Tuesday, October 23, 2007

Memórias de viagens III

Quente e húmido.
Estava calor e humidade, como gosto.
Já há muito desistira dos óculos de sol que persistentemente escorregavam pelo nariz. Pu-los na cabeça, a segurar os cabelos. Numa tentativa de os domar enquanto o jipe prosseguia por estradas estreitas ladeadas por impenetráveis florestas.
Chegámos.
Em terra dos Maias, a pirâmide de Chichen Itza surgia de repente, numa imensa clareira insuspeita.
Como nas fotos, é um maciço monte de pedra. Robusto, imponente.
Como nos filmes, muitos turistas a trepam, pequenas formigas lá em cima se vistos de cá de baixo.
Ainda assim, a mente não se apercebe da altura da pirâmide.
Talvez porque o seu ar sólido e compacto a puxe para a terra, a impeça de se projectar no espaço como os pináculos das catedrais.
Talvez porque nos queira enganar, chamando-nos para o seu cume, para onde vamos sem receios.
Os degraus, altos e estreitos, não são fáceis de subir e a ânsia de chegar lá a cima impede-nos de olharmos para trás. Ainda bem! Talvez não chegássemos lá a cima se olhássemos para trás!
Subi, de um só fôlego. Concentrada nos degraus, contornando turistas mais lentos, não me impressionando com os que haviam olhado para trás e ali ficavam, incapazes de subir, temerosos de descer.
Subi.
Até lá acima.
Até ao patamar último de onde a pirâmide revela o seu segredo: a vista espantosa sobre a cerrada floresta a perder de vista.
Mas quando o olhar desce os degraus, esmaga-se contra a lonjura do chão, o coração começa a bater desenfreado, o cérebro bloqueia na frase "não vou conseguir descer" e as pernas ameaçam tornar-se no mesmo suor que nos escorre pelo corpo.
Encostei-me à parede.
Limpei a cara.
Fechei os olhos por uns momentos.
Respirei fundo.
Obriguei o cérebro a pensar que não havia registo de alguém ter ficado, para todo o sempre, no cimo da pirâmide de Chichen Itza.
E eu também não fiquei!

11 Flocos de neve

Blogger Periférico atirou uma bola de neve ...

Este teu Post desperta-me dois comentários distintos:

1º o frio que chegou a Bruxelas começa a puxar pelas tuas memórias de latitudes mais quentes!;-)

2º tu ainda tiveste a sorte de poder subir à pirâmide de Chichen Itza, eu tive lá este ano é agora essa aventura está interdita aos turistas, talvez porque alguém ia mesmo ficando lá em cima para todo o sempre ;-)!

Beijos

10:03 am  
Blogger Carlota atirou uma bola de neve ...

Uma experiência espectacular, é o que transparece da leitura deste texto.
Quando telefonei ao Chefe, no domingo passado, também era lá que ele estava, imagina!
:)

10:22 am  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Periférico
1° Tu nem me fales do frio que me deprimes!
2° Olha a minha sorte. Foi das experiências mais fortes que tive. Juro que pensei que nunca mais descia dali.
Beijos

Carlota
Foi um pouco assustador!
Beijos

10:28 am  
Blogger 125_azul atirou uma bola de neve ...

Que texto fantástico! Sim, estou com o Periférico, abençoado frio que te transporta para outras latitudes. E olha, não vás na TAP, entraram em greve hoje outra vez...
Beijinhos

11:42 am  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Azulita
Abençoado frio!? Nunca...
E na TAP só irei se não puder ser de outro modo!
Beijos

11:55 am  
Blogger Laura Lara atirou uma bola de neve ...

Com estes textos tão bem escritos, é como eu gosto de viajar. Assim cheguei ao topo da pirâmide e não tive de descer.
Beijinhos

12:48 pm  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Laura
Descer era mesmo complicado!
Beijos

2:58 pm  
Blogger Skyman atirou uma bola de neve ...

A gravidade é uma coisa maravilhosa. Obrigado Isaac.
bjo

6:23 pm  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Skyman
Será maravilhosa mas na altura pareceu-me muito perigosa!
Beijos

7:08 pm  
Blogger darkman atirou uma bola de neve ...

tb quero!!!

8:34 pm  
Blogger Pitucha atirou uma bola de neve ...

Darkman
A pirâmide ainda lá está!
:-)
Beijos

8:26 am  

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