Tuesday, May 13, 2008

Conto a conto (7)

Se quiser escrever em mais de um tempo bastará dividir o conto em manhã, tarde e noite?
Ou serão precisos dias, semanas, meses, anos até?
E, no final, será um conto?
Ou será um romance?
Uma novela, talvez.

Enredada nestas dúvidas não deu conta que o tempo passava.

Assustou-se quando sentiu um arrepio de frio. Não se apercebera que o sol se havia retirado discretamente em longo crepúsculo de Verão.

Andava preocupada com estas questões. Não encontrava uma solução.

Mas era essa a tarefa, escrever com tempo. Com tempos. Qualquer coisa que fosse mais do que um momento, um instante.

Como se o tempo não fosse uma colecção de instantes, uns atrás dos outros, uns ao lado dos outros, num complicado colar nunca acabado até ao dia em que se deixa por acabar.

Vestiu um casaco de malha e foi buscar o computador.

Tentou escrever um conto gráfico, assim como quem desenha com palavras:

De manhã

- Ele acorda

- Enquanto toma o pequeno-almoço repara, ainda ensonado, que tem uma mensagem no gravador.

- Estranha: não ouviu tocar o telefone.

- Será de ontem? Mas ele sempre verifica se tem mensagens quando chega a casa!

- Se for de hoje, talvez tenha sido quando esteve a tomar duche.

- Ouve a mensagem.

De tarde

- Transtornado com a mensagem, alterou o seu programa.

- Por isso, faltou ao encontro que havia marcado na semana anterior.

- Comprou uma lembrança (chocolates?)

- Distraído, chocou com o carro da frente.

De noite

- Tentou, em vão, telefonar.

- Para dizer que estava disponível para o que fosse preciso.

Releu o gráfico e teve a sensação que agora tinha um instante maior, que se desenrolava num dia, mas não mais do que um instante.

Talvez se introduzisse mais personagens.

Voltou ao gráfico e acrescentou

1. Ele (terá nome?)
2. A voz da mensagem (Sofia)
3. Faltou ao encontro com quem? Carlos!
4. A lembrança será para Sofia? Ou acrescento mais alguém?
5. A condutora do carro da frente (Ângela).
Pelo caminho logo aparecerão mais personagens se necessário.

Tentou um começo:

"Ele acordou como habitualmente, ouvindo as notícias de BBC na rádio. Entre as desgraças na China e na Birmânia, nada de realmente importante.
Recordou-se de que tinha um encontro importante, de tarde, e decidiu vestir o fato cinzento claro com a camisa rosa.
Na sala, enquanto bebia com deleite o café, viu que o gravador o alertava para uma mensagem.
Era capaz de jurar que tinha verificado de véspera, quando chegara a casa, e que não havia mensagem alguma! Terão telefonado enquanto tomava banho?"

2 Flocos de neve

Blogger D. Maria e o Coelhinho atirou uma bola de neve ...

raramente tomo banho(a D. Maria bem me ralha) e não tenho gravador de chamadas.


coelhinho

2:16 am  
Blogger Carlota atirou uma bola de neve ...

Pronto. Á terceira, consegui. Era mesmo falta de sintonização.

11:13 am  

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