Friday, June 29, 2007

Post minimal-repetitivo

Chove como não lembra!

Humor

A notícia de mais uma demissão por causa do tom jocoso de um cartaz, que se junta à história da graça feita à custa do Primeiro-ministro, preocupa-me.

É que além de tudo o que já se disse sobre o assunto, assusta-me ver que os nossos dirigentes estão a perder um dos traços essenciais da portugalidade: o sentido de humor!

O que nos sobrará quando deixarmos de poder/querer/saber rir de nós próprios?

Thursday, June 28, 2007

Café com música

O que eu queria era que a música de ontem de Brad Meldhau e de Pat Metheny me acompanhasse durante o meu café de hoje.

Sobetudo o "Sound of water" que o Metheny tocou fabulosamente num instrumento bizarro, misto viola, misto lira, de onde saía água que imaginávamos livre na natureza, escorregando pelos seixos, rebelando-se contra as rochas, deslizando sob o sol.

Mas o diálogo desejado com o café da manhã só nas minhas memórias ainda enevoadas de sono.

Wednesday, June 27, 2007

Prémios

Este blogue ganhou uns prémios que cumpre agradecer:

Primeiro foi a Catarina, que achou que este espaço era um blogue com tomates.

Depois foi a Cris, que achou que isto era um blogue com grelos, a versão feminina do blogue com tomates.

E por fim foi a Madalena, que achou que o Cinzento merecia a distinção de blogue com ovários.

Pedem-me que nomeie agora os blogues que considero serem femininos, mas com garra.

Aqui vão eles:

Diário da Mulher Aranha
onde certeiramente a Sofia diz o que pensa e pensa no que diz.

Lote 5 - 1°Dto
onde a Carlota prova que é a rainha das astúcias e que sabe o que quer e para onde vai.

Postais de Bruxelas
onde a Sinapse nos ajuda a vencer as saudades que deixou por aqui.

África de todos os Sonhos
onde a Brígida nos deixa sonhar com ela.

Terra de Sol
onde a MCM, não obstante a sua falta de tempo, vai dando um ar da sua graça.

Porque vocês merecem!

Tuesday, June 26, 2007

Tá tudo doido ou quê?

Segundo fontes geralmente bem informadas, os polacos terão dito que "sans 1939-1945, la Pologne serait aujourd'hui un pays de 66 millions d'habitants", numa tentativa de justificarem a sua oposição ao método de dupla qualificação das maiorias que tem em conta, também, a população.

Ora bem, se vamos por aqui, quantos votos deveria Portugal ter, se não tem tido tantas escaramuças com a Espanha, se não tem decidido ir por esses mares fora a dar novos mundo ao mundo? Que isto de contar com os mortos e os não-nascidos, tem muito que se lhe diga...

E já agora, não conseguiríamos, com um pouco de habilidade, chamar a portugalidade que espalhámos por esses continentes fora e argumentar que, por força disso, somos mais, muitos mais, do que os 10 milhõezitos que agora contabilizamos?

Gentes lusas, imaginação ao alto! Ainda vamos ter tantos votos como a França!

*Obrigada Carlota pela ajuda na procura da citação polaca.

Surrealismo político II

Razão tem o pimeiro-ministro luxemburguês quando diz: "Le nouveau traité présuppose un talent spéléologique que les gouvernements et les citoyens n'ont pas".

Monday, June 25, 2007

Surrealismo político

Como é possível chamar "Tratado simplificado" a uma coisa tão complicada?

Sem importância

Continua a chover!
O que não tem qualquer importância, porque o mundo continua a rodar.

Friday, June 22, 2007

Chuva às 16h30

Na altura em que começamos a preparar o fim-de-semana, por entre telefonemas, reservas de restaurantes e de bilhetes de cinema, é que desata a chover.

Não acho normal!

Tratado

Será que é desta?

Para já, mais dois Estados para o Euro.

Isto vai devagar, mas vai.

Thursday, June 21, 2007

Se

Se eu fechar os olhos;
se, sobretudo, não olhar pela janela;
se ignorar o casaco de malha que me aquece;
se meditar profundamente no sentido das estações do ano;
se me concentrar somente no significado do dia 21 de Junho;
se tiver fé;
vou acreditar que é o primeiro dia de Verão!

Sem vontade

Assustou-se com a campainha do telefone.
Que tocou fora de tempo, porque o tempo era de ouvir o silêncio, quebrar o ritmo de palavras ocas com que preenchera o tempo até aí.
Levantou-se e atendeu.
Eram mais palavras vazias, sem mensagem, sem consequência. Conversa mole para justificar uma existência monótona, coisa sem jeito para encher sorrisos e provocar cumplicidades.
Então eu disse, e ela disse, e eu respondi e ela não percebeu e eu insisti, e ela, sabes como é, não entende mesmo e eu ri para dentro e disse então vemo-nos amanhã na festa e ela disse que sim e tu?
E eu?
Vens à festa?
Não sabe. Só sabe que quer desligar o telefone, embrulhar-se em silêncio.
E se for à festa é porque é mais silencioso ir do que explicar porque não vai!

Wednesday, June 20, 2007

Boas leituras

A Madalena passou-me mais uma incumbência: referir os últimos livros que li.

De momento tenho em mãos "Ségou - Les murailles de terre" de Maryse Condé.

Antes ainda, "The Moor's Last Sigh" de Salman Rushdie.

E ainda José Saramago, "As pequenas memórias" e "Suite Française" de Irène Némirovsky, os dois para clubes de leitura.

E para matar a curiosidade e continuar a corrente, passo o testemunho a:

Tuesday, June 19, 2007

Ainda os livros

Mandei vir uns livros do Brasil, a título de prenda de anos auto-oferecida.

Entusiamada, fui a correr mostrar aos amigos portugueses.

Reacções parcas, controladas, quase de encolher os ombros.

Helllooo, insisti, vieram do Brasil, directamente de S. Paulo...e nada, mãos que tocavam os livros desinteressadamente, só porque são meus amigos!

Até que confessaram: irrita-me ler brasileiro, disse-me mais do que um.

Oi? Esse jeito tão gostoso de falar, assim mesmo escrito, cheio de samba e de música, a gente sente até o calor, o doce da caipirinha...você não gosta não?

Monday, June 18, 2007

Ele há coisas!

Obrigaram-me a comprar daqueles óculos de plástico que são supostos proteger os olhos durante as sessões de solário.

Sabem, aqueles pequeninos, que nos fazem ficar com ar de moscas electrónicas?

Parece que são obrigatórios por lei, aqui na Bélgica! Pergunto-me se haverá alguma vez controlos policiais à porta dos solários...

Adiante, porque a história é outra.

Comprei portanto os tais óculos, cor-de-laranja, para completar a vossa informação (havia verdes e roxos, também!).

Vinham numa discreta caixinha de plástico, com instruções.

Com instruções?

E fui logo ver que tipo de instruções poderiam ter aqueles óculos rídiculos, com umas lentezinhas mínimas, o suficiente para se conseguir ver quantos minutos faltam para o fim da sessão e ainda assim com muita dificuldade...

Pois bem, explicavam as instruções que o elástico devia ser colocado ao tamanho da cabeça (se não têm dito!), que os óculos se lavavam com água (não fosse passar-me pela cabeça lavá-los com vinho) e que não se devia conduzir com eles postos!

Conduzir? Tipo, um carro, uma mota, essas coisas? Com aqueles óculos?

Friday, June 15, 2007

Mais valia ter ficado em casa

Quando as pessoas vão abandonando a sala de um espectáculo à medida que este vai decorrendo, é mau sinal!

E ontem à noite foi o que aconteceu.

E apesar de nos dizeram, na publicidade do concerto, que havia semelhanças entre o fado e o "villancico" do séc. XVI, ali notou-se muito pouco.

Não tanto pelo grupo "Huelgas ensemble" cujas vozes afinadas e timbradas pouco podiam fazer contra a monotonia do reportório, mas sim pelos fadistas (Beatriz da Conceição e António Rocha) que cantaram um fado desinspirado e mal interpretado.

Na plateia, entre os portugueses, havia surpresa e desilusão perante a excelência com que o fado, aquele fado, era apresentado.

Excelência no fado há, como há alma, como há saudade, mas não ali, não ontem.

Thursday, June 14, 2007

Prendas

Uma amiga que me oferece "The very best of Supertramp" ou acredita muito na possibilidade de me recuperar para gostos musicais normais ou, no fundo, no fundo, detesta-me!

Wednesday, June 13, 2007

Exercício

Com a caneta a rodar entre os dedos, imagina palavras profundas para expressar a angústia.
Profundas e negras.
Palavras de mal-estar e de desespero.
Procura-as nessa caneta que roda entre os dedos.
Olhando para a folha branca percebe que, para certas emoções, não há palavras.
Pousa a caneta.

Tuesday, June 12, 2007

Achegas para um debate


Segundo a Constituição belga, o Reino da Bélgica é constituído por Comunidades e Regiões.

As Comunidades são três: a francesa, a flamenga e a alemã.

As regiões são três: a Valónia, a Flandres e a de Bruxelas

Cada comunidade tem a sua língua, cada região o seu governo.

Enfim, lá estou eu a simplificar, a região de Bruxelas é bilingue e as comunidades também têm governo!

Partidos são, pelo menos 27 que vão da extrema-esquerda à extrema-direita. Muitos deles partidos - espelho, isto é, em versão francesa e em versão flamenga.

Com tanto partido, maiorias são impossíveis pelo que o governo federal (sim que isto é uma federação!) é sempre oriundo de uma coligação entre partidos. Como eles são muitos, as coligações possíveis também são várias.

E depois há o Rei.

Fácil, não?

Monday, June 11, 2007

Pequenos pazeres da vida II

Ir para a cama, já com o dia a raiar, depois de animado serão!

Obrigada

Há aqueles amigos que toda a gente sabe que são, nós e eles, e que são os melhores do mundo, mesmo se nem sempre os merecemos!

São aqueles com quem partilhamos risos e lágrimas, sonhos e desilusões.

Depois há aqueles que a vida aproxima e que se revelam, em cada dia que passa, como sendo feitos da massa de que são feitos os melhores amigos do mundo. Começamos a partilhar risos e, quem sabe, um dia, se necessário, serão ombros para outras lágrimas.

E depois há aqueles que nos apanharam num momento particular da vida, que nos libertaram de remoinhos sem mesmo o saberem. Estão na lista dos amigos. Mas eles não sabem. E nós não sabemos como dizê-lo.

Friday, June 08, 2007

À espera de chuva

Este céu pesado, carregado de ameaça de trovoada, de chuva previsível, este calor abafado que humidamente se cola à pele, esta luz branca, filtrada, que queima como o sol mas espalha a melancolia das nuvens conduziu-me, pelas imagens que colho das páginas dos livros, às monções.

Realidade que não conheço e que, esta curiosidade que me mata, adorava viver.

Fico-me com a promessa de trovoada.

Wednesday, June 06, 2007

Pequenos prazeres da vida

Ler enquanto se come.
Porque será que em pequenina me diziam para não ler à mesa?

Tuesday, June 05, 2007

Reputações

Custam a criar e a manter, as reputações, como bem se sabe.

E eu, admito, sou ciosa da minha!

Mas, por vezes, em face de certas reacções, sou obrigada a meditar sobre que raio de mensagem ando eu a passar aos outros!

Explicando-me.

Estou em activa preparação de uma festa, com o sábio acompanhamento de prendadas amigas, porque em matéria de cozinha estou cheia de boas-intenções que, é sabido, não bastam!

Como um dos traços da minha reputação é (enfim, pensava eu!) a organização, comecei cedo as preparações.

E como se afigura que a soirée será de muitas caipirinhas, resolvi picar gelo, em quantidade suficiente, usando para tal uma máquina eficaz mas pouco moderna, totalmente de tracção animal. Para não estar a dar à manivela na altura, nada melhor do que picar o gelo antes e libertar a minha disponibilidade para receber os convidados como deve ser, pensei.

Ufana com a minha atitude, não deixei de vangloriar-me ao pilar principal da "task force" que me apoia nestas coisas.

Ela, em vez de se impressionar, perguntou-me, acho eu que meio a medo, "e guardaste o gelo picado no congelador?"

Questões:

Acham que isto é normal? Acham que alguém guardaria o gelo picado fora do congelador?

Questão mor:

Porquê? Porque é que lhe passou pela vista que eu poderia ter guardado o gelo picado fora do congelador?

Monday, June 04, 2007

Limpezas

Em dia de arrumações, por entre o pó acumulado e as teias de aranha que se colam à pele, há, por vezes, surpreendentes achados que, passada a emoção do inesperado, suportam a justeza de decisões tomadas.

Friday, June 01, 2007

Navegando

Sentados no convés, viam a terra afastar-se. Devagar, devagar, como o ritmo das mudanças nas vidas monótonas que viviam.

Deixaram o olhar perder-se nas luzes que se iam acendendo na lonjura da terra que cessava de o ser, engolida pelo mar, tanto mar, até ficar só mar e o barco isolado nesse limbo marinho, de horizontes fundos até o mar e o céu serem só um, só mar ou só céu, nesse fim de mundo para lá do qual os olhos não alcançam.

Quase se diria que iam em silêncio.

Como silêncio, se o motor do barco ronrona em segura permanência, se o bater das vagas alimenta sonhos salgados de grandes aventuras, se o uivo do vento desenha gaivotas que não chegam até aqui?

Iam somente em ausência de palavras. Entre eles. Mas perdidos em palavras interiores, em longas conversas consigo mesmos, porque o mar tem dessas coisas, essa capacidade de nos fazer vibrar com a imensidão e essa faculdade de nos reduzir à nossa individualidade pequena, encolhida ainda mais pela escuridão que agora os rodeava.

Respiraram profundamente o ar húmido e salgado (humissalgado como diria Mia Couto) acreditando que um dia reencontrariam terra.