Tuesday, February 26, 2008

De dois lados

Chegam-me dois elos de uma mesma corrente, do lado da Carlota e do lado da Sinapse, para contar as palavras de que não gosto. Doze dizem! E, não obstante cada uma dizer doze, faço ouvidos de mouca e não conto 24. Até porque não gosto de matemática. Nunca gostei da lógica fria, do raciocínio claro, para mim tão complicado, tão retorcido. Admito, essas coisas causam-me calafrios. Deixam-me a cabeça oca de desespero, vazia de pensamentos, sem causalidades com que possa prosseguir.
Na última aula de ciências que frequentei, pensei, é a última! Não mais fórmulas, não mais cálculos. Enganei-me, claro, rodeada que estou de percentagens e de contas e de números e de pagamentos...
Por mais projectos que implemente, essa lógica e fria racionalidade impõe-se como se fosse vida, como se a vida fosse assim.
E o mais estranho é que há palavras que me enchem a cabeça de nada, como se fossem números, demitidas da sua função de mensageiras de ideias, de cavaleiras andantes de imagens. Palavras traidoras.
Mas aquela que mais abomino, que me dá choques de nervoso e gestos de repulsa é, sem dúvida, doravante.
E por aqui fica a corrente, fechada entre dois elos.