Friday, November 30, 2007

Delighted

Depois de gastar metade de uma pequena fortuna para renovar a minha assinatura no ginásio que frequento, o empregado que me atendeu, com um sorriso genuinamente feliz (pelo menos pareceu-me!) agradeceu a minha fidelidade ao clube e disse-me que estava delighted por poder continuar a beneficiar da minha presença.

Admitamos que não se pode exigir mais.

Não apenas estava com um ar feliz como me disse que estava delighted.

E que ninguém se atreva a vir para aqui dizer-me que tudo não foi mais do que técnica de marketing porque eu não responderei pelas minhas reacções: não é impunemente que se destroem ilusões! Sobretudo numa sexta-feira, cinzenta e molhada.

Tuesday, November 27, 2007

Liberdade

Apetece-me pousar os dedos no teclado e deixá-los ir. Deixá-los escrever o que lhes aprouver, o que eles quiserem. Poderia até deixá-los perderem-se em interrogações sobre este país em que vivo e que compreendo mal, deixá-los alongarem-se em piadas reles sobre o Sporting, deixá-los dissertarem sobre o último livro que seguraram para que eu lesse.

E se recusassem? E se dissessem que preferiam perder-se em nós e pérolas? E se dissessem que preferiam conversar em gestos? E se dissessem que preferiam sujar-se na terra onde estão as rosas?

E se não se mexessem? E se permanecessem quietos no meu colo enquanto ouço música? E se permanecessem aconchegados nas luvas enquanto atravesso a rua?

E se discordassem? E se uma mão quisesse aquecer-se numa chávena de café enquanto a outra preferia passear num jardim? E se uma mão quisesse escolher uma camisola fofinha e a outra quisesse sentir a água da piscina e escorrer-lhe pelos dedos?

Decido mandar nos dedos. Dizer-lhes que tenham juízo. E passo uma mão pela cabeça enquanto a outra fica presa nestas palavras.

Monday, November 26, 2007

Coisas que não entendo

Saladinha de frutas para manter saudavelmente o espírito e o corpo nesta tarde de segunda-feira.

Depois de rápida escolha optei pelos "Sabores de Outono" (Cristo, que até as saladas de fruta têm marketing agora!).

Muito outonalmente lá dentro estavam uns frutos dos bosques, pêra, uvas e ... melão.

Melão? Fruta outonal? A sério que é?

Sunday, November 25, 2007

Sentir

Não sinto o que tu sentes.
Sinto o que eu sinto.
Que por palavras até pode ser igual ao que tu sentes. Melhor, ao que dizes que sentes.
Porque o sentir é assim.
Feito de emoçōes que se sentem em cada um e que se dizem aos outros. 
Por isso quero dizer. Para que não penses que não sinto.

Thursday, November 22, 2007

Thanksgiving

Só conheço o Thanksgiving dos filmes. Americanos, claro.
É hoje.
Parei para pensar na palavra Thanksgiving, no seu sentido.
E achei que sim, que me apetecia agradecer.
A todos, até aqueles que puseram obstáculos no meu caminho.
Serviram para que criasse resistências, para que aprendesse a levantar-me depois de ter caído, para que compreendesse os sorrisos depois das lágrimas, para que me desse força para mostrar a minha fibra.
Mas quero agradecer sobretudo aos outros. Pelo bem me quererem.
A esses, sim, devo tudo.

Wednesday, November 21, 2007

Conversa

Na sala, a luz amarela, difusa, a cheirar a pó.
Uma luz tão espessa que se podia sentir.
Que a envolvia como uma sensação desagradável.
Avançou com a solenidade com que se enfrenta o desconhecido.
Com mais curiosidade do que receio, não fora a luz que se colava, que lhe tolhia os movimentos.
Esfregou os olhos, sacudiu o cabelo da testa.
Transpirava.
Só então percebeu o calor que a rodeava.
Um calor estranho, feito de pó e dessa luz amarela palpável.
Sentou-se à mesa, imponente e ultrapassada, com linhas dignas de filme de época.
Reparou nesse momento que lhe falavam.
Mas a voz não conseguia atingi-la.
Ela via as palavras a caírem esgotadas, sem conseguirem vencer a luz. As mais persistentes, desfaziam-se em sílabas, perdiam-se em letras soltas.
Pacientemente foi recolhendo esses bocados de diálogo, para lhes dar resposta.
Colocou-os na mesa, letras, sílabas e palavras que a transpiração da sua mão encarquilhara.
Já não ouvia a voz.
Teria já dito tudo?
"Falar", "rir", "sorrir" eram palavras inteiras. Mas tinham perdido a alma alumiadas pelo pó amarelo.
Com as sílabas construiu febrilmente as palavras "confiança", "espera", "tempo". E "medo".
A luz ardia-lhe agora nos olhos, a mesa liquefazia-se com o poeirento calor, desfazendo as letras em manchas de cor pardas.
Sofregamente, mergulhava as mãos em desespero de salvação.
Os restos de letras que recolhera diriam "amor".
Mas não tinha a certeza. Eram manchas quase sem forma.
Ainda assim arriscou uma reposta. Sim.

De volta

Temos a nossa MCM de volta.
Iiiuuupi!
Nada como a Terra de Sol para alumiar este Cinzento.

Tuesday, November 20, 2007

Marcando o ponto

Assim de fugida, passo por aqui para saber se alguém quer vir tomar café comigo.

Um café e dois rápidos dedos de conversa.

Para falarmos do tempo, talvez de política, e futebol, há novidades a esse nível?, ou apenas de planos futuros, à beira mar, em dia de sol e calor.

Ou de música, ou de livros, ou da última exposição que viram.

Talvez mesmo em silêncio, aquecendo ao sabor do café, porque quem se quer bem comunica também para além das palavras.

Monday, November 19, 2007

Há que admitir

O blogue é incompatível com o trabalho. Isto é, com muito trabalho. E com outras coisas também, claro, mas é de trabalho que falo agora.

Não se admirem, portanto, se deixar o Cinzento menos acompanhado.

Ando por aí, a construir a Europa. E a fazer outras coisas também!

Mas passarei por aqui sempre que possível.

Sunday, November 18, 2007

Manifestação

E foram para a rua, apesar do frio, mostrar que muitos querem uma Bélgica unida. E com um governo, já agora.

Repto, de novo

A Carol repetiu-me o desafio e eu tenho todo o prazer em aceitar de novo o repto.


The Mathematics of Love, de Emma Darwin é o livro. Leitura obrigatória para o meu clube.           

 

Livro estranho, como estranho é por vezes, muitas vezes, o amor. Outras vezes nem por isso. Outras vezes exalta-nos os sentidos, alerta-nos para os sorrisos da vida, fortalece-nos para ultrapassar obstáculos, dá-nos as mãos para que a vida se faça em diálogo permanente.


Neste livro, na página 161, quinta frase completa, diz-se “If they fall they are shot”. Refere-se a cavalos. Porque eles se abatem!

Saturday, November 17, 2007

Manias e colecções

Tenho este hábito, desde pequenina, de juntar coisas, objectos que, por algum motivo, me seduzem.


Chamo-lhes colecções. No plural porque são várias.


Além disto, algumas são sazonais!


Como a minha colecção de anjinhos que cresce sempre bastante na época do Natal.


Será que hoje trarei mais algum para casa? 

Friday, November 16, 2007

Tempo

Periférico

O tempo vai ajudar. Porque só o tempo ajuda. Deixemo-lo passar.

Sunday, November 11, 2007

Há dias assim

Em que as coisas parece que se arranjam e depois se desarranjam sem a gente saber bem como! Mas ainda não é chegada a hora de desistir!

(Malditos computadores!)

Saturday, November 10, 2007

Bom fim-de-semana

Para os que se movem dentro das fronteiras pátrias, com muito sol, decerto.
Para os que andam por estas paragens mais centrais, com paciência para o frio e a chuva.

Friday, November 09, 2007

Globalização lusófona

José Eduardo Agualusa contou ontem, no frio de Bruxelas, histórias quentes e divertidas das terras lusófonas por onde anda.

Deixou recados (Angola tem várias línguas, muitas línguas, mas menos problemas do que a Bélgica), filosofou (o pessimismo é um luxo de pessoas felizes), encantou.

No autógrafo que me deu, no livro "Passageiro em trânsito", desejou-me muitas viagens de Bruxelas aos trópicos.

Claro que sim, claro que sim!

Thursday, November 08, 2007

Mais um dia

Hoje não quero saber de mais nada, nem da TAP, nem dos tontos dos belgas que persistem em desunir-se à força.
Porque está um solzinho anémico mas esforçado.
E deve ter sido um raiozinho que me aqueceu logo pela manhã!

Tuesday, November 06, 2007

Mas porque é que a TAP não faliu?

Será que alguém da TAP lê o meu blogue?
Se sim, leiam isto!
E já nem se trata de má vontade da minha parte contra a TAP (que é bastante, admito) mas sim de reconhecer uma pura e total incompetência.
Carlota, alguém da TAP lê o teu blogue?
Espero que sim!
Vou tentar mandá-lo à TAP em Bruxelas. Devem ter um e-mail em qualquer lado.

Mais um desafio

Não há dúvida que os desafios da são giros.

Temos que fazer cinco afirmações surreais.

No fundo é facílimo, porque de surrealismo está este mundo cheio!

A parte mais difícil mesmo é fazê-lo neste computador, com imensa personalidade, que quando decide deixar que o rato funcione, resolve bloquear nos acentos.

E isto conduz-me à primeira frase surreal: entre mim e os computadores ainda se desenvolverá uma relação de profunda intimidade.

No dia em que isso acontecer, quem sabe a minha personalidade não terá atingido tal perfeição que me leve a passar horas na cozinha divertida com a preparação de mais uma deliciosa refeição (a começar pela sopa evidentemente).

Refeição essa que comerei, tabuleiro colocado nos joelhos, vendo interessadamente o telejornal da RPTi.

Isto, claro está, depois de ter passado umas boas horas a ler o hiper mega claro Tratado Reformador, que se pretendia simplificado, e que querem se chame de Lisboa.

Para isso, pretende aquele cujo nome não se pronuncia e que é de filósofo, alterar as regras da cimeira europeia de Dezembro e em vez de a fazer em Bruxelas, fazê-la em Lisboa. Com medo de que o Tratado de Lisboa passe a ser de Bruxelas!

Alguém quer continuar o desafio?

Insónia

Uma pessoa vai falando e vai escrevendo e vai blogando e vai pensando e de novo vai falando, assim de tudo e de nada, umas vezes mais inspirada, outras sem jeito mesmo, e chega a noite e o sono não chega com ela, e continua-se pensando e meditando mas sem achar solução.

Monday, November 05, 2007

Olhando pela janela

Não vos acontece desejar que o tempo passe depressa, passe rapidinho por cima do Inverno e chegue num ápice ao Verão?

Não vos acontece desejar que o tempo passe depressa, assim como quando se lê impulsivamente para conhecer o fim da história?

E este cinzento que persiste! E o tempo que não passa!

Caso vos interesse saber

A Bélgica continua sem governo.

Saturday, November 03, 2007

Desafio

A lançou um desafio *

Admito, é difícil.

Mas desafio fácil nem sequer chega a desafio. É assim uma coisa mole, para quem não tem unhas e se contenta com pouco.

Mas este é um desafio aterrador.

Porque exige que use palavras que nem sequer conheço bem, palavras, como “corneador” que me lançam em certezas corridas por caminhos que depois me intrigam. Hesito, páro, leio de novo a palavra e assaltam-me dúvidas.

Decido servir-me de um whisky, liberdade da autora que, no lado sem letras da vida, não bebe whisky. Caipirinha, muito doce, isso sim! Quanto ao whisky, reconhece-lhe o glamour mas não se adapta ao gosto seco, rugoso.

O whisky aquecer-me-á o sangue, espero, o suficiente para enfrentar os medos que invento e que percorrem as ruas da cidade, de noite, quando as luzes, fracas, se desdobram em sombras medonhas e os ruídos se propagam em crescendo de eco.

Mais um golo e vou transportada para outros momentos em que, julgo, fui feliz. Os ruídos, esses, eram diferentes, vinham do mato, atravessavam a lona da tenda e envolviam as páginas do romance com imagens de leões e elefantes e chitas e hienas. Um galho que quebrava, ali ao lado, pois juro que era logo ali ao lado, assustava-me e empurrava-me, ainda mais, para o fofinho da cama; não há dúvida que o corpo cansado, dá nova escala de valores a qualquer saco-cama.

Contudo, a curiosidade fala mais alto, ainda mais alto do que o ensurdecedor silêncio da savana, liberto de carros e de motos e de jovens apressados que tentam viver a vida numa noite.

São sons novos, sem forma nem conteúdo. Que os olhos não vêem porque a minúscula lanterna não alumia para além da clareira e os barulhos, antes tão perto, estão agora mais longe, estão assim que termina o alcance da minha pequena luz.

Abro ainda mais os olhos, estico-os para longe, tento decifrar a nova linguagem que me rodeia. Que me eriça os pêlos, que me acelera o coração, que me agarra com desespero de vida à lona da tenda, à luz que empunho como arma.

Um discreto cric, um ligeiro crac, e a mão desvia-se em pânico. A minha diminuta luz gela um pequeno escaravelho, enorme na história que já construi, som a som, medo a medo, na minha cabeça. Um bicho nojento. Gelo com ele. E ficamos os dois, ali. Deixou de haver ruído, a lanterna tremelica. Ou será a mão?

Sobressalto-me!

É o telefone.

Queres aproveitar o sol e dar uma volta de bicicleta?


* O desafio é escrever um conto de terror, usando as seguintes palavras: Whisky, Corneador, Sangue, Fofinho, Escaravelho, Nojento, Cama, Unhas, Bicicleta, Mato.

Memórias de viagens V

Paris vivia em mim pelas palavras dos poetas.

Era a cidade da liberdade e da revolução, da vida boémia e da cultura.

Era a cidade onde sempre sonhei estudar, onde me via, rebelde, num pequeno sotão sobre o Sena.

Londres veio primeiro e Paris adormeceu, esmoreceu.

O francês tornou-se estranho, o inglês passou adiante.

Esqueci a vontade de visitar a cidade-luz.

Cheguei lá de mochila às costas, arrastando-me de cansaço para fora do Sudexpress, era noite, sentia-me perdida, tinha sono.

De manhã enfrentei a cidade caótica, que acordava cinzenta, e tive saudades do verde do Hyde Park.

A monumentalidade de Notre-Dame impressionou-me, a altura da Torre Eiffel espantou-me, as Tulherias intrigaram-me, os Campos Elísios esgotaram-me, o Quartier Latin enterneceu-me e o Sena comoveu-me.

Em cima de uma ponte, sentido o vento soprar frio, o Sena recitou-me:

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz *

Paris conquistou-me.

* Trova do Vento que Passa, Manuel Alegre

Thursday, November 01, 2007

Memórias de viagens IV

A primeira vez que fui ao estrangeiro foi a Londres.
E foi também a primeira vez que fiz uma data de coisas que hoje dou por adquirido e a que não ligo qualquer importância.
Foi a primeira vez que andei de avião!
Foi a primeira vez que enfrentei o mundo, algo diferente, dos aeroportos.
Depois, em Londres, vi, pela primeira vez, tudo o que havia para ver. Fascinaram-me os autocarros londrinos e os esquilos em Hyde Park. Os polícias ingleses e a mudança da guarda em Buckingham Palace.
Corri de monumento para monumento e perdi-me nas lojas sem saber o que comprar com o pouco dinheiro que tinha. Procurava aquela recordação para sempre! Já não me lembro o que comprei.
Para sempre ficou o fascínio por Londres. Pela cultura inglesa.
E dessa primeira viagem guardo, sem saber bem como, momento que registei sem dar por isso, o sabor da minha primeira Coca-Cola.

Pelo sim, pelo não bis

Vou fazer como os meus sobrinhos e escrever um e-mail ao Pai Natal!
Quem sabe ele existe mesmo!
E como há uma data de anos que não lhe escrevo, aliás nunca lhe mandei e-mail nenhum porque estas coisas modernas não são da minha criação, talvez ele se comova!
Já me imagino a vê-lo chegar através de nuvens bruxelenses, no seu trenó puxado por renas... Pois, o meu mal é este, imagino demais!
Deixem, voltem lá ao que estavam a fazer que isto passa.