Friday, September 28, 2007

Bom fim-de-semana

Há assim alturas em que as referências se esvanessem, como se o norte, tanto esse como o magnético, se mudasse e qualquer bússola fosse um instrumento sem utilidade e até sem qualquer beleza.

Alturas que que se alteram as nossas circunstâncias e ficamos indecisos, sem saber onde estarão seguros os nossos passos, lentamente delimitando novas barreiras de segurança.

Momentos em que até os sonhos soltam as rédeas e têm imaginação que nem a nossa imaginação concebe.

E ficamos parados, à espera que o nosso mundo páre de rodar a vertiginosa velocidade, dando-nos equilíbrio para pensar, para avançar, para sentir de novo confiança.

Thursday, September 27, 2007

Terceira via

Parece que é a solução para a crise no PSD é uma terceira via!

Talvez seja, mas não com qualquer um. Só se for com Santana Lopes.

Ao menos com Pedro Santana Lopes, a gente divertia-se, tinha imenso assunto para posts, quebrava-se a monotonia.

Só não prometo o meu voto porque com esta confusão toda esqueci-me de pagar as quotas!

Bolas, logo agora que arranjei candidato!

Wednesday, September 26, 2007

Que tristeza

Ontem a minha veia patriótica aguentou o telejornal até à parte do PSD (a seguir ao futebol, está bem de ver!).

E depois de ouvir o Menezes lembrei-me do que me disse uma amiga: do mal o Marques!

Mas é um bocado como saltar da frigideira para o lume, não é?

Tuesday, September 25, 2007

Recuerdos

Entre sorrisos e gestos amplos, ia explicando a sua viagem a Cuba, o sol que lhe bronzeara a pele, o mar, quente, azul turqueza, os mojitos e a simpatia dos indígenas, a música salsante, dançante, a degradação dos edifícios...

E compras? Perguntamos por vício de primeiro mundo.

O habitual nestas ocasiões: t-shirts, CD, charutos.

Ah, e um livro, acrescenta divertida. Um livro sobre direitos humanos escrito por Fidel Castro!

Monday, September 24, 2007

O meu Moleskine e eu (13)

A desgovernada Bélgica anda em maré de procurar os culpados da sua falta de governo.

Aqui, como em todo o lado, os culpados são sempre os outros!

Só que aqui, os outros também são belgas mas só depois de serem valões ou flamengos e, se os ouvirmos falar, são belgas à força, sem quererem, sem convicção.

Daqui até clamar pela separação das águas, vai um pequeno passo que muitos não se importam de verbalizar, em tons que aos nossos ouvidos estrangeiros nos soam exagerados, rídiculos, histéricos até!

Passa lá pela cabeça de alguém falar em guerra neste pequeno país plano (como diria o Jacques Brel)?

Pois parece que passa!

Pelo sim pelo não, outros belgas, talvez mais realistas, talvez menos flamengos ou valões, vão arvorando à janela a bandeira tricolor da Bélgica e vão colocando autocolantes nos carros a dizer "Oui, je suis belge".

Vou estando atenta. Até porque a ideia de ter amigos belgas que se preparam para fazer guerra por Bruxelas, cidade pretendida pelas duas comunidades, não me agrada. Apetece-me dizer-lhes que Bruxelas não é deles, é nossa, é de todos os que aqui vivem, e que são, pelo menos, de 27 nacionalidades diferentes, mais todas aquelas de países não pertencentes à União Europeia. Apetece-me dizer-lhes que tenham juízo, que estas coisas não se resolvem a tiro.

Mas eles olham para mim, sérios, e dizem que a Bósnia foi, é, logo ali.

Friday, September 21, 2007

O meu Moleskine e eu (12)

Não me pronuncio sobre a saída de Mourinho, não conheço as razões que estão na base de tal decisão (a bem dizer, nem quero conhecer!), sei que se trata de um treinador de reconhecidos méritos, mas ainda assim acho que há qualquer coisa de imoral no montante que vai receber.

Thursday, September 20, 2007

Ai, ai

Cinzento, frio. Ele há dias em que uma pessoa não devia sair da cama!

Wednesday, September 19, 2007

Numa tarde

Quando o telefone tocou, tinha as mãos cheias de pó. Tinha decidido, depois de titânica luta interna, arrumar os papéis. Finalmente! Quase que acrescentara de vez! Mas sabe-se bem que os papéis nunca ficam arrumados para sempre, de vez!

O telefone continuava a tocar.

Ainda a sacudir, em vão, as mãos ao pano, olhou, curiosamente, o nome de quem lhe interrompia assim esta tarefa tão arduamente empenhada.

Anónimo o número.

Se o nome lá estivesse marcado não atenderia. Falaria mais tarde, com as mãos limpas e os papéis arrumados.

Atendeu. Não resistiu a saber quem lhe telefonava, assim inopinadamente, escondendo-se atrás de um número anónimo.

Atendeu com distância, como se aborda o desconhecido, incomodada com o pó nas mãos e a decidir mentalmente o que fazer com os papéis que decidiu pôr em ordem.

Depois, sorriu, largou o pano e sentou-se.

Tuesday, September 18, 2007

Desafio antigo

A Madalena e a Sinapse fizeram-me um desafio. Antes de férias que já foram há uma eternidade e que quase, quase apagaram por completo a memória das obrigações por cumprir. Mas como sobrou o quase quase, fiquei com a vozinha a cantar baixinho cá dentro, olha que ainda tens coisas para fazer, que isso de andar para aí a achar que a blogoesfera não tem importância nenhuma não resulta, a tal ponto que o melhor é responder e não pensar mais no assunto.

Filmes. Desta vez são filmes. Filmes e cineastas e logo dez, não obstante três ser a conta que Deus fez.

Ora, eu, de filmes sou assim uma consumidora assídua mas um tanto ou quanto distraída, como aqueles consumidores que comem queijo da serra de supermercado com a mesma alegria com que engolem o verdadeiro. No fundo, o que se quer é que fiquem felizes, pois um consumidor feliz continua consumidor.

Assim sou eu: uma feliz frequentadora das salas de cinema. Dificilmente poderei introduzir a palavra cinéfila no meu cartão de visita, até porque as amigas cinéfilas que tenho saltariam a terreiro para me desmentir e deste modo cobrir-me de vergonha.

Portanto, e com todo o respeito que me merecem a minha tia blogoesférica e a enviada especial do gang de Bruxelas no novo mundo, aqui vão as minhas preferências tal como desorganizadas se encontram no meu coração:

David Lean! E Woody Allen! E ficarei por aqui em matéria de realizadores porque tudo o mais será pretensão e muito google.

Lawrence of Arábia, Fresa y Chocolate, The Sound of Music, The Last Emperor, The White Countess, marcaram-me. Acrescente-se Meryl Streep, Woody Allen, Jeremy Irons, Jane Fonda, Nicole Kidman e George Clooney (who else?) e ficam com uma ideia clara da minha pouca profundidade cinematográfica.

Para vos desiludir de vez, que uma pessoa também não pode brilhar em tudo, não gosto, nadinha mesmo, do Jack Nicholson.

E como a blogoesférica não se compraz com correntes históricas não a passo a ninguém. Fico por aqui!

Monday, September 17, 2007

Ainda os livros

Pede-me a Chuinga que diga os livros que me marcaram e aqueles que nem por isso!

Tarefa complicada.

Presumo que o primeiro livro que me marcou tenha sido algum, de pano, que folheei em bébé e que a memória já nem recorda. Devo ter gostado do toque das páginas, da descoberta da página seguinte, talvez das cores dos desenhos, decerto das histórias que, a partir das vozes dos adultos que me acarinhavam, me transportavam para mundos encantados.

O certo é que o bichinho pegou.

Depois, cada livro, fosse ele da Anita, dos Cinco, dos Sete, do Colégio de Santa Clara ou de Quatro Torres, fosse ele da Condessa de Ségur ou mesmo do Tio Patinhas, cada livro, dizia eu, era uma emoção de descobertas: e desejei estar interna num colégio, desejei conhecer Londres e Paris, desejei escrever as minhas próprias coisas em desajeitados cadernos pautados.

Cresci a ler e a reler a Minha Primeira Enciplédia (acho que da Verbo Juvenil) e a maravilhar-me com o sistema solar.

Cresci a ler e a decorar "365 Histórias de Encantar".

Cresci a ler e a enternecer-me com "O Meu Pé de Laranja Lima".

Cresci a ler e a ironizar com a "Mafalda".

E continuo a crescer com os autores que me encantam, sejam eles Naipaul ou Mia Couto, Roth ou Pepetela.

O primeiro livro em que encravei, em que não consegui passar para o lado de lá da história, foi "A Cidade e as Serras", talvez lido cedo demais, que nos livros, como em tudo, há um tempo certo. Não matou Eça, o fenomenal Eça, mas arruinou "A Cidade e as Serras".

Depois, percebi que há livros maus. Mal escritos, mal engendrados, mal acabados. Mas isso foi mais tarde, quando me foi dado espírito crítico à força de tanto ler. Esses, hoje, já não leio. Foi o meu último passo de crescimento: abandonar um livro, pô-lo de lado, saber que o meu tempo é curto demais para todos os bons livros que há para ler.

Não te respondi Chuinguita e isto já vai longo. Talvez volte ao assunto para me pormenorizar mais. Até lá, continuarei a fazer a diferença entre os livros maus, que não leio, e aqueles que, por génio dos autores, me enchem a cabeça de sonhos e de histórias, me fazem crescer e aprender e que, por isso, marcam a minha vida.

Friday, September 14, 2007

Bater

Um murro, uma tentativa de murro, um quase murro, uma palmada, uma tentativa de palmada, uma quase palmada...
Tanto bastou para transformar o homem numa besta pronta a ser sacrificada.
Tanto bastou para que todas as desgraças do mundo se reduzissem à mais completa insignificância.
Um pedido de desculpas ao povo português (a mim?) e o homem voltou ao altar.

Thursday, September 13, 2007

Não aguento mais!

Tenho feito um enorme esforço de contenção para não falar do tempo.
Decerto notaram tal!
No fundo, preocupo-me em não acentuar em demasia esta minha tendência, quiçá britânica, para falar do tempo, o tempo todo.
Mas não posso mais!
Não aguento!
Tenho que dizer. Tenho mesmo.
É que perfaz hoje 10 dias que regressei de férias. 10 dias de tempo cinzento!
Também não acham normal, pois não?

Tuesday, September 11, 2007

Nine eleven

Há seis anos, o mundo mudou.
Recordo-me de estar no meu gabinete e de começarem a chegar ecos de que algo se teria passado em Nova Iorque.
Só à noite, em casa, vi as imagens, aterradoras, que marcaram o início de uma nova era. Uma era onde o medo impera e a segurança se tornou palavra chave.
Continuo a achar que a democracia e os direitos humanos são mais importantes!

Novos vizinhos

Das ventanias figueirenses surge um novo blogue!
Bem-vindo Skyman.

Sorriso

Sisudamente, enviei um mail inquirido das disponibilidades de bilheteira de um musical em Londres para determinada data.

Sisudamente, despedi-me segundo os usos e costumes e fiquei a aguardar resposta.

Que chegou nestes termos:

Hi

I'm afraid that the performance of the fabulous and devastatingly wonderful musical is already sold out. We may have returns available nearer the time but perhaps you might consider the equally terrific perfomances the day before.

Kind thoughts

E eu sorri. Não obstante não haver bilhetes!

Saturday, September 08, 2007

Manipulação

É impressionante verificar a facilidade com que as pessoas mudam de opinião e não se coíbem de manifestar e de defender as suas novas posições como se tratasse de compromisso antigo, maduramente reflectido e mesmo com raízes familiares, généro, até o meu avô já pensava assim e por isso sofreu!

Vem isto a propósito da telenovela real, "McCann e a Madeleine perdida" que passa regularmente na TV portuguesa e de vez em quando também nas demais, mas isso é só quando há, de facto, novos elementos a relatar.

Como se fossem da família, houve pessoas que manifestaram a sua tristeza e deixaram escorrer as suas lágrimas sempre que os pais da menina se aproximavam, de ursinho cor-de-rosa na mão, e só porque os impediam não corriam para eles aos abraços e aos beijinhos, ai valha-me Deus, que esses malvados que fazem mal a crianças deviam era ser mortos à pedrada e eles tão lindos e tão jovens e tão louros e com bébés tão bonitos não mereciam isto!

Presumo que são as mesmas pessoas que hoje assobiam alarvemente o mesmo casal, agora decerto menos lindo, menos jovem e até menos louro.

Afinal, para que há polícias, para que há tribunais, para que há processo? Para quê?

Os populares só precisam de alguém (os jornalistas?) que lhes diga quem são as vítimas e quem são os carrascos, para julgarem e para agirem em conformidade, acariciando ou apupando como da praxe.

Uma tristeza tudo isto!

Friday, September 07, 2007

Stress

Isto está tão mal que estou seriamente a pensar em criar um grupo anti-stress.
Assim tipo, "amantes de gelados, com muito molho de caramelo e algum chantilly"?
Inscrições abertas.

Thursday, September 06, 2007

Big bang

A chegada tardia da aeronave é das desculpas mais esfarrapadas, mas também a mais consistente, da TAP.

Além de sempre me intrigar o motivo que leva a TAP a dizer aeronave e os polícias de trânsito a falar em viaturas, levanta-me sempre a interrogação sobre o início de tudo.

Ora, atendendo a que nos últimos tempos, todas, mas todas, as aeronaves da TAP chegam tardiamente, pergunto-me se a TAP ainda se lembra do primeiro momento, do big bang que atrasou a primeira aeronave.

Porque aí reside a verdadeira razão deste círculo vicioso de que a TAP diz pretender livrar-se, através de inúmeros pedidos de desculpa das tripulações, não obstante a TAP ser sempre alheia a tais atrasos de aeronaves que só por mero acaso são da TAP.

E o facto de a culpa ser sempre de alguém que nunca das pessoas que temos pela frente, sejam elas da TAP, da ANA ou da Groundforce, juntamente com esse misterioso Big bang desconhecido, introduz um poderoso elemento de mistério.

Tão misterioso como a TAP não ter falido quando a Sabena e a Swissair faliram.

Wednesday, September 05, 2007

Dúvida

Porque será que dizem que trabalhar faz bem à saúde?

E, se de facto assim é, porque não há no mercado pílulas de stress?

Tuesday, September 04, 2007

Boas resoluções

Após as férias, e tal como no novo ano, nada como planear grandes resoluções, que se prometem respeitar quaisquer que sejam os obstáculos.

Assim, lá vai a minha resolução na rentrée laboral: nunca mais viajar com a TAP, nunca mais viajar com a TAP, nunca mais viajar com a TAP.

Sunday, September 02, 2007

Agualusa

Além de achar que é um escritor com um nome lindo, José Eduardo Agualusa é também um escritor que invejo, daqueles que dá vida às palavras e que, através delas, nos faz viver as histórias que nos conta.
"A substância do amor e outras crónicas" é isso mesmo, é a ternura, o sorriso, o amor, que ele conta e que nós sentimos.
Livros assim valem a pena ler. E é para ler livros assim que eu não tenho tempo para perder tempo a ler livros que não valem a pena ser lidos.

Saturday, September 01, 2007

Porque há sempre um regresso

Retomar um ritmo mais quotidiano da vida, devagarinho, para deixar que o corpo se habitue, para permitir que a alma se liberte suavemente do sal desse mar tão português, para que os olhos se habituem a viver sem o brilho intenso da luz branca, para que os sonhos se adaptem a esse viver de horizontes limitados pelas fronteiras urbanas.
Retomar um ritmo mais quotidiano da vida, devagarinho, para que as memórias não se percam e para que a esperança não morra.
Devagarinho, mas ainda assim há que retomar um ritmo mais quotidiano da vida.