Tuesday, November 18, 2008

Polémica actual

As modas são assim: impõem-se sem apelo, insinuam-se e obrigam-nos.
Nós adaptamo-nos, está bem de ver. De qualquer maneira, é próprio do ser humano, adaptar-se, aceitar e depois defender e justificar.
Agora é a vez da transparência, da abertura, tudo em nome dos princípios democráticos que quanto mais se discutem menos se praticam, mas isso todos sabem e, assim como assim, são outros quinhentos.
Não iremos por aí.
Para efeitos deste post aceitemos, pois, a moda.
E defendamos que tudo é público, mais do que público, que deste modo, cada qual guarda para si o que aprouver porque os olhos dos demais estão cheios de tanta ... publicidade.
E chegamos a esse direito, feito fundamental pelos arautos modernos de mostrar entranhas e rascunhos, modelos e tentativas, o acesso a documentos.
Livre, também aqui, tudo livre.
Menos o que não é, porque, sabe-se, não há regra sem excepção.
E se aqui é que a porca torce o rabo, tentemos que, ao menos, o torce de forma linear, repetitiva, para facilitar interpretações.
Qual quê!
Porque há coisas que resistem à simplificação e há pessoas a quem tal impressiona; e toca de inventar casos e descasos, cheios de ses e de suponhamos para ver até onde é que vai o princípio e qual o alcance das excepções.
E se for uma carta? Uma carta pessoal.
Responda-se, a roçar a impaciência, que se aplicam as regras: se as excepções não se aplicarem, publique-se, divulgue-se.
Insistem, pessoal mesmo! Assim íntima.
Tente-se mais uma vez, quiçá com outras palavras: os documentos que a Comissão Europeia detém são, em princípio, públicos...
Retorquem que é indecente expôr assim nudezes pessoais, desabafos de alma.
Leve-se a imaginação ao rubro: haverá quem faça da Comissão serviço de psiquiatria, confessionário leigo? Quem confesse amores de peito e ódios de estimação?
Se calhar sim.
Este é um mundo capaz de tudo.