Monday, June 30, 2008

Post único sobre o Euro 2008

Acabou-se!
Ufa!

The Historian

Agora tenho o Drácula como companhia.
(Como é duro vir trabalhar!)

Friday, June 27, 2008

Sexta pela graça de Deus

E com este, chegamos aos 1000 posts!
É muito a dizer coisa nenhuma...

Thursday, June 26, 2008

Deprimida

Quanto mais aprendo mais sei que sei pouco. Muito pouco.
Deito contas à vida.
E deprimo-me.

Tuesday, June 24, 2008

É que não posso (15)

Tenho uma guerra sem tréguas contra as etiquetas da roupa.
Não há uma, uma só que seja, que não pique!
Além de que, agora, deram-lhes para escrever romances nas etiquetas que, em consequência, têm tamanho de verdadeiros lençóis!
A tesoura é a minha principal aliada nesta guerra impiedosa.
Vencerei.

Monday, June 23, 2008

Dia de sol

Ontem, estendi-me ao sol na companhia de um excelente livro.
Hoje, não obstante o sol estar aí, fecharam-me num escritório!
Coisas desta vida.

Friday, June 20, 2008

Sexta pela graça de Deus

Mesmo se há dias assim!

Thursday, June 19, 2008

Vogais

Agarrei no "a" e estiquei-lhe o aro superior. Não, não pretendia fazer um "d"; só mesmo estragá-lo. Abrir-lhe o som até não sair som nenhum. Esgotar-lhe a voz.

Peguei no "e" e fechei-lhe o arco inferior. Arredondei-o para que não houvesse arestas. Pu-lo a rebolar para lá da folha. Desapareceu.

Cheguei ao "i" e dei-lhe um nó. Aguentou-se de pé mas perdeu a sua função de letra aguda. Enrolou o som, engasgou-se e emudeceu.

Desenhei o "o" e enchi-o de acentos: graves, agudos, circunflexos…até um til. Hesitei com o trema mas também o usei. O "o" ficou perplexo. Perdeu-se em tonalidades, desafinou e desistiu.

Terminei com o "u". Com dois lápis estiquei-lhe as pontas até ficar uma linha. Esticada. Recta. Perdeu a personalidade. Não mais se reconheceu como letra.

Olhei para as consoantes. Inúteis. Caladas. Paradas.

Vai ser necessário reinventar a linguagem.

Wednesday, June 18, 2008

Post it

Ao almoço uma amiga disse-me para não deixar de ler "The First Global Village - How Portugal Changed the World" de Martin Page.
A ver se compro!

O que os outros escrevem

Post a ler absolutamente.
Eu gostava de o ter escrito!

Tuesday, June 17, 2008

Debater

O diálogo está na moda.
Melhor dizendo, está na moda dizer-se que a solução de todos os problemas passa pelo diálogo.
Talvez sim, talvez ajude. Mas para tal seria necessário que se soubesse do que se fala quando se fala em diálogo.
Aquilo que se vê, na maior parte dos casos, é um feixe de monólogos que, por muito que se enredem, nunca serão diálogos. Acresce, mas isso já é opinião minha, que a maior parte desses monólogos são desinteressantes ou incoerentes, uma série de coisas nenhumas pontuadas por afirmações espúrias e provocações gratuitas.
Muito gostam as pessoas de falar! Saber do que falam é acessório. Desnecessário até!
E eu fico aqui saudosa de diálogos saborosos, de debates onde o resultado seja superior aos argumentos apresentados, de conversas que acrescentam o conhecimento e enriquecem o intelecto.
Fico sequiosa de trocas de ideias.
De alguém que contraponha palavras a palavras, conceitos a conceitos, teorias a teorias. De alguém que se aqueça na emoção da defesa daquilo em que acredita, que se hiperbolize nos adjectivos da sua ideologia e que termine a tertúlia com um abraço, um sorriso e a vontade de mais.
Infelizmente, é mais fácil esconder a ignorância atrás de ataques pessoais, a magreza de ideias atrás do politicamente correcto.
Para estes não tenho pachorra.
Sinal de arrogância? Talvez. De falta de paciência? Decerto.

Monday, June 16, 2008

Anacronismos

Será mesmo anacrónico?

Memória

"Human memory is a marvelous but fallacious instrument. The memories which lie within us are not carved in stone; not only do they tend to become erased as the years go by, but often they change, or even increase by incorporating extraneous features."

Primo Levi

E se isto fosse referendado?

"It proposes that Franco-German production of coal and steel as a whole be placed under a common High Authority, within the framework of an organization open to the participation of the other countries of Europe. The pooling of coal and steel production should immediately provide for the setting up of common foundations for economic development as a first step in the federation of Europe, and will change the destinies of those regions which have long been devoted to the manufacture of munitions of war, of which they have been the most constant victims."

Schuman, 9 May 1950

Não há nada a fazer

As pessoas, em geral e salvas honrosas excepções, são más, estúpidas e egoístas. Salve-se o seu e os demais que se lixem.
Ainda bem que os irlandeses da diáspora (mais do que os que vivem no pedacito de paraíso que é hoje a Irlanda graças ao dinheiro da União Europeia) foram bater a portas que se abriam, no momento em que a terra onde nasceram era pobre e madastra. Porque se esses países lhes tivessem feito o que eles hoje querem fazer aos que lhes batem à porta, haveria menos irlandeses no mundo, mortos de fome e de miséria.
Mas a memória é curta e os homens manipuláveis.
Uma tristeza.

Friday, June 13, 2008

Sexta pela graça de Deus

Louco que está o meu país!
Perdido que está todo o sentido da decência, da responsabilidade, da proporcionalidade.

Infelizmente, não parece ser mal exclusivamente lusitano; nós, aqui em suspenso de uma Irlanda pequena e periférica que deve o seu bem estar, a sua riqueza, a esta União Europeia que se solidarizou com aquele país de emigrantes.

Na intermitências do futebol, há quem se preocupe. Outros, nem sequer isso.

Tuesday, June 10, 2008

Dia da Raça

O que verdadeiramente me incomodou nesta história é ver que me dou com gente que ignorava, em absoluto, que o 10 de Junho fora, em tempos idos, o dia da Raça.

Ou são eles que são muito novos ou eu que sou muito velha!

Quem disse que era fácil?

"The body does not want you to do this. As you run, it tells you to stop but the mind must be strong. You always go too far for your body. You must handle the pain with strategy...It is not age; it is not diet. It is the will to succeed."

Jacqueline Gareau, 1980 Boston Marathon champ

Monday, June 09, 2008

Se eu pudesse

Se eu pudesse
espalhava no caminho pó de estrelas
iluminava-o com reflexos lunares
que afastassem as sombras.

Se eu pudesse
construia ilusões com pétalas de rosas
que perfumassem as curvas da vida
e alisassem as montanhas

Se eu pudesse
desenhava sonhos
escrevia poesia
e dir-te-ia o que nāo sei dizer.

À espera

À espera de dia 12.
Dia do referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa.
As sondagens são instáveis: ora sim, ora não, mas tudo muito nim, assim assim, no limite.
Como dizia alguém, suspendessem a União Europeia por um dia para que as pessoas se recordassem de como era antes!

Friday, June 06, 2008

Apesar de tudo

Chove como já não me lembrava de ver chover. Uma chuva persistente, contínua, sem tréguas a qualquer raio de luz. Uma chuva que se prolonga em humidade que, mais do que se sente, se imagina.
Com esforço recordo-me que estamos em Junho.
Na Primavera.
Consolo-me com o facto de ser sexta. Pela graça de Deus.

Thursday, June 05, 2008

Memórias

Este post levou-me de volta à Av. de Roma, à velha Livraria Barata, pequeno espaço repleto de livros onde havia livreiros!
Digo isto por oposição à nova Livraria Barata onde, pelo menos à vista, só há umas piquenas que pouco mais sabem fazer do que procurar livros no computador ou responder, sem mesmo olhar, não temos! aquele livro que depois encontramos numa das prateleiras da livraria. E nem sequer pestanejam quando o levamos à caixa...
Lembro-me do Sr. Afonso que sabia tudo, nomes dos livros, autores e edições, conhecia de cór a feira do livro "Sr. Afonso, onde posso encontrar o livro tal? Editora assim, pavilhão n° assado" e lá ia eu toda contente comprar o dito livro.
O episódio mais marcante que recordo passa-se na pequena livraria da Av. de Roma onde o Sr. Afonso me diz que não têm o livro que procuro mas que vá ao lado, à Bertrand que lá há. Fui. Pedi o tal livro. Que não, que não o têm. Não resisti a informar o Sr. Afonso de que, por uma vez, estava enganado. Olhou para mim, sorriu e disse "venha comigo", entrámos na Bertrand, ele foi à prateleira, tirou o livro e disse "nós não temos espaço mas temos livros e gostamos deles; eles têm espaço, até têm os livros, mas ninguém quer saber de nada".

* A bem da verdade, cumpre-me dizer que já nem recordo a última vez que fui à Barata. Deixou de ser ponto de visita obrigatório de cada vez que vou à Pátria. Talvez as coisas estejam diferentes!

Wednesday, June 04, 2008

No meu bairro

Não me recordo da igreja sem uma rede, daquelas verdes, que anunciam obras.
É verdade que a igreja tem a pedra escurecida de tempo e poluição, a justificar limpeza.
Mas o tempo passou e a rede ali foi ficando, à frente da igreja cada vez mais escurecida.
As obras que imaginei não surgiam.
Procurei outra utilidade para a rede.
Tentei usar o argumento dos pombos, esses ratos com asas que tudo sujam nesta já cinzenta cidade.
Mas nem a mim me consegui convencer: pois se a rede estava pela metade deixando a parte de cima da igreja livre para o lixo alado…
Optei por ignorar o meu espanto de cada dia, porque em cada dia lá passo.
Deixei apenas libertar a emoção da fachada em contraluz nos finais de tarde, ou da iluminação nocturna que lhe dá atributos de divindade o que calha bem a uma igreja e afaga os sentimentos estéticos.
Um dia apareceram uns tapumes.
Desses de madeira.
Em frente da rede.
Confesso que fiquei de novo com a curiosidade acicatada.
Não me acanho com a confissão, que tão bem condiz com a divina fachada negra, mas não procuro absolvição. Porque não posso prometer que não mais cometerei o pecado da curiosidade.
Até porque agora chegou a vez dos andaimes.
Que, percebi, não só são de montagem trabalhosa como muito barulhenta.
Em vez de me alegrar com a justeza da minha primeira impressão, antiga de anos, de que irão limpar a fachada, interrogo-me sobre o tempo que demorará a fachada a ser limpa.
E já agora, quem foi São Bonifácio?

Tuesday, June 03, 2008

Transparências II

Sei que vou contrariar todos (todas) os que acham que a igualdade está aí, consagrada que está na lei (e que mais querem vocês, senhoras?), e que tanto faz o sexo porque o mérito é que manda e o mérito é que determina e pátáti e pátátá…

Deve ser por isso que em exemplo para justificar transparências se diz que é bom que se saiba (e que se evite, presumo!) que a mulher do ministro usa o carro oficial para ir às compras!

Pois eu, se fosse eu a fazer aqueles slides tão lindos, teria dado o mesmo exemplo só que assim: para que se saiba (e se evite!) que o marido da ministra use o carro oficial para ir jogar golfe.

Mas isso sou eu. Que tenho mau feitio!

Transparência

Agora a moda é a transparência e o acesso a documentos, todos os documentos, qualquer que seja a sua forma, qualquer que seja o seu estádio.
E eu a pensar que qualquer dia serei obrigada a transparecer o que penso, assim em directo, sem protecção nem pudor.
Passarei a pensar em sorrisos, usando palavras redondas que não ferem, em estilo inóquo para evitar desentendimentos. Para não ter que explicar em forma de palavras, pensamentos líquidos e gasosos. Farei tudo sem arestas nem contraluzes.
Fecharei o subconsciente, aniquilarei o inconsciente e pensarei conscientemente dentro dos cânones e dentros dos usos e costumes.
Sem atentados nem libertinagens. Sem loucuras, impróprias, de qualquer modo, para a idade.
Será um pensamento correcto, já embalado para consumo do cidadão mais exigente, transparentemente claro e claramente transparente.
Aqui fica esparramado na via pública para que não haja lugar a recursos!

Monday, June 02, 2008

Livro

A Índia vista através das mulheres é um modo, como qualquer outro, de ver a Índia!
E qualquer outro país, no fundo.
Através das mulheres poderemos ver Portugal ou a Alemanha, a África do Sul ou o Zimbabué.
Através das mulheres vemos o mundo.
Diferente decerto.
Como diferente seria através dos olhos das crianças.
Como diferente seria através dos olhos do poeta!
"May you be the mother of a hundred sons" mostra-nos a Índia que Elisabeth Bumiller viu através do que ela viu que as mulheres vêem.
E nós lemos o que ela viu, não o que elas vêem.
E ficamos porventura incomodadas com a mortalidade das bebés meninas, ironicamente sorridentes com os exageros musicais de Bollywood, perplexas com os casamentos arranjados pela família, perdidas em valores que são outros e que não fazem sentido na sociedade que é a nossa.
Percebemos que a autora quis ser neutra, deixar o seu lado americano de parte, ver para além das cores e das especiarias que é a Índia da nossa imaginação.
Mas, como ela própria admite, não há tal coisa como a neutralidade e aos olhos de uma ocidental (como ela, como eu) não faz sentido a distinção das castas, o queimar das mulheres por causa dos dotes, o martírio das viúvas nas fogueiras. Não faz sentido nascer-se, viver-se e morrer-se nas ruas de Calcutá. Não faz sentido a miserável pobreza nem a riqueza extrema que o país ostenta.
Tal como não faz sentido a alegria sedosa dos saris, o calor molhado das monções, o tilintar dos casamentos Hindus. A diferença é que isto, não obstante não nos fazer sentido, faz-nos sorrir e talvez mesmo sonhar.