Tuesday, December 25, 2007

Verdades

Mais um Natal que se passou.
Prepara-se agora o terreno para festejar o final do ano.
Eu vou ver como é noutras paragens.
Voltarei.
Com um sorriso porque assim o desejo.

Monday, December 24, 2007

Verdades

O Pai Natal não existe!

Friday, December 21, 2007

Boas Festas

Desejo-vos um Santo Natal.
Tornamos a ler-nos em 2008 que, espero, seja um feliz ano para todos.

Thursday, December 20, 2007

Descrição

Olho pela janela e sinto o frio que perpassa pela cidade.
Olho para os papéis e bocejo.
O tempo passa lentamente, devagar demais para a minha ânsia.
Consolo-me com um vai chegar.
Mas nem assim me concentro.
Há coisas que se querem demais!

Wednesday, December 19, 2007

Outra vez as palavras

São frias as palavras disseram-me.

Hirtas.

Não transmitem sensações.

Será?

Será impossível sentir a tenebrosa noite gelada em que caminhamos curvados sob a chuva inclemente, sobressaltados com os trovões que rebentam nos céus e iluminados em flashes breves pelos relâmpagos?

Será impossível sentir as ondas que salpicantemente se espalham na praia, refrescando os corpos suados colados na areia?

Será impossível sentir o cheiro do pão que nos desperta tepidamente e nos enlaça com o calor do chá com que começamos o dia?

Será impossível sentir a raiva surda de um sonho despedaçado, o ódio que nos possui quando o coração se rasga?

Será impossível sentir o sorriso da voz que se enternece, a carícia que se imagina?

Poderão as palavras carregar em cada letra as emoções que sentimos, poderão elas saltitar de felicidade ou torcer-se em dor, esticar-se em bem-estar ou escurecer em tristeza?

Tuesday, December 18, 2007

Pequena história

Através da janela vejo um escritório, em frente.
Sei que é escritório porque tem a desarrumação própria destes espaços.
Na parede, num quadro de feltro verde, um calendário avisa mudamente da passagem do tempo, ao lado de outros papéis que já amareleceram e enrolaram.
Não há telefone nem computador.
Por isso estranhei.
De vez em quando, passa por lá um homem, sempre apressado, que nem sequer tira o casaco.
Mexe-se como se procurasse alguma coisa.
E sai.

Monday, December 17, 2007

Desabafo

E nunca mais chega sábado?

Sunday, December 16, 2007

Maçada

O termómetro do meu carro não marca mais do que 3°C. 
Menos marca! Já vi!
Mas mais, não.
Deve estar avariado.
Que maçada!

Friday, December 14, 2007

Um menino

Era um menino traquina.
De sorriso fácil.
De cortesia agradável.
Presumo que consideram que uma bola vai melhor com este menino, do que um livro.
Têm razão.
Se dissesse que tinha um livro ficaria mais difícil justificar o sorriso e o ar traquina. Penso eu. Mas posso enganar-me.
Há pessoas assim, que guardam uma imagem atraentemente despreocupada que se conjuga melhor com uma bola.
Ou então somos nós, os leitores e eu, que achamos, apressadamente, que um menino com um livro tem que olhar o mundo de forma pensativa.
Talvez estejamos errados.
Recomeçarei.

Era um menino traquina
De sorriso fácil.
De cortesia agradável.
Deitado na relva, a ler um livro.

Parece-me bem. O que acham?
Vão dizer-me que depende do livro que está a ler.

Ou talvez não. Porque podem concluir que sendo menino, traquina, estará decerto a ler um livro de cowboys. Ou de aventuras, assim dito a-ven-tu-ras, de forma sonhadora, imaginando locais distantes, momentos fantásticos.

Não sei. Não sei o que lê. Daqui não vejo.
Parece-me, no entanto, que tudo é possível.
Eu, pelo menos, posso tudo. Porque sou a criadora deste menino. Não obstante, posso ser mal interpretada. Podem até não acreditar no que escrevo. E se assim é, não vale a pena dizer que eu lhe falei, lhe dei a mão.

E quando lhe falei e lhe dei a mão, o menino também não acreditou em mim. Não acreditou que eu lhe queria bem.

Apaguei-o.

Farei outra história.

Uma menina

Era uma menina de caracóis.
A emoldurarem um rosto redondo.
Com um olhar sereno.
Aproximemo-nos.
Devagar para não a assustarmos.
Porque a menina parece distante, embrenhada em pensamentos, diríamos.
Como adivinhar por onde divaga a menina de caracóis?

Fico assim a olhar e a tentar perceber.
Sigo-lhe o olhar mas há demasiado para ver. E não percebo se ela olha para os carros que passam, para aquele garoto que ainda mal se equilibra na bicicleta, para aquele cão que saltita numa trela, para a senhora que se verga ao peso da vida, para o jovem que arrogantemente julga que o futuro é seu. Não percebo se se aquece ao sol ou se escuta a música que um vendedor ambulante oferece para passar o tempo.

Decido imaginar.
Talvez esteja a lançar um papagaio de papel num dia de Verão.
Talvez esteja a saborear uma castanha numa tarde de Outono.
Talvez esteja a enrolar-se numa manta fofa numa noite de Inverno.
Talvez esteja a admirar as primeiras flores da Primavera.

Resolvo perguntar-lhe. Porque eu faço perguntas, demasiadas já me disseram.
Olhou para mim sem estranheza.
Talvez esteja habituada a que lhe façam perguntas, pensei.
Disse-me que estava ali, à espera.
De quê?
(Não queria, não queria fazer esta pergunta mas, quando olhei, ela já estava no papel e a menina dos caracóis já a tinha ouvido).
Tentei corrigir, dizer que todos esperamos alguma coisa, enfim, que a vida é feita de esperas…
Ela sorriu.
(Mas não me respondeu).

O melhor é nem falar

Há quem manuseie por escrito as palavras, como se elas fossem líquidas.
Há quem o faça oralmente, deixando as palavras voar como se tivessem asas.
Mas as líquidas palavras escritas deixam marcas no papel. As outras leva-as o vento!

Thursday, December 13, 2007

De Lisboa

Sei que não é muito racional mas admito que acho uma certa piada ao facto de o novo Tratado se chamar de Lisboa.
Deve ser por Lisboa ser a minha cidade!

Tuesday, December 11, 2007

Diz que até não é ... um mau blogue

E quem o diz é a Catarina.
E, claro, nem me atrevo a desmenti-la!
Tão pouco me atrevo a não prosseguir esta cadeia porque presumo que um blogue, que até não é mau, não corta cadeias!
Logo, lá me cabe a vez de nomear sete magníficos/magníficas bloggers que têm blogues que até nem são maus.
Só sete?
E como é que faço a escolha? (Com muita dificuldade, já sei).

Pois então aí vai:

Lote 5 - 1° Dto, onde a Carlota, entre dois cafezinhos, nos mantém a par dos últimos gritos da moda e do design, numa versão moderna das reuniões tupperware.
Diário da Mulher Aranha, onde a Sofia nos enlaça com prosas suavemente decididas.
Portugal dos Pequeninos, onde o João diz o que pensa, sem papas na língua nem rodiguinhos políticos a empecilhar.
Big Breasted Blonde Amateurs, onde o Magnuspetrus nos delicia com posts surpreendentes depois de nos ter deliciado com o nome do blogue.
A Curva da Estrada, onde a Leonor, ex-Papalagui, nos enternece, nos deslumbra, nos maravilha.
Ventania no Areal, onde o Skyman nos ilumina com raios de sol figueirenses.
Belgavista, onde a Pessoana nos mostra o que é escrever (e me faz ficar verde de inveja a cada post).

Claro que há mais, muitos mais! Porque não há um só blogue dos que leio que seja um mau blogue.

Atrevo-me a referir mais um, só para dizer que essas coisas não se fazem, que não se anda assim a criar hábitos de leitura para depois apagar tudo e fechar o estaminé, ò MRP.

Monday, December 10, 2007

RTPi

Estou a ver o telejornal, em directo (eu sei, coisa estranha e nada boa para a saúde!). 
Estou a ouvir que Portugal quer mudar a sua imagem no mundo.
E, para tal, os responsáveis pela campanha apresentam futebolistas e fadistas!
Ainda bem que disseram que queriam mudar a imagem...
Eu nāo chegaria lá sem essa ajuda!

Lusofonia

Luis Cardoso, escritor timorense, esteve cá. 
Explicou que escreve, em português, tentando seguir o ritmo da língua tétum.
Fiquei com curiosidade para saber coisas sobre Timor e sobre essa língua que, parece, já é a língua geral daquele território. 
Mais do que o português, língua que nos permitiu a compreensāo.

Depois, estiveram Sara Tavares e Tito Paris.
E Sara Tavares perguntou docemente, estāo aqui portugueses? e a resposta foi entusiasmada, estāo cabo-verdianos? e a resposta foi avassaladora, estāo angolanos? e a resposta foi ruidosa, estāo guineenses? e sāo tomenses? e moçambicanos? e ainda nestes casos, houve vozes que se levantaram. 
Sara Tavares falou entāo da lusofonia.
Porque nāo há-de ser possível?

Thursday, December 06, 2007

Num café

Tinha um ar de peça de teatro revisitado. 
As cortinas que caíam em drapeados sem cor definida.
Os lustres que tremelicavam em cintilaçōes indecisas.
As luzes que se perdiam em trevas.

Por entre as mesas circulavam copos e vozes, casacos que se despiam, cachecóis que se enrolavam.

As conversas perdiam-se em mesas redondas, em olhares cansados de final de dia, em repouso do frio exterior. 

Atrás do balcão, espreitavam garrafas que ritmadamente se transformavam em bebidas com gelo e palhinha, se soltavam em bolhas, se perdiam em cocktéis coloridos.

Num canto, um foco cortava a penumbra. Sobressaía um laço vermelho, atado num pé de rosa, promessa de amor, gesto de paixāo.

O fumo de cigarro perdia-se em desenhos abstratos no cone luminoso, subia em espiral melódica, esgotava-se em saudosa recordação.

Uma rosa, um laço vermelho, uma memória.

Tuesday, December 04, 2007

Carta ao Pai Natal

...




*O que foi? Porque é que se queixam de não conseguir ler? Acaso são o Pai Natal?
Além do mais, o que eu pedi é segredo!

Monday, December 03, 2007

Nome

Uma amiga, conhecedora da minha curiosidade, emprestou-me livros de autores goeses.
Livros recolhidos e acariciados pela mão de seu pai e que eu prometi tratar com cuidado.
Num deles encontro um marcador de uma livraria em Goa chamada "The Reading Habit".
Não acham um nome excelente para uma livraria?

Sunday, December 02, 2007

Para vos manter informados

A Bélgica está há 175 dias sem governo. O ex primeiro-ministro to be comunicou de novo ao rei mais um falhanço em formar governo.
Se eu fosse rei deste reino demitia-me!
Melhor, declarava a repúbica.

Saturday, December 01, 2007

Películas

O JSA quer que eu seja um elo de uma corrente que blogoesfericamente anda por aí: os cinco filmes da minha vida.

Acho até que é uma corrente longuíssima, dessas que dá várias voltas, porque penso que já respondi uma vez, há muito tempo. Mas não me custa responder outra vez, e sem ir ver a resposta prévia. Aposto que não darei a mesma resposta da altura...

Mas tenho a certeza que um filme consta da lista que indiquei então: "Lawrence da Arábia". Não sei se pelos olhos azuis de Peter O'Toole, se pelo charme elegante de Omar Shariff, se pelo dourado das areias do deserto.

Outro filme que me vem imediatamente ao espírito quando penso naqueles que me marcaram é "Música no coração". Era obrigatório ver e rever, num camarote no Tivoli, em família.

A partir daqui, surgem muitos e é preciso fazer uma escolha. Opto pelo "Jesus Cristo Superstar" que me abriu a portas aos musicais de Andrew Lloyd Weber. Dele vi vários, em Londres, mas nunca o Jesus Cristo Superstar. Fiquei-me pelo filme. 

Refiro também  "Central do Brasil*", a ternura feita filme brasileiro e a única vez em que achei muito injusta a atribuição do Oscar de melhor actriz: tinha que ter sido a Fernanda Montenegro. 

Por fim, e depois de hesitar entre vários, escolho "Morte no Nilo" só para poder referir Peter Ustinov, personagem que sempre me fascinou. 

Chega a vez de escolher as vítimas da minha curiosidade. 

Digam-me lá, Skyman, MCM, MRP, e Brígida, os filmes da vossa vida.



* Obrigada JSA pela correcção.