Thursday, November 30, 2006

Conferências

A livraria portuguesa aqui do burgo, a Orfeu, organiza, cheia de boas intenções e com alguma regularidade, assim umas coisas que queriam ser uns debates mas que ainda não cresceram!

Vou até lá, mesmo muito de vez em quando.

A maior parte das vezes saio de lá triste porque falta sempre aquele "golpe de asa" e fica-se sempre aquém.

Hoje, esquecida que já estava a memória entristecida da vez passada, lá fui para ouvir falar sobre literatura africana em português.

Aquilo foi uma aula de cátedra, lida em ritmo de leitura (porque será, porque será que as pessoas lêem de forma tão cadenciadamente monótona?), chata, sem sal.

Pepetela e Mia Couto mereciam melhor.

Clube de leitura

O próximo livro na calha para o meu clube de leitura chama-se "Train de nuit pour Lisbonne"*.

Não acham um nome lindo?

*O autor é Pascal Mercier

Wednesday, November 29, 2006

Olhem, gosto, sim, o que querem?

Gosto das luzes de Natal e das decorações de Natal e das músicas de Natal e disso tudo!

Monday, November 27, 2006

Coisas que fazem pensar

Entre amigos de diferentes nacionalidades, discutia-se a questão do diálogo entre as religiões.
Não obstante as diferenças crenças, todos eram da religião maioritária no seu país.
Havia argumentos jurídicos, outros politicos, outros emotivos.
Até que se fez ouvir uma voz ponderada, um discurso equilibrado reduzindo os pontos aduzidos a meras perspectivas mal fundamentadas: sim, sendo judia grega, estou habituada a viver por entre as minorias!
E ficámos assim, a digerir palavras que nunca tinhamos sentido!

O meu Moleskine e eu (6)

Estou abismada com as manifestações anti-papa na Turquia!
Não sei bem porquê, mas só pode haver pessoas interessadas em atirar achas para a fogueira da intolerância religiosa.
E resultará sempre.
Porque háverá sempre pessoas com medo.
Porque haverá sempre pessoas ignorantes.
Porque haverá sempre pessoas manipuladoras.
Porque haverá sempre quem nunca aprenda com a história.
E porque haverá sempre interesses que a nossa razão desconhece.

Sunday, November 26, 2006

É que não posso (11)

As pessoas que pedem coisas emprestadas e não as devolvem deixam-me fula!

Estou a um passo de não emprestar mais nada a ninguém!

Ideias

Há pessoas que têm ideias verdadeiramente brilhantes!
Ontem à noite, o fado português deu as mãos às canções napolitanas, a guitarra portuguesa ao piano.
As pontes foram feitas por textos de autores famosos, fabulosamente ditos em francês.
E a noite acabou, noite dentro, com pestiscos portugueses e fado à desgarrada.

Thursday, November 23, 2006

Imagens

Há assim imagens que nos conduzem a momentos mágicos, momentos em que a vida perde o seu lado trágico e em que o futuro nos parece tarefa fácil.

Como aqueles instantes em que, num final de tarde suavemente outonal, os passos crepitam em folhas douradas que se despediram da Primavera das árvores, enquanto, ao longe, se ouve o som repetido e divino dos sinos das igrejas.

Agradecimento

Lá fora chove e está frio.
Sendo mais precisa, está uma humidade impossível, daquelas que torna as lãs desagradáveis ao toque e frisa os cabelos.
E lembrei-me de que, ao longo destes anos todos, nunca agradeci à criatura que inventou o aquecimento central.

Bem-haja.

Tuesday, November 21, 2006

Claro que sim!

Claro que sim Carlota*, claro que sei usar palavrões.

Não garanto que conheça todos, todos, porque isto da idade tem essas coisas, afasta-nos de realidades tão mutáveis quanto essa da sub-língua vernácula.

Agora, conheço os suficientes e sei onde os colocar na estrutura frásica, se para tal me der gana.

E talvez os usasse mais não fora este meu profundo respeito pelo princípio da proporcionalidade. Sim, imagina que me ponho aí a recorrer a palavrões por dá cá aquela palha...a que recorrerei então quanto acontecer algo mesmo digno deles, género entalar o dedo na porta do carro, ou ter pela frente um inapto condutor belga em dia de chuva?

Se eu digo, por exemplo, vamos ver que merda de programa está a dar a televisão (vês, como está bem colocado?) o que direi quanto, abrindo a televisão, der de caras, efectivamente, com uma merda de programa?

Depois há ainda a questão da eficácia. Que as palavras gastam-se, sabes, não é? Se em cada três palavras que profiro, duas forem palavrões, acho que o impacto dos mesmos fica assaz reduzido. Caso em que a minha capacidade de insulto fica bastante manietada. Mas se eu falar sem palavrões alguns, imagina o furor que faz quando mando alguém abaixo de Braga...É de arrasar.

Por fim, não atribuo ao uso de palavrões significado subido de modernidade, destreza mental ou inflamada independência dos outros.

Manias minhas decerto!

* Na sequência de conversa telefónica na esfera normal da vida...

Clima

Por mail enviado por mãos amigas recebi um texto que descreve a Bélgica brilhantemente.

Sobre o clima diz "No Inverno chove e no resto do tempo também"!

Está tudo dito! A acrescentar alguma coisa seria o som da chuva incessante a bater nas janelas, mas este blogue é só de palavras feito. Fica o resto à imaginação.

Sunday, November 19, 2006

Segredo

O cabelo, muito escuro, e a tez tisnada, juntamente com o sotaque ligeiramente sibilado acusavam a sua origem helénica.

Mas havia algo mais, algo que obrigava a um esforço de discreção para evitar uma curiosa observação, longa demais, fascinada para além da cortesia.

Sou de Atenas, disse, olhando intensamente o copo de champanhe. Mas tenho pena! Preferia ser de Rodes. É mais poético, mais misterioso. Não acha?

Realmente nunca tinha pensado nisso. Não conheço Rodes.

Posso contar-lhe um segredo? Tenho que lhe contar um segredo.

Foi a sua vez de olhar para o copo e de tentar encontrar referências neste quadro surrealista onde se encontrava, rodeada de gente sorridente mas desconhecida, desse desconhecimento feito de mundos que correm paralelos, que se advinham nos filmes mas que não se vivem.

Começara pela estranha coincidência de entrar numa casa desconhecida de alguém vagamente conhecido, de ter sido envolvida por quadros de traço apreciado, arte que também ornamentava a sua própria casa, e de ter descoberto enlaces comuns numa vida temporalmente divergente. Coincidências, pensara.

E agora vinha um segredo, sussurrado por um desconhecido de olhar inquieto que é, poeticamente, de Rodes.

Estou a escrever um livro, baseado na minha vida…

Que interessante, articulou com o ar mais socialmente agradável que lhe era dado ostentar.

Interessante? Acha mesmo, disse sorrindo para o copo de champanhe, acha mesmo, olhando agora para ela?

Acho, interessante e corajoso. Não só escreve como assume que o faz.

Não sei, não sei se alguma vez o acabarei, escrevo devagar, quando tenho paz de espírito suficiente para me deixar levar pela imaginação em que envolvo a minha vida. Porque sou eu, mas não sou, percebe? Eu sou o narrador e não sou.

Vou fazer-lhe uma pergunta indiscreta, é casada?

Acho que vou buscar mais vinho. Sorriu. Trago-lhe mais champanhe?

Thursday, November 16, 2006

Estranho

Nunca tiveram a sensação, ao ler um livro ou ao ouvir um discurso, por exemplo, que há pessoas que não sabem acabar?

São até capazes de elaborar um texto bom, agradável de ler ou de ouvir até ao momento em que devem concluir. Aí, como não sabem colocar um ponto final, começam a alongar-se, a repetir-se, como se estivessem condenados a nunca mais parar.

É uma espiral infernal.

Depois, calculo que em desespero de causa, arrumam com um prontos, isto é, basicamente é tudo!

Wednesday, November 15, 2006

Indecisões

Abriu a porta como se tivesse tomado uma decisão.
Mas depois hesitou.
Fechou-a devagar, sem convicção, e foi percorrendo a casa.
Sabia o que procurava mas… não, não sabia bem! Era qualquer coisa difusa que não conseguia explicar, como um desejo de que, ao acordar, tudo não tivesse passado de um pesadelo.
O olhar prendeu-se num quadro, feito de um poster comprado longe, num momento de bem-estar.
Que pena o bem-estar não se poder emoldurar, como o poster, reserva que ficaria pendurada na parede para piores ocasiões.
Lembrou-se da primeira vez que a viu.
Reparou nas pernas esguias, claro que reparou. E deu conta que ela reparara e que não gostara. Pelo menos ficou com essa sensação quando ela lhe falou de forma seca, sem desvios de amabilidade: bem-vindo, se precisar de ajuda diga, nem sempre é evidente descobrir os meandros desta complexa instituição.
Agradeceu mas ela já havia afastado o olhar para o computador.
Agarrou no jornal que lera a véspera. Olhou para os títulos na esperança de que algo de novo o atraísse. Continuava o mau tempo, tal como lera ontem.
Foi o ar de eficiência decidida que o atraiu. Tem a certeza.
Um ar que aproximava e que repelia, sabia a resposta sim, ou sabia onde procurá-la claro, mais alguma coisa? Talvez queira vir tomar café? O mesmo olhar compenetrado, gostaria, obrigada, mas tenho uma coisa urgente.
Tornou-se um desafio, fez uma aposta consigo e resolveu insistir.
Olhou para a jarra que deixou de ter flores.
Venceu o desafio mas perdeu-a de vez.
Acho que me preocupei demais em vencê-la, sempre, disse em voz alta.
Abriu, de novo, a porta e saiu.

Nada de novo na frente ocidental

Enquanto tomo o pequeno almoço tenho por hábito (bom ou mau é totalmente irrelevante neste contexto) ouvir o telejornal português Bom Dia Portugal, logo, logo à abertura (6h30 aí, uma hora mais tarde aqui).

Hoje tive direito a notícias sobre futebol (Benfica e selecção - sub 21 e principal, sim que eu prestei atenção) e, a seguir, ao estado das estradas!

Noutros países, as primeiras notícias são as mais importantes.

Em Portugal, ou não é assim, ou não há notícias!

Tuesday, November 14, 2006

De passagem

Com as mãos ocupadas a dar nós e a mente em processo criativo ouvi, assim distraidamente, que o Blair comunicara aos americanos (por vídeo-conferência precisaram os jornalistas!) que a crise no Iraque só se resolveria com a resolução do problema israelo-palestiniano.

Coitados dos iraquianos!

Se a habilidade do mundo para arranjar uma solução para o Iraque for idêntica à que demonstrou para resolver a questão do médio oriente, daqui a muitos anos ainda estaremos a lamentar mais um ataque suicida em Bagdad...com a relativa indiferença a que nos vamos habituando às querelas entre judeus e mulçumanos.

Qual será o atractivo da guerra para que se mantenha, sempre renovada, ao longo de tantos séculos da história da humanidade?

Monday, November 13, 2006

A força das palavras

Pousou o livro no peito e deixou-se ficar, assim recostado no sofá, como gosta de ler.

Aos poucos foi saindo daquele mundo onde passara as últimas horas.

Surpreendeu-se com o barulho da chuva a bater nas janelas. E com os ruídos vários que uma casa em silêncio pode ter.

Como era possível, pensou, que a escrita tivesse este poder, de o levar até uma era que não vivera? Conhecia os acontecimentos dos livros de história mas nunca os tinha sentido assim, na angústia dos bombardeamentos, na incerteza do fim que se adivinhava próximo.

Não me digas o fim, pedira-lhe uma amiga com quem partilhava as emoções daquela leitura, quando lhe anunciara que acabaria o livro nesse serão. Riu-se! Ora, eles perderam a guerra, respondera-lhe.

E com o livro ainda pousado no peito, respirou fundo. Tinha passado pela guerra, aquela que ele sabia vencida, mas aqui tinha sentido a loucura dos últimos momentos em que todas a energias dos combatentes, vencidos, se conjugavam para assegurar a sobrevivência.

A custo levantou-se e foi guardar o livro.

Retirou outro da estante mas deixou-o em cima da mesa.

Tinha primeiro que se lavar da poeira que se elevava da cidade em ruínas, que retomar a respiração alterada pelo fumo dos incêndios que as bombas atearam, que afastar dos olhos as imagem dos cadáveres espalhados por quem já ninguém rezava.

Só depois estaria preparado para enfrentar outras palavras.

Sunday, November 12, 2006

No fim

Tem que haver, algures no espaço e no tempo, uma justiça final!
Se não, nada, ou pouco, tem sentido.

Saturday, November 11, 2006

Outras identidades

Sexta à noite.
Bruxelas.
Serão de tango.

Primeiro a música, saída viva das cordas e da concertina.

(Não sei porquê mas tenho um fascínio pelo acordeão, pelo ondular do gesto, pelo som a lembrar-me imaginadas noites felizes de músicas antigas. Não consigo explicar esta atracção. Só sei que se tocasse algum instrumento gostaria que fosse acordeão. E tudo isto a propósito da concertina!)

Mas voltemos à música.

Explicada em francês com sotaque argentino, trazendo nos olhos a saudade de Buenos Aires: não é preciso ter nascido em Buenos Aires para se tocar o tango mas tem que se ter vivido em Buenos Aires.

(Não conheço Buenos Aires. E, também não sei porquê, nunca me apeteceu ir até lá. Mas, por momentos, naquela sala, senti pena de não visualizar as ruas e os bairros, o caminho para o porto, o espírito dos poetas e dos músicos, que tão calorosamente a música descrevia. E pensei no fado e pensei em Lisboa e pensei que seria assim que os outros não compreenderiam o meu fado e a minha cidade.)

A seguir foi o tango dançado e teatrealizado.

Acham estranho? Tango no teatro, teatro com tango. Nós também achámos. Mas no fim, à saída, toda a gente comentava o quanto tinha gostado.

(E se o tango permanece exterior a mim, agrada-me mas a alma não entristece quando o não ouve, o teatro, esse, redescobri-o. Ou descobri-o. Porque o teatro, verdadeiramente, nunca cheguei a vivê-lo. Talvez procure por ele nas noite frias que se seguirão no longo Inverno belga).

Wednesday, November 08, 2006

Post encomendado

A Rafaela lançou-me um desafio: escrever sobre “o medo que tem medo dele próprio” ou, como ela disse, deliciada com a musicalidade “o medo que tem medo do medo”.

Digam-me lá como é que eu vou descalçar esta bota?

Ora vamos lá.

Era uma vez um medo pequenino.
Tão pequenino que quase não se via.
Por isso assustava muito pouca gente. De facto, ninguém gritava, ninguém tremia, ninguém fugia quando o via.

Um dia o medo pequenino decidiu dar um passeio na praia. O dia estava no final e o céu ligeiramente enublado. De repente, as nuvens dissiparam-se e um sol, quase a pôr-se, espalhou-se sobre a areia.

O medo olhou espantado para o céu e quando olhou para baixo deu um pulo e sentiu o coração a bater muito forte. É que ali, coladinho a ele, estava uma sombra enorme, esticada como se fosse um foguetão.

O medo mexeu-se devagarinho, a medo, e a sombra mexeu-se também.
O medo apressou o passo e a mancha escura seguiu-o.
O medo correu e a sombra correu atrás dele.

Aí o medo assustou-se a valer.

Escondeu-se atrás de um chapéu-de-sol fechado, prendeu a respiração e fechou os olhos.
Abriu-os um bocadinho e espreitou. Lá estava ela!

O medo, nesta altura, começou a tremer. A tremer de medo.

Enrolou-se debaixo de uma cadeira de lona, escondeu a cabeça nos joelhos e não se mexeu durante um tempo. Quem queria fazer mal a um medo tão pequenino, pensou ele.

Quando começou a sentir frio, abriu os olhos devagar. Era quase, quase, noite.

Olhou à volta, primeiro muito a medo, e não viu nada nem ninguém.

Esticou a cabeça, olhou melhor e confirmou que estava sozinho.

Foi a correr para casa.

Chegou, já de noite, enfiou-se na cama, debaixo dos lençóis, e dormiu, sem medo!

É que não posso (10)

Aquelas pessoas que aproveitam todas as ocasiões para dizer mal de outras cansam-me!

Então quando se trata de gente que eu mal conheço, colegas de trabalho que os caminhos da vida cruzaram com os meus, só me apetece pôr o meu mais total ar de enfado e dizer "e o que é que eu tenho a ver com isso? É que não podia estar mais nas tintas!"

Respeitem os prazos (que com isso eu stresso) e levem as achinhas para fazerem o vosso inferno privado para longe do meu gabinete!

Tuesday, November 07, 2006

Merece!

O prémio Goncourt foi para um livro que estou a ler e que estou a achar fabuloso: "Les bienveillantes".

Leiam aqui.

Quando se escreve um primeiro livro destes, haverá veia para um segundo?

Sunday, November 05, 2006

O meu Moleskine e eu (5)

Os canais infomativos, CNN, BBC World e tuti quanti, estão histericamente atentos à leitura da sentença em directo de Bagdad.

Interrompem programas para as suas breaking news, entrevistam tudo e todos qualquer que seja a importância dos seus dizeres.

Pedem desculpa pelas condições técnicas das ligações em directo ao tribunal.

E analisam, comentam, especulam sobre o que acontecerá ao Iraque se o Saddam Hussein for condenado à morte.

Ninguém, mas ninguém, se levanta contra esta aberração que é a pena de morte!

Friday, November 03, 2006

Gang de Bruxelas

Alargou-se!
Agora conta com mais esta pequena que pretende combater o cinzento com um lindo azul indigo.
Estejam atentos porque a Bia di Sal é menina para nos surpreender.
Bem-vinda Bia di Sal.

Wednesday, November 01, 2006

A senhora dos binóculos

Era um daqueles locais feito pelos anjos e ainda não manipulado em demasia pelo homem.

Aí se instalara o suficiente para que a estada fosse confortável, para que o corpo, repousado, deixasse o olhar absorver a riqueza da paisagem, para que a mente se refizesse de dores passadas e retomasse o viver pacífico que merecem as pessoas de bem.

Sentada ao sol, deixei que o calor me invadisse o corpo, que me envolvesse em força de vida, que me surpreendesse como me deixo sempre surpreender em locais novos, em conversa com gente desconhecida.

O mar, de um azul profundo, ali estava, repetindo-se em movimentos ondulantes até adormecer na longa língua de areia dourada, deserta, serena.

Demasiado impaciente, não perdi tempo a olhá-lo e prendi a atenção numa senhora que, de binóculos em punho, varria o horizonte.

Várias vezes olhei de relance para o mar que permanecia azul, que permanecia monótono.

Distraí-me, confesso. Quando irei corrigir-me deste viver sofregamente apressado que me impede de ver as estrelas cadentes a riscar os céus?

O movimento, quase imperceptível da senhora, conduziu, de novo, o meu olhar para a imensidão oceânica.

E ali, naquelas águas do Índico que para sempre lavarão os caminhos dos meus sonhos, uma cauda de baleia ergueu-se, livre, e bateu com força no azul deixando-o salpicado de espuma branca.

Não sei quem era a senhora, decerto hóspede de passagem naquele recanto encantado do mundo, e nunca lhe agradeci ter-me "repreendido" a minha pouca paciência para olhar o infinito do mar.

Depois deixei-me ficar, queixo apoiado no parapeito, a ver as baleias a cruzar a sua rota e a perderem-se para lá da linha do horizonte em manchas brancas no mar poderosamente azul.