Monday, October 27, 2008

Conto a conto (13)

Ia andando devagar com os olhos pregados nas janelas iluminadas.
Nalgumas, as cortinas estavam abertas, deixando ver um detalhe da decoração, um pormenor da vida, um raio de calor doméstico.
Lembrou-se do hábito nórdico de colocar candeeiros nas janelas, de os acender à noite, enchendo a rua de pirilampos piscando o olho a quem por ali passa.
Não entendeu, então, esse cumprimento nocturno das casas desconhecidas.
Foi na altura em que a noite era apenas a fase escura do dia, depois de um dia, antes de outro dia.
Agora, com a sensação de que a noite se prolonga para lá de qualquer tempo, sabe-lhe bem surripiar, assim de forma discreta, a luz que se estica das casas cá para fora.