Monday, October 06, 2008

Quase centenário

Acho bem que se comece cedo e se perca este traço que se diz caracterizar a lusitanidade, o improviso, a fé no desenrascanço, de que tudo vai correr bem, se Deus quiser e Deus vai querendo, ou assim parece que da fama da característica não nos livramos.
E assim, distraída das datas comemorativas, que o cúmulo de um domingo com 2000 Km de distância apaga a percepção de um feriado nacional, entrou-me a República pela sala, em debate preparatório: vale a pena comemorar o centenário da revolução republicana?
Contas feitas, com esforço porque os números não são meus amigos, com prova dos noves e rápida revisão histórica, para concluir que a República não se implantou em 1908! Entre as brumas do sono, agravadas pela hora de diferença, andei com 1910 às voltas e com os eventos do passado misturados, recheados de governos breves e passageiros com primeiros-ministros que nem glória vindoura ganharam.
Tenho dois anos para rever, aprender, perceber, o princípio do que somos agora, sem reis nem príncipes que ocupem a nossa imaginação através de páginas cor-de-rosa das revistas de sala de espera, mas com a revolução e a garra a sair em rodos nas mesas de café e nos débitos de quem se acha jornalista, ou fazedor de opinião, ou comentador ou o que for que leva alguém a falar e muitos a ouvir e a criticar.
Dois anos para perceber porque há quem ache que a história não faz jus ao Senhor D. Carlos, dois anos para perceber o ziguezague republicano, de partidarismo bipolar, de paixões assoberbadas.
Eu acho que sim, que se comemore!