Monday, December 15, 2008

Conto a conto (16)

Esta é uma história do tempo em que as histórias eram a preto e branco.
Numa casa igual a tantas outras.
Com gente que vestia camisolas grossas e se aquecia à volta da lareira.
Havia um presépio.
Feito com devoção como se faziam as coisas nesse tempo.
Não havia luzes, nem fitas douradas.
Ainda que houvesse, o dourado ficaria cinzento nesta história a preto e branco.
Havia crianças que ansiosamente contavam os dias para o Natal, para as prendas, porque há coisas que não mudam com o advento das cores.
Uns dias antes, não sei quantos porque o tempo apaga da memórias esses detalhes, apareceram uns presentes com uns grandes laçarotes ao pé do presépio.
Os olhos das crianças arredondaram-se e iluminaram-se.
O Menino Jesus passara por ali; naquele tempo ainda não havia Pai Natal, nem Coca-Cola. Havia o Menino e chocolate quente que se bebia olhando a neve. Qua caía branca.
Depois foi a tradição, que ainda era o que era: missa do galo, doces e sorrisos, votos e cumprimentos. Gritos de satisfação quando os laços se desfaziam.
Mais tarde chegariam as Janeiras, os Reis.
E tudo voltaria a ser como dantes.
Até ao próximo conto de Natal.

1 Flocos de neve

Blogger Skyman atirou uma bola de neve ...

Mais uma pincelada cheia de sensibilidade neste teu quadro pessoal. Muito bonito.
Bjo

3:16 pm  

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