Saturday, December 30, 2006

Tá quase!

Aproveitem o velho ano para acabarem aquilo que não vale a pena deixarem para 2007.
Mas despachem-se, que o tempo passa depressa e daqui a nada já estão a ouvir as rolhas a saltar, as contagens decrescentes, 12, 11, 10, 9...
Atenção, contem as doze passas, preparem as serpentinas, peguem nas cornetas, embelezem o sorriso, 8, 7, 6, 5...
Ergam as taças, desejem, em segredo, o que querem para 2007, expressem os vossos votos aos amigos, 4, 3, 2, 1...
Viva 2007!
Aí está, novinho em folha, para fazerem dele o que quiserem ou souberem ou puderem.
Sejam felizes!

Saturday, December 23, 2006

Natal

Quando estiverem a desembrulhar aquela prenda que alguém comprou a pensar em vós, quando estiverem a comer aquela filhós que vos recorda sabores de outros Natais, quando estiverem a comer uma fatia de ananás porque o organismo já está em sobredose de rabanadas e lampreia de ovos, quando estiverem a comer uma fatia de bolo rei, dois dias depois da consoada e a acharem que sabe ainda melhor sem a confusão do momento, quando estiverem a preparar a noite de fim de ano e a repetir gestos e tradições para garantir que o próximo seja ainda melhor, quando estiverem a erguer as taças de champagne e a desejarem que o destino seja sorridente, lembrem-se de todos os outros!

Daqueles para quem o futuro é só o amanhã incerto.

Desejo-vos um santo Natal, um ano de 2007 cheio de tudo de bom

Friday, December 22, 2006

Querido Menino Jesus

Faz com que eu me lembre do que não me devo esquecer e me esqueça do que não me devo lembrar.

Thursday, December 21, 2006

Saudade

Nem sempre é preciso mudar de casa para que se sinta a casa estranha, distante, pensou, como se ainda não lhe conhecesse os cantos, como se ainda houvesse aquela timidez própria de quem se desconhece.

Percorreu-a, descobrindo-a.

Deveria dizer, redescobrindo-a.

E foi reconhecendo o seu mundo que, num dia de Verão, começara a mudar.

Abriu, com receio, as portas da estante. Não sabia ao certo onde tinha as coisas e não lhe apetecia, ainda, enfrentar os fantasmas que se agarram às memórias vividas e choradas.

Lembrou-se de palavras amigas que lhe prometiam, mais do que desejavam assim o percebeu, que a vida era dele.

Procurou um livro que não sabia se tinha. Talvez tivesse. De qualquer modo precisava dele.

Os olhos deslizaram pelas lombadas conhecidas até chegarem a uma encadernação antiga, verde escura com letras douradas.

Puxou-o. A curiosidade foi mais forte.

Tocou, com cuidado, nas folhas amarelas para não incomodar o tempo que ali estava adormecido.

Na primeira página, a tinta permanente sépia anunciava-lhe umas iniciais e a data de 1953.

Sentou-se no chão e acariciou as páginas de um livro com mais memória do que ele. Um livro lido por alguém que ele apenas adivinhava mas que não queria recordar. Aliás, não poderia nunca recordar, só inventar, com cores de tristeza e de saudade.

Sentiu o fantasma a colar-se aos poemas declamados folha a folha.

Mas não o deixaria ocupar de novo a casa.

Porque a vida era dele.

A Primavera vem a caminho

Aqui não se nota nada!
Por enquanto.
Mas, haja esperança...

Wednesday, December 20, 2006

Desculpem

Mas só tenho tempo para trabalhar e comer e trocar prendas de Natal e comer e desejar Boas Festas e comer e ir num instantinho ao supermercado e comer e também dormir um pouco, muito pouco mesmo, só o necessário para ir funcionando apesar de estar praticamente transformada em zombie!
Tempo para posts, não há!
Desculpem!
Desejo-vos Boas Festas até porque já não termino nada sem repetir estas palavras mágicas!

Sunday, December 17, 2006

uff!

O tipo não era Mao! Era bem pior.
Além do mais, o livro é irritante enquanto biografia, género que eu adoro.
Acredito que seja difícil ser objectivo quando o sujeito é tão mau (Mao!) mas há que ser minimamente fundamentado nas afirmações que se fazem (lá está a minha costela de jurista...). Numa biografia séria, o biografado ou fez, ou não fez, ou não se sabe se fez ou não fez! Agora deduzir que matou uns e outros porque se prova que matou os uns, não chega. Há que provar que matou os outros também (ou que mandou matar)!
Et ansi de suite, porque são mais de 600 páginas de terror, traição, miséria.
E agora sigo para o Prémio Nobel, clube de leitura oblige.

Saturday, December 16, 2006

Prendas de Natal

Já tenho os dedos torcidos de enfiar tanta missanga!
E a cabeça em água de imaginar tantos colares e porta-chaves!
Calhando o Natal todos os anos na mesma data (é que até se podia dar o caso de ser como a Páscoa, que saltita em função...em função de quê, mesmo?, bom, adiante), é espantoso como as pessoas deixam as prendas todas para a última da hora.
Contra mim falo.
O quê? Já é Natal outra vez?

Friday, December 15, 2006

Querido Diário

Ontem fui ver a Sara Tavares.
Foi a primeira vez que a vi ao vivo e adorei.
Uma voz cristalina num sorriso de menina!
Adorei.
Eu e todos os outros.
A timidez natural e, talvez, o hábito de se estar quietinho e sentadinho nos concertos, fez com que a plateia demorasse a pôr-se de pé e a deixar o corpo libertar-se ao som do ritmo.
Mas lá chegamos. Todos!
Não há como ficar indiferente aos sons da Sara Tavares e dos músicos que a acompanhavam.
Soube-me bem esquecer as vicissitudes do trabalho e o infernal trânsito de Bruxelas em período natalício e em tempo de cimeira europeia com as suas inevitáveis estradas cortadas e sirenes de polícia, tudo por questões de segurança, claro!
Creio que o stress foi comum a todos. Os telemóveis mantinham-nos a par das dificuldades de estacionamento. Todos corremos para chegar a tempo e, cansados e algo ofegantes, todos chegamos.
Houve ainda tempo para apresentar o Periférico à Bia di Sal e à T. e depois … depois, fecharam-se as luzes e o espectáculo começou.

Thursday, December 14, 2006

Vai indo!

Sinto-me tal e qual a ler a biografia do Mao Tsé-tung!

Nota

Mãos nos bolsos, gola levantada, caminhava indiferente ao vento que bulia com as folhas secas.

Só o corpo, ligeiramente inclinado, denunciava a inclemência dos elementos.

Mas ele prosseguia, com as mãos nos bolsos.

Passos largos, decididos.

E se o corpo estremecia ligeiramente, e se se encolhia ainda mais no longo casaco preto, podia ser do frio.

Seria do frio e do vento.

Como adivinhar que ele seguia perdido no obsessivo pensamento do que a sua vida teria sido se tivesse estado em casa naquele momento em que a campainha tocou.

Mas não estava. Saíra por tédio, para matar o tempo, mãos nos bolsos, olhar perdido.

Quando regressara havia apenas uma nota breve "Passei por aqui!" sem palavras de despedidas, sem planos de futuro.

"Passei por aqui".

Frenesim

Porque será que no Natal as pessoas entram em hiperactividade social?
Ele é cafés, ele é chás, ele é cocktails, ele é almoços, ele é jantares...
Que sorte o Natal só ser uma vez por ano!

Tuesday, December 12, 2006

Há momentos assim

Queria ser o raio de sol
Que ilumina, alumia e aquece
Em tons de amarelo
Cor aconchegante, acolhedora

Queria ser a nuvem cinzenta
Que melancolicamente nos apazigua
Em cheiros de Outono
Em silêncios dourados de fim de época

Queria ser a gota de chuva
Orvalho poderoso que dá vida
Que arranca da terra o cheiro
A musgo, a árvores sequiosas

Queria ser a montanha no horizonte
Desafio estável
Que seduz, que atrai
Obstáculo que ali está para se vencer

Queria ser o rio
Que flui
Sem mais
Que flui como um rio

Mas sou apenas eu!

Monday, December 11, 2006

Outra não-notícia

Confesso que estou a ficar fascinada com as não-notícias da RTPi.
Aliás, se este filão for devidamente explorado a RTPi poderá tornar-se uma daquelas cadeias de notícias, généro BBC World ou CNN, só que ao contrário! Isto é, o canal das não notícias!
Hoje a história era sobre alguém que por pouco tinha ganho o euro milhões só que, azar, não jogou!
Ora bolas!
É que parece que sempre joga com a mesma chave! A dita terá sido premiada mas o futuro ex-ganhador to be esqueceu-se de jogar.
Acontece aos melhores.
E eu ando toda alvoroçada porque no sábado estive quase a apanhar um autocarro mas depois, decidi (sabe-se lá porquê, mas é aqui que reside o interesse da notícia) não correr. Esta minha decisão, que foi decerto testemunhada por outros passantes que deverão poder salientar, com comentários pertinentes, a atmosfera trágica, pois dizia eu, esta minha decisão levou-me a perder o autocarro.
Entramos agora na parte de desenvolvimento da não-notícia: o que fiz depois de perder o autocarro? Fui a pé! Mas poderia ter esperado pelo próximo. No mínimo, isto justificaria um debate (com alguém a incluir a hipótese de se optar pelo metro, coisa que, de facto, não me passou pela vista!).

Friday, December 08, 2006

Porque haveria a blogoesfera de ser diferente?

Porque é que as pesssoas acham que a blogoesfera seria diferente da vida?

De repente, só porque há um ecrã de permeio, deixaríamos de ser como somos?

Nem pensar nisso!

E se repararem bem, há de tudo na blogoesfera, talqualzinho a vida real.

Assim, há os blogues aristocráticos, de velhas blogofamílias que, relativizando, são as que têm mais de três anos de existência blogoesférica e que olham de alto para os blogonovos. Claro que, consoante a quantidade e a qualidade do chá que beberam em pequeninos, esses blogoaristocratas tratam os blogonovos com arrogância ou com condescendência, mas nunca por nunca em pé de igualdade porque isto de misturar águas não está a dar com nada.

Também há os blogonovos que querem ser blogoaristocratas no lugar dos blogoaristocratas! Tal como na vida!

Depois há os blogodistraídos que verdadeiramente não estão na net. Vão estando!

Temos ainda o grande grupo dos blogues de paróquia, que se encontram neste espaço virtual como outrora nos cafés e à saída da missa. Vão falando disto e daquilo, comentam e contra-comentam com clientela fixa, com alguns mails à mistura e que, fatalmente como o destino, vão conhecer-se na vida real para acrescentar o café aos comentários.

Ao lado dos que blogam como lêem, como vão ao cinema, como vão ao ginásio, como jantam com amigos, há os blogoisolados, aqueles para quem o blogue é a janela para o mundo! Quando não é o próprio mundo! Consultam doentiamente os contadores de visitas, ficam preocupados quando um comentador habitual sai de cena (então, deixaste de aparecer? Vai-me lá fazer uma visitinha…) e verdadeiramente irritados quando descobrem que os seus comentadores comentam noutros lados. A técnica passa a ser a de irem comentar mais e mais docemente para se imaginarem intimidades mais profundas.

Como na vida, há grupos e grupinhos, gente boa e nem por isso, há poetas, opiniadores, divulgadores, contadores de histórias. Há gente simpática e gente distante, há gente verdadeira e actores da blogovida, há nomes que todos conhecemos e outros que passamos a conhecer como se os conhecêssemos.

Como na vida há competição e solidariedade, há gritos de alma e lágrimas, há boas-novas e gargalhadas.

Como na vida, há os blogues de que gostamos, os que nos irritam, os que desconhecemos.

E, como na vida, tudo isto é uma caixinha de surpresas.

Coisas que não entendo!

Houve um tornado em Londres.
Todos sabem.
A BBC online contou as coisas assim.
A Miss Spring blogocontou assim.
Além da notícia em si, a RTP disse ontem à noite, e repetiu hoje de manhã, que, por causa do tornado, um avião quase caiu!
Uma eminente queda de que ninguém mais falou!
Uma eminente queda que mais não é do que uma não-notícia.
Porque é que os jornalistas portugueses acham que nós estamos interessados nas não-notícias?

Thursday, December 07, 2006

Esforço inglório!

Eu bem tento! Eu bem tento manter-me a par do que se passa no rectângulo à beira-mar plantado!
Mas não dá!
Estou desconfiada que sou alérgica ao telejornal da RTPi!

Tuesday, December 05, 2006

Crónicas de Bruxelas 10

A Bolsa de Bruxelas é um imponente edifício do século XIX, de estilo neo-renascentista. A escadaria conduz a um pórtico com colunas, que nos leva a Roma imperial, atrás das quais se esconde uma porta trabalhada. Todo o edifício é profusamente decorado (dizem que algumas das estátuas são da autoria de Rodin).

Olhando para ele fica-se com uma sensação de desenquadramento! De facto, a Bolsa está situada no Boulevard Anspach, uma das maiores avenidas de Bruxelas mas também uma das mais decadentes e das menos atractivas.

E, no entanto, vamos encontrando algumas jóias a não perder.

Por exemplo, o café-restaurante Falstaff, exemplo acabado de Arte Nova e que fica ali mesmo perto da Bolsa. É um excelente local para descansar das compras, beber uma cerveja, ou mesmo comer uma refeição tipicamente belga. Parece que também tem umas tartes de fruta excelentes.

Mas não se atrasem porque o espectáculo na Ancienne Belgique está quase a começar.

Nesta sala preta e vermelha podemos ouvir música de todos os cantos do mundo.

Nós vamos até lá ouvir a Mísia. E já apontámos na agenda a Sara Tavares que estará lá brevemente.

Em palco, um piano. Piano? Para ouvir cantar o fado?

E foi até mais do que o piano! Foi também violino, acordeão… Eu já vos disse que este instrumento me fascina? Se eu soubesse tocar alguma coisa, para além das campainhas de porta, seria acordeão! Enfim, não percamos tempo com estes detalhes porque o espectáculo está quase a começar. Entram agora as cordas mais habituais em fado: a guitarra, a guitarra portuguesa, a viola.

Descalça, de longo e largo vestido preto, écharpe branca, surge a Mísia. Pequena, perdida naquele palco parcamente iluminado, encanta-nos com um primeiro fado, castiço, típico.

A voz, macia, suave, envolvente, projecta-se, maior do que ela, maior do que todos nós.

Depois conversa. Fino sentido de humor, arranca de nós sorrisos, gargalhadas e até uns ohs belgas de reconhecimento quando fala de Amália (que eles conhecem, sim!).

A sobriedade da primeira parte faz-nos esquecer o piano, branco, que ali permanece como mera peça de decoração, inútil, intrusiva.

Na segunda parte, renova-se a Mísia, renasce o piano, chora o violino e ondula o acordeão, em sons mexicanos e argentinos e em renovados sons de fado. Estamos, diz-nos ela, no Hotel Drama Box (do seu CD com o mesmo nome). E pelos corredores vemos passar Fernando Pessoa, Carlos Paredes, Vasco Graça Moura, Amália claro e Dalida, para espanto do público que vinha até aqui ouvir fado.

E ouvimos, isso e não só, porque ver a Mísia é mais, muito mais, do que ouvir um dos seus CD em casa.

Monday, December 04, 2006

Homenagem

Era novita mas atenta ao que se passava no país.
Tinha aquela convicção do sangue jovem, que acha que vai mudar o mundo, que acha que tem obrigação de, pelo menos, fazer por isso.
Ouvi a televisão anunciar, com ar solene, más notícias.
Uma frase que a minha memória regista assim "O primeiro-ministro, Dr. Francisco de Sá Carneiro, morreu".
Mais ouvi. Mas foi tudo enredado num turbilhão de emoções, de incompreensões, de questões.
E desde então tentei e tento acreditar em alguém como um dia acreditei em Francisco de Sá Carneiro.
Nunca consegui. Ainda não consegui.

Sunday, December 03, 2006

A vida e os livros!

A propósito do envenenamento de Litvinenko occorre-me perguntar se é John Le Carré que copia a vida ou a vida que copia John Le Carré?

Glögg

É oficial, começou a época natalícia.
Foi com um glögg doce e quentinho.
Em redor havia luzinhas e velas.
E houve nostálgicas recordações dos tempos de outrora, cada um com a sua tradição, cada um com as suas memórias.