Thursday, November 13, 2008

Folhas de Outono

O que sentem as folhas pergunta a Madalena e imagina-as entristecidas, como o Outono, a serem pisadas pelos passantes.
Pois eu tenho uma visão mais doce, Madalena.
Doce como o Outono, apesar de aqui não cheirar a castanhas assadas.
Imagino-as a procurarem o sossego, umas encostadas às outras para não arrefecerem, depois de um suave vôo guiado pela brisa outonal, ou de um atrevido salto picado ao colo de uma rajada de vento.
Porque também as folhas têm a sua personalidade e ao lado daquelas que vão procurar os recantos dos jardins para que ninguém as incomode, há as que, mesmo no fim da viagem, procuram emoções fortes, sensações extremas.
Reparaste que há folhas que aproveitam qualquer nesga de vento para surfarem à nossa frente, que se regojizam com um pontapé da criança que passa para darem mais um salto mortal?
Repara até que há umas que ostentam cores maravilhosas, que se maquilham de amarelo e vermelho e ferrugem, para que as levemos para casa e as admiremos em composições outonais!
É certo que algumas se rasgam, se partem. Ou rasgam-nas ou partem-nas.
Se eu disser que é assim, que temos que aceitar que há coisas boas e coisas más, acharás que sou fatalista.
Talvez, até porque sou portuguesa e esse é um dos nossos fados.
Mas são essas folhas rasgadas que permitem que nos maravilhemos perante as outras, as que se libertam da lei da morte (como diria o poeta) para ficarem na nossa imaginação ou nos nossos trabalhos manuais.
Por isso, Madalena, quando as vires de novo, em remoinhos no chão, olha bem e verás muitos sorrisos de Outono.

1 Flocos de neve

Blogger Madalena atirou uma bola de neve ...

Pitucah, o lindómetro subiu ao nível mais alto da graduação. Hoje, quando for fazer a caminhada com o "aposentado", vou contar às folhas que são, qua foram, inspiração tamanha para um dos mais belos textos que eu li. Mil beijinhos!

5:28 pm  

Post a Comment

<< De volta ao cinzento