Tuesday, July 31, 2007

Porque hoje estou assim!

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois com ele tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que como o acidente em seu sujeito,
Assim co'a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

Luis de Camões

Caso vos apeteça

Espreitem aqui o projecto do novo Tratado:

http://www.consilium.europa.eu/cms3_fo/showPage.asp?lang=fr&id=1317&mode=g&name=

Decisões para tomar

E as férias que nunca mais chegam?

Monday, July 30, 2007

Sem tempo

Entrou no carro.

É uma forma como outra qualquer de começar uma história.
Claro que posso dizer que era uma vez uma pessoa que entrou num carro.
O que é importante é saber-se que entrou no carro.

Não direi ainda se é homem ou mulher.

Creio que é melhor deixar que escolham, por uns instantes, o sexo de quem entrou no carro.

Direi que é um carro grande, preto, automático, cheio de coisas electrónicas que são supostas facilitar a vida de um condutor, que lhe dizem que está frio, sem necessidade de abrir a janela e de pôr a mão de fora, que lhe indicam o caminho sem ser preciso desdobrar mapas ou perguntar a algum passante, que lhe fazem sinal que o telemóvel está a tocar e lhe reduzem imediatamente o som da rádio para que a comunicação se faça nas melhores condições.

Os estofos, de cabedal, estão imaculados, sem sinal de migalhas de bolacha, ou de papéis soltos que se aproveitam para ler enquanto o semáforo está encarnado.

Não penso que carro assim possa ser de uma mulher!

Mas, por enquanto, ainda é indiferente. Homem ou mulher que seja, entrou no carro.

Olhou para o relógio e apercebeu-se de que era tarde.

Mas talvez ainda chegasse a tempo, se não houvesse muito trânsito.

Sentiu os nervos a aflorarem a pele; não gostava de ter a sua vida influenciada por factores que não controlava. Atrasara-se porque a reunião se prolongara para além do previsto e agora estava dependente de todos os demais condutores e da probabilidade de já estarem em casa a estas horas, libertando assim a normalmente atarefada auto-estrada.

Um bip decidido fez-lhe desviar os olhos do relógio. O ecrã do pequeno computador de bordo anunciava-lhe uma mensagem.

Em segredo desejou que fosse quem queria que fosse.

Arrancou sem verificar. Tinha pressa e preferia não saber a ter uma desilusão!

Uma perguntinha

O oposto de Inócua e Ócua?

Help

Apesar de ter visto todo o "Sex and the City" não aprendi nada!
Alguém tem dicas sobre a arte de sedução?
É urgente!

Friday, July 27, 2007

Falta de pachorra

Deve ser por ser sexta!
Estou com uma falta de pachorra para aturar certas coisas!...
E, além do mais, quem tem medo compra um cão, sempre ouvi dizer.

Thursday, July 26, 2007

Susto

Assim por uns instantes pensei que o mundo tinha parado de rodar!

Ou então que, por milagre divino, o Iraque, o Afeganistão, a Palestina, o Sudão, todos esses locais onde a morte e o horror são moeda corrente, tivessem acordado em paz.

Ou ainda que a chuva tivesse cessado de vez e que a terra tivesse engolido de um só golo as terríficas cheias em Inglaterra e no País de Gales.

Ou mesmo que tivessem acabado os terroristas não tendo, portanto, o primeiro-ministro Brown necessidade de pedir reforço de medidas anti-terrorismo, nomeadamente o prolongamento da prisão preventiva.

Enfim, qualquer coisa que justifique que o telejornal da RTPi se inicie com, segundo o pivot, a notícia do dia: "O Benfica perdeu Simão Sabrosa"!

Wednesday, July 25, 2007

Sono

Tenho tanto sono!

Tuesday, July 24, 2007

Quieta

Deixei-me estar
Quieta
A observar
O movimento do sonho
A dançar
Em arrebatados movimentos
Assustadores
Em suaves envolvimentos
De muitas cores
Em esvoaçante abraço
Desejado
Num beijo melódico
Suspirado

Deixei-me estar
Quieta
A esperar

Cinzento

Hoje estou como o título deste blogue, como o céu que se vê daqui da minha janela.
Cinzento, sem perspectivas de azul, sem suspeitas de amarelo.
Cinzento.
Com chuva!
Cinzento.
Com frio!
Cinzento.
Apenas.

Monday, July 23, 2007

A sonhar

A sonhar acordou.
Deixou-se ficar enroscada na almofada, entre aqui e lá, a saborear o sonho iluminado agora pelos raios de sol que entravam pela janela entreaberta.
Levantou-se com a determinação de viver esse sonho.
Achou que deveria tratá-lo com a suavidade com que se tenta apanhar uma bola de sabão, que segue o seu caminho rebolando em dedicados arco-íris efémeros.
O sonho era belo como um arco-íris e, se calhar, feito, como este, de água e de sabão e do encanto de uma criança.
Não, não era boa ideia apanhar o sonho. Iria estalar como a bola de sabão e decerto não traria atrás uma gargalhada de menino, nem outra bola de sabão e mais outra...
Este sonho, único, deveria ser deixado, assim, a voar entre os raios de sol, para os reflectir, declinando-se nas cores do arco-íris.
Ela, ela decidiu que ia seguir esse sonho.

Friday, July 20, 2007

Indecisão

Baixou a cabeça e respirou fundo!
Era o momento das decisões e nestas alturas todas são pesadas e difíceis.
Olhava para as folhas húmidas das árvores e adivinhava nelas uma facilidade de vida que invejou.
Porque, se calhar, a vida deveria ser assim, um leve agitar no tronco, um suave desprendimento em mudança de tons, acompanhando as estações em cíclica mutação onde a renovação é certa.
Pensou em fugir. Afinal, tantas vezes o fizera antes. Mesmo quando aparentemente ficara, fugira: de algo, de alguém.
E só o reconhecia nestes momentos de lucidez, nestes momentos em que se perguntava pelo sentido da vida.
Fora destes momentos, limitava-se a viver, sem fazer perguntas para não ter que ir à procura das respostas!
Teve pena de não fumar. Este era um dos momentos que sentia que o cigarro iria bem com o que o rodeava.
E ocupar-lhe-ia as mãos.

Thursday, July 19, 2007

Citação

Para aqueles, já a atirar para o fora de prazo, que ainda se lembram da série "Get Smart", vai esta citação fantástica que encontrei num momento de nostalgia e de regresso ao passado:

" - How can we believe a man who would sell out his friends?

- Dumbkopf! Who else are you supposed to sell out? You can't betray enemies!"


Letras

Tenho que admitir que muitas das escolhas que fiz na vida foram pragmáticas.
Deu no que deu e não me queixo!
Mas, do que eu gosto mesmo é de letras, que fazem palavras, que me contam histórias, que me fazem rir ou chorar, mas sempre sonhar, que me transportam para outro mundo...
E agora apareceu um blogue que me delicia a cada novo post!
É mais um de Bruxelas (como a chuva é musa inspiradora!), de uma menina que a vida cruzou brevemente comigo mas que agora me acompanha muito regularmente.
Continua a escrever Pessoana.
Para nosso deleite.

Wednesday, July 18, 2007

Carta aberta a um desconhecido

Cruzamo-nos por vezes.
As vezes suficientes para sabermos que existimos.
Só isso.
Por vezes apetece sorrir mas ficamo-nos por um educado cumprimento.
Pode até ser que sorriamos. Mas é um sorriso sem alma, sem brilho nos olhos, aquele que se afivela para aligeirar o bom-dia maquinal.
Ainda não houve ocasião de trocar mais palavras que permitissem ir para além do mero saber da existência do outro. Palavras que permitissem um reconhecimento mais caloroso, que nos dessem a conhecer os nomes, que nos autorizassem trocas de impressões sobre o tempo que faz.
São os acontecimentos fora do habitual que nos permitem quebrar a rigidez destas estruturadas relações pessoais: por vezes, ao ver-te passar, penso que um nevão em Julho daria para te dizer, depois do bom-dia habitual, já viste isto? que coisa disparatada um nevão em Julho.
Mas enquanto não acontecer um nevão em Julho, vamos passando, sabendo que existimos mas sem nos conhecermos.

Tuesday, July 17, 2007

Mais!

Um menininho da minha predilecção insiste em repetir as mesmas brincadeiras quando me vê.

Vamos fazer o avião? Agora eu vou-me embora e tu não deixas, tá bem? diz, decerto antevendo gargalhadas e bem-estar.

Como o compreendo!

Faço tudo para repetir emoções, reviver momentos felizes, prolongar o prazer.

Dizem-me que é insensato, que devo olhar o futuro e não ficar presa ao passado. Compreendo. Em teoria compreendo.

Mas, ainda assim, deleito-me em recordações, deixo-me ficar no sofá, ao som da chuva a bater nos vidros, a ouvir Maria Bethânia em disco recente, impulsivamente comprado na FNAC local, e a deixar que o concerto do passado dia 6 de Julho, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, me envolva, me faça sentir de novo o espanto, a alegria, a nostalgia que vivi.

Procuro sentir de novo o sorriso quando ela canta "O marujo português", sentir de novo a estranheza quando ela diz "Iemanjá Rainha do Mar", sentir de novo o reconhecimento quando repete que "navegar é preciso".

Sobretudo, procuro sentir de novo a profunda emoção quando ela entoa "lágrima por lágrima/hei de te cobrar/ todos os meus sonhos/que tu carregaste/ hás de me pagar".

Eureka

Que é como quem diz: achei!
Já percebo o clima daqui!
No fundo, estes tipos estão há anos a aperfeiçoar a ... sandwich de Verão: duas grossas fatias de chuva e um pouco de sol no meio.

Monday, July 16, 2007

Câmara

Então e o que me dizem das eleições em Lisboa?

Friday, July 13, 2007

Sexta 13 - IV

Recebido por e-mail

Perguntaram a Buda:
"O que mais te surpreende na humanidade?"
E ele respondeu:
"Os Homens... porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro,
e vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido!"

Sexta 13 - III

Consegue ser pior, sim!
8h30: o meu director chama-me e dá-me uma tarefa urgente.
Faço o necessário para dar seguimento às instruções.
Assim, na sequência de e-mail mandado a pedir informações, começo a receber documentos.
Vou para aí em 300 páginas.
E temo que ainda não tenha chegado tudo.

Sexta 13 - II

Admito, há qualquer coisa com sexta 13!
Fui buscar café à máquina, gesto habitual, diário, automatizado.
Enquanto esperava pelo elevador para me trazer de volta ao meu gabinete reparei que os seguranças cantavam animados o "atirei o pau ao gato".
E não, não são portugueses...

Sexta 13

Chove, está frio e o fim do dia está longe.
Conseguirá uma sexta 13 ser pior?
Para já, vou tomar café!

Thursday, July 12, 2007

Voltas da vida

A vida dá umas voltas giras!
Por causa delas dei por mim, ontem, na estreia do Harry Potter.
Não há dúvida que o moço tem seguidores.
E eu que não consigo encantar-me!

Wednesday, July 11, 2007

Do Tratado e do referendo

João, o meu problema não são os referendos.
O meu problema são as pessoas que tomam furiosamente posição (contra o Tratado porque é o que está na moda) sem saberem o que está em causa.
Claro que não é o teu caso.
Porém, jantar recente com colegas da universidade assustou-me.
Convictamente contra, mas sem saberem distinguir o Conselho da Europa do Conselho da União Europeia.
Convictamente contra, mas sem saberem como se tomam decisões na União Europeia.
Convictamente contra, mas sem saberem que o primado do direito comunitário é jurisprudência assente do Tribunal do Luxemburgo desde o tempo em que nem sonhávamos vir a pertencer à CEE
Só convictamente contra!
É pouco convenhamos.

Ocas

As palavras são ocas.
São meras embalagens, mais ou menos coloridas, mas vazias por dentro.
Cabe-nos a nós enchê-las; recheios doces, outros amargos, contentes ou tristes...somos nós que lhes damos sentidos e que lhes colocamos os laçarotes para que os outros tenham vontade de as abrir, de ver o que está escondido em cada palavra.
Por vezes não sabemos como completá-las e as palavras são lançadas ao vento leves e sem sentido. Por vezes queremos meter na palavra coisas demais e ela afunda-se com o peso. Ou rasga-se. E as palavras rasgadas ficam abandonadas, a verter sentido sem sentido nenhum. Por vezes abusamos dos enfeites, laços brilhantes, papel colorido, e ninguém fica com vontade de as abrir. Quem sabe quantas palavras escondem assim tesouros perdidos?
E as palavras vazias? Que absorvemos com sede de conteúdo e a sede continua ali, permanente, sem palavras cheias que a saciem.
Hoje encho pacientemente as minhas palavras de raios de sol inventados, saídos da minha imaginação, para que aqueçam o dia cinzento.
Bom dia!

Tuesday, July 10, 2007

Mais grelos

Mais um prémio desta vez atribuído pela divertida DIV.

Agradeço e, absolutamente, retribuo.

Monday, July 09, 2007

Ainda mais livros

A Nancy, do Geração Rasca, pede-me a lista dos cinco últimos livros que li.

Actualizando, portanto, a lista já feita anteriormente, acrescento que também já li:

The Kite Runner de Khaled Hosseini

As máscaras de Salazar de Fernado Dacosta

Orgias de Luis Fernado Veríssimo

A mulher que escreveu a Bíblia de Moacyr Scliar

Bala na Agulha de Marcelo Rubens Paiva

Em mãos tenho, neste momento, The God Delusion de Richard Dawkins.

Saco de pancada?

Numa festa com amigos portugueses, que não via há muito tempo.
Porque será que cada funcionário comunitário é saco de pancada e culpado de todos os males de Bruxelas?
Hesitante entre dizer que não sou o Durão Barroso e defender a minha dama, optei pela última posição.
Quer queira, quer não, sinto-me um pouco embaixadora da ideia da União Europeia!
Mas começo a ficar cansada da ideia de que em Bruxelas somos todos uns inaptos imbecis...

Thursday, July 05, 2007

Post resignado

O que há-de uma pessoa fazer senão resignar-se?
Aceitar as coisas como são!
Talvez até recostar-se no sofá expirando os últimos sopros da revolta.
No fundo, tudo isto é arte.
Nos vidros das janelas, os pingos enchem o espaço de música antes de desenharem quadros deslizantes, em movimento, escorregando, ora devagar, ora depressa, traçando curvas e rectas, recebendo mais gotas musicais, plim, plim, plof.
No céu, agora tão perto que parece que basta esticar o braço para tocar nas nuvens, o cinzento esbate-se em tons de chumbo, húmidos, possantes, espalhando em halos difusos as luzes da cidade e dos carros que passam.
Por vezes, ao longe, uma nesga de claridade permite esperanças infundadas que logo se afogam neste ritmo contínuo da chuva que, parece, veio para ficar.
E porque não fechar os olhos e deixar-se embalar pelos andamentos chuvosos, do piano das pequenas gotas ligeiras até ao forte dos grossos pingos que se esmagam nos vidros e se multiplicam em gotículas esvoaçantes?
As cores, essas procuram-se nos múltiplos guarda-chuvas que cruzam as ruas da cidade.

Tuesday, July 03, 2007

Cidade

Era difícil de explicar aquele aperto que sentia quando cruzava esta parte da cidade.
Um sufoco que a obrigava a fugir, a procurar outras zonas onde, fingia, se sentia melhor.
Abertamente rejeitava essas ruas.
De forma convincente até.
Tentava convencer-se convencendo outros. Mas, convencendo-os não se convencia. Restava-lhe afastar a imagem da ideia, fugir dela também.
No entanto, sentia-lhe a falta que fazem os sítios onde se sentia bem.
E por isso procurava essas ruas.
Em ilusão de felicidade.
Mas, quando percorria esta parte da cidade, era de sufoco a emoção, de lágrimas controladas, de desejo insensato que esse espaço a acolhesse com um sorriso de cidade, com cores de Outono que pensaria serem suas, com memórias antigas vividas ao longo de épocas.
Custava-lhe aceitar que o seu amor incondicional fosse assim rejeitado, por ruas que não a conheciam, por prédios que não guardavam histórias suas, por episódios onde não interviera.
Restava-lhe o resto da cidade, a parte que, essa sim, era sua, a parte que, por ver tantos turistas, não tinha sentimentos de pertença, não tinha laivos de exclusividade, acolhendo locais e forasteiros candidamente, confortavelmente.
Sabia que, por mais que sonhasse, aquelas ruas nunca seriam suas.
Como gostaria de poder desligar-se delas…

Apelo

Querido Verão

Se fiz alguma coisa que te desagradou, peço desculpa.
Sei que, por vezes, sou distraída e que nem sempre agradeço, como devido, quando nos brindas com os teus quentes raios solares.
Mas não o faço por mal, acredita!
Fico até muito contente quando posso sentar-me ao sol a ler, quando posso reunir-me com amigos numa esplanada, quando posso ir até à praia...
Gosto muito de vestir a minha roupinha mais ligeira, prefiro os óculos de sol ao guarda-chuva, adoro andar com a capota do carro aberta.
Portanto, volta!
Volta e desculpa qualquer coisinha.