogoesfera destas coisas! Ora, vamos lá:

Quatro empregos que já tive na vida:

Para ganhar uns tostões trabalhei na reprografia da minha Universidade durante uns meses de um Verão ido há muito. Depois, tentei a vida académica e, após curto lapso de tempo como monitora, descobri que aquilo não era para mim. Entretanto, tentei ver como era a vida num Banco e o futuro não me pareceu sorridente. Pensando então que a solução seria fazer das línguas a minha profissão tentei ajudar a construção da Europa traduzindo. Fui resistindo até que achei que tinha que voltar às minhas bases (afinal as línguas sempre haviam sido um hobby) e aqui estou juridicamente fazendo o que posso para que o sonho europeu não vire pesadelo.

Quatro filmes que posso ver vezes sem conta:

Lawrence of Arabia, sem dúvida.
The Sound of the music, porque a isso fui obrigada mas que acabou por colar!
Aqueles filmes portugueses antigos que, volta não volta, nos entram pela casa adentro e que, apesar de os sabermos de cor, ainda nos fazem rir.
Qualquer filme de Jacques Tati pela subtileza do humor.

Quatro sítios/países/regiões onde vivi:

Lisboa, que será sempre, sempre a minha cidade.
Luxemburgo, a primeira longa experiência de "estrangeiro".
Bruges, onde, durante um ano lectivo, estudei e desesperei, mas cuja beleza não me deixou indiferente.
Bruxelas, o meu presente e, por agora, o meu futuro.

Quatro séries de televisão que não perco:

Perco-as todas! É um desatino!
E quando começo a perceber que não estou a perceber as conversas sociais vou a correr comprar as ditas séries que não deveria ter perdido! Assim, Sex and the City, Desperate Housewives, Will and Grace, Friends… e agora, recentemente, uma amiga emprestou-me West Wing.

Quatro sítios onde estive de férias:

Vou mesmo ter que escolher quatro?
Então, menciono a Figueira da Foz porque é lá que as minhas memórias começam! Moçambique, porque foi sonho muito alimentado e acariciado. Maldivas, porque é um paraíso na terra. Cabo Verde porque nunca esquecerei as gargalhadas partilhadas.

Os meus pratos favoritos:

Desde que não tenha que ser eu a cozinhar, caril de camarão, rissóis e croquetes (aqui fala a saudade) … uhm, isto tá difícil… pronto confesso, o que eu gosto é de gelado! E de queijo! E de leite! Posso não responder a esta?

Quatro websites que visito diariamente:

Os blogues dos meus amigos e blogoamigos, e sítios que vendem e falam de livros.

Quatro sítios onde gostaria de estar agora:

Neste momento em que, para variar, Bruxelas está cinzenta e fria, qualquer sítio under the sun me alegraria. No outro lado do mundo, de preferência!
Nos meus sonhos, passeio pela praia do Wimbe em Moçambique e planeio os meus projectos por realizar, Goa, Angola, Guiné, Timor.

Três bloggers (F) a quem convido para fazer este questionário:

E para não massacrar sempre os mesmos, a MCM para aproximar a Terra do Sol a esta terra cinzenta, a Sinapse, pela novidade e a Mini-saia, descoberta recente.

Três bloggers (M) a quem convido para fazer este questionário:

Periférico, porque alguma vez teria que ser, Kamikase, porque sim, Descamisado, por curiosidade.

Arrumações

A minha mulher-a-dias é como a natureza: tem horror ao vazio.
Assim sendo, esse vazio é imediatamente ocupado pelos objectos que ela, no seu entender, acha que estão desarrumados.
Uma vez que nos compete, em cada momento, encontrar a beleza da vida, deixei de desesperar. Transformei esta realidade (contra a qual não posso lutar!) num jogo: e agora onde estará … (o objecto procurado). E o jogo joga-se, procurando… por todo o lado, mesmo nos locais mais improváveis. Não há regras, não há lógica.
É um jogo num ambiente selvagem de vale tudo!
E foi assim que dei com a garrafita de Gin entre as massas alimentares, enquanto a de Porto repousava inertemente no louceiro, ao pé do serviço Villeroy & Boch.
A vantagem deste jogo é que lá em casa, até prova em contrário, objecto nenhum está perdido para sempre.

Saturday, March 18, 2006

Plano do dia

Montes de DIY (do it yourself) cá por casa.
Se me encontrarem por aí, estão justificados os cortes, arranhões e nódoas negras.

Friday, March 17, 2006

Crash

Disturbing, oh so disturbing.

Alevanta-te

Bruxelas tem zonas onde, ao sábado, a multidão é intensa, furiosamente aproveitando o primeiro dia de liberdade depois de uma semana de prisão laboral!
Por vezes, não é possível evitar tais locais, e aí vamos nós para o meio da multidão (então durante os saldos, eu nem vos digo, nem vos conto!).
Vem isto a propósito da seguinte história.
Há muitos, muitos anos, ainda eu e o meu irmão vivíamos em Lisboa, vimo-nos na estação de comboios do Rossio, nem sei bem porquê!
O povo tinha endoidecido! Cruzavam-se, barulhentamente, em todas as direcções numa confusão de pernas e de vozes.
Nisto, o meu irmão choca com uma criancinha que caiu. Na altura em que, educadamente, se preparava para ajudar a criança a levantar-se a mãe da dita diz: "ó Marco alevanta-te qu'inda agora mesmo estavas de pé"!
Perante tal filosofia o meu mano afastou-se e penso que ainda hoje se encontra a recuperar.

Thursday, March 16, 2006

Internet

Ontem, a televisão francesa deu um programa sobre a Internet e os seus perigos.
Entre vários temas mais ou menos conhecidos, sobretudo a pornografia e a pedopornografia, abordaram a questão da dependência, da ciberdependência, dando como exemplo, um jovem de 23 anos que passa entre 18 a 20 horas por dia frente ao écrã em "chatrooms".
Confesso que nunca experimentei essa forma de convívio virtual e que nem sequer tenho curiosidade em ver como é.
Mas compreendo que haja quem se entusiasme com tal. Afinal, não me entusiasmei eu, analfoinformática que sou, pela blogoesfera?
Agora, o que não consigo, de todo, perceber, é como se passam 18 horas em frente de um ecrã!
Aliás, não consigo perceber como se passam 18 horas a fazer o que quer que seja...
Que monotonia!

Apontamento de reportagem

Bom dia, vamos ligar ao nosso correspondente em Bruxelas.

Olá, bom dia, pois aqui efectivamente o tempo mudou. Ahn, Bruxelas, acordou, ahn, cheia de nuvens, pois, contrariamente ao que se verificou, ahn, nos últimos dias. Naturalmente ainda estamos, ahn, em Março, e portanto a Primavera, ahn, ainda não começou.
Efectivamente, quatro dias de sol, ahn, de seguida, pois, não é muito frequente, ahn, naturalmente em Bruxelas e tempo habitual, ahn, que habitualmente se verifica, pois voltou.
Para esta noite, ahn, a previsão é de -2 e neste momento, nesta praça onde, ahn, nos encontramos, o termómetro marca, ahn, 0°C, como efectivamente se pode ver.
Temos aqui agora uma portuguesa que reside em Bruxelas, com quem iremos, ahn, conversar.
Bom dia, o que pensa deste tempo em Bruxelas?

Eu penso que está mal, aliás o mundo está perdido, onde é que já se viu, eu vai para uns anos…

Então, mas é costume estes dias cinzentos em Março?

Em Março? Até em Junho! Isto aqui não é como lá embaixo… Aqui faz muito frio e o sol nem sempre vem…

Pois, mas depois de quatro dias de sol…

Sabe o que lhe digo? A culpa é dumas pessoas, que eu bem sei, que não são capazes de estar caladas! Ele vem sol e elas, está sol, está sol, como se não víssemos! Então é preciso tal algazarra? Depois queixam-se.

E daqui é tudo, anh! Dos 0°C de Bruxelas para os 12°C de Lisboa.

Wednesday, March 15, 2006

Post para ler baixinho

Há quatros dias seguidos que faz sol!
A temperatura aumenta gradualmente (hoje estão uns estonteantes 8°C).
As pessoas começam a relaxar o sorriso.
Até já vi uns cabriolets abertos (gente optimista há em todo o lado).

Acho que está a chegar a Primavera mas, por favor, por favor, não falem alto porque o anjo guardador do tempo em Bruxelas é um mal-humorado de primeira apanha e se nos vê animados é bem capaz de encomendar mais umas toneladas de nuvens acompanhadas de chuva e frio.

Por isso, chiu, isto fica entre nós!

Tuesday, March 14, 2006

Vacina contra a gripe das aves

Ainda não recebi notificação nenhuma para a tal vacina.
Ando cá desconfiada que não faço parte dos cem mil portugueses considerados "fundamentais para o país".

Que estranhos somos...

Não sei o que pensam as crianças dos adultos! Mas devem achar-nos muito estranhos.
Só assim se justifica que uma menina de 9 anitos, quase quase a fazer 10, me diga num e-mail, que quer para os anos "roupas com fogo. E compra-me também um boné também com fogo, mas o fogo é desenhado não é fogo verdadeiro."
Uf, ainda bem!

Monday, March 13, 2006

Et pourtant

Encontrei F. nas estradas da vida. Os nossos caminhos cruzaram-se, no Luxemburgo e, apesar de fisicamente eles se terem descruzado, as modernas tecnologias nunca deixaram que a distância levasse ao esquecimento.
De sorriso doce e infinitamente paciente, a F tem a sabedoria de conseguir manter a calma e de ver o lado positivo das coisas, em qualquer situação.
E com essa mesma calma comunicou-me hoje que o J., apesar das batalhas vencidas, tinha perdido a guerra.

O J. era o exemplo acabado da alegria de viver.
Recordo o seu riso franco à volta de uma mariscada, copo de cerveja na mão, porque ocasiões especiais são isso mesmo, especiais, e não há que pôr limites à alegria e à boa disposição. E vai mais um copo de cerveja, “deixa lá F. que amanhã os nossos amigos já não estão aqui!”.
Hoje, tenho um pensamento para o J. (tenho saudades tuas) e uma crescente admiração pela F. que me diz “apesar da tristeza, eu aprendi com o J. a amar a vida. E por isso sou mais feliz”.

Haverá melhor legado que se possa deixar?

Sunday, March 12, 2006

Já?

Foi mesmo visita de médico!

Filme

O que quer dizer "Syriana"?

Qual é mesmo o critério para atribuir Óscares?

Saturday, March 11, 2006

Sol

Acho que sempre me fascinou.
Lembro-me de, em pequena, ficar sentada atrás do vidro da porta da varanda (o meu lugar preferido durante o Inverno) a observar as partículas de pó (será?) que dançavam nos raios de sol que entravam largos pelo vidro e se estreitavam até tocar o chão. Era um movimento perpétuo, um ballet no foco solar.
Interrompia os raios com a minha mão, pisava-os e, claro, aquecia-me.
Depois, já na minha fase experimental, captei um raio de sol com a lupa e dei pulos de alegria quando o papel sobre o qual ele incidia, ardeu. Então não é que a professora de Física falava verdade?
*Esclareço, não vá alguém assustar-se, a experiência foi feita na varanda e não dentro!

Friday, March 10, 2006

Montra

Anorak colorido, gorro enfiado até aos olhos, mochila às costas.
Quase maior do que ele, a mochila!
Perdido num mar de pernas apressadas, procura a mão da mãe para atravessar a estrada.
Sabe que antes de chegar à escola vão passar pela sua mostra favorita, a da loja de brinquedos.
- Hoje tenho tempo de ver o comboio, mãe?
- Só um bocadinho!
Encostou a testa no vidro e ficou a admirar o comboio, a linha-férrea, com um túnel, com casas, com árvores. Esborrachou o nariz, começou a imaginar "pouca-terra, pouca-terra" mas a realidade foi mais forte.
- Vá, agora temos que ir para a escola.

Thursday, March 09, 2006

Final de mandato

Estou a ouvir, ao mesmo tempo que dou uma voltinha pela blogoesfera, um programa sobre o Presidente cessante: imagens inéditas disseram!
Mais parece a VIP (ou Caras, ou coisa do género) televisiva.
Muito gostam as pessoas de cuscar, sobretudo se se trata da vida dos soi-disant grandes e poderosos.
E olhem que desta vez não é inveja. Sabem, aquelas minhas invejazinhas honestas!
Desta vez é mesmo falta de interesse.
Vou desligar os écrãs e "reprendre une activité normale" (dos Guignols de l'info*).

*Tá bem assim Carlos?

Novo Presidente

Pela RTPi recebi notícias da tomada de posse do novo Presidente da República. Da minha República.
Espero que consiga devolver ao país a esperança que parece estar a escassear entre os portugueses.
E que o futuro de Portugal seja menos cinzento.

2005 US Department of State report on human rights - Portugal

Meteo

Hoje estive para falar de estatísticas.
Do número de mulheres que ganha menos que os homens para trabalho igual.
De o desemprego afectar sempre mais mulheres do que homens.
De haver mais mulheres na Universidade mas nos cargos superiores das empresas haver sempre menos mulheres do que homens.
De haver sempre mais mulheres que são discriminadas só porque são mulheres, do que homens.
Estive para falar das violações, dos abortos, da violência doméstica.
Estive para falar das mutilações genitais femininas.
Estive para falar das meninas bebés mortas à nascença pelo crime de terem nascido com o sexo errado.
Pensei mencionar os estudos da ONU sobre o facto de em certas partes do mundo haver menos meninas escolarizadas do que meninos.
Pensei até referir, à nossa escala, um estudo da Ordem de Advogados intitulado “Igualdade de Géneros Não é Tarefa Acabada: É obra em construção”.
Por momentos até achei importante referir que ainda hoje há países onde as mulheres pura e simplesmente não têm direitos: em matéria de família, sucessões, em matéria económica ou de participação política.
Lembrei-me que até nós, portuguesas, estávamos numa situação de desigualdade legal no dia 25 de Abril de 1974 (situação que foi sendo corrigida com o imenso trabalho de alteração do quadro legal que se levou a cabo depois da revolução e que ainda está, na prática, a ser corrigida porque as mentalidades demoram tempo a mudar).
Julguei que era interessante referir que ainda há quem eduque as criancinhas com frases do tipo, menina só precisa de casar, menina deve saber coser e cozinhar, isso é coisa para rapaz…
Depois andei pela blogoesfera, ontem dia 8 de Março, e achei melhor falar do tempo.
E como não há pior cego do que aquele que não quer ver, digo apenas que está cinzento em Bruxelas. E chove.

(Ao menos aqui as burkas não fazem calor).

Wednesday, March 08, 2006

8 de Março

Depois de não ter comentado os Óscares e o encontro na Almedina sobre blogues femininos e blogues masculinos, eis que chega o dia internacional da Mulher.

Bom, dado que não sou, por princípio e por sistema, do contra, não tenho um motivo óbvio para ignorar este dia. Tal como não tenho a facilidade de dizer que este dia é uma parvoíce e que não merecia existir.

Porque, e essa é que é essa, o dia tem uma razão histórica para existir e uma desigualdade actual e permanente para ser mantido: igualdade de oportunidades. Fundamental, como a água.

E se o histerismo do movimento feminista dos anos 70 nos faz sorrir mas incapazes de repetir, a situação de desigualdade de facto e até de direito em tantos países do mundo (demais!) obriga-nos a celebrar um dia que, esperemos, deixará algumas sementes de mudança no meio do folclore do politicamente correcto.

Hoje, no meio do habitual cinzento bruxelense, sublinho um grupo de mulheres particularmente discriminado, as mulheres muçulmanas, as mulheres árabes! (Se tivesse arte para tal faria um cartoon).

Tuesday, March 07, 2006

Adeus

Há dias assim.
Dias em que, apesar do sol gelado, os nossos olhos se perdem em memórias e o nosso coração se afoga em saudades.
Dias em que as únicas palavras sensatas são as da minha avó que, ontem ao telefone, me dizia “a vida é assim”.
Dias em que nos apercebemos que só a resignação nos dá força para enfrentar a morte.
Um beijo D.

Saturday, March 04, 2006

Não sabia

Uma vez que a máquina de lavar roupa estava quase no fim, resolvi esperar que acabasse para pendurar a roupa.
Entretanto, fui lendo o panel da programação (a máquina é relativamente nova e há programas que ainda não conheço) e descobri um que se chama "lavagem à mão".
Espantoso! Então não é que que a minha máquina de lavar roupa lava à mão?
Os tempos modernos não cessam de me surpreender.

É verdade!

Fiz um ano e celebrei-o discretamente, longe da blogoesfera.
Mas o bom filho à casa torna, neste caso para agradecer todos os votos de parabéns desejados.
Já agora, aproveito para pedir desculpa pela longa ausência.
Estou de volta...