Monday, October 20, 2008

Conto a conto (12)

Quando saiu espantou-se com a luz.
Habituara-se a uma claridade desmaiada, uma penumbra permanente cruzada por raros raios de sol invadidos por dançantes partículas de pó.
Hoje, contudo, espantou-se com a luz.
Lembrou-se depois que não estava no mesmo sítio. Não estava em sítio algum aliás.
Tinha aceite ser personagem de uma história e colocara-se, cegamente confiante, nas mão de quem o havia de escrever.
Fora um desafio: ele que avidamente queria que lhe contassem histórias achou que teria que ser parte de uma história.
Quis saber qual. Perguntou qual história achando que um personagem podia influir na trama, podia recusar participar em enredo que não lhe agradasse.
Que ideia!
Como poderiam então os contadores de histórias contar-nos uma história se dessem assim liberdade aos seus personagens?
Por exemplo, ele, que se espantou com a luz, poderia recuar para a sua realidade obscura? Sair desse espaço iluminado e deixá-lo vazio, só a luz, só a claridade?
Mas se a história é sobre um personagem que se espanta com a claridade, não é conveniente que ele se ausente!
Ainda assim, aposto que o escritor nos contaria uma história sobre a luz.
Mas não, hoje a história é outra.
Silêncio, vamos ouvi-la.

1 Flocos de neve

Blogger Carlota atirou uma bola de neve ...

'bora lá!
:)

3:40 pm  

Post a Comment

<< De volta ao cinzento