Thursday, July 31, 2008

Excesso

Não gosto de excessos.
Prefiro a discrição.
(Entusiasmos são outra coisa, são exageros de expressão, de sentimentos, que podem acelerar a voz, intensificar os gestos, aumentar o brilho nos olhos).
Mas excessos não!
Nem por escrito.
Que coisa enervante as pessoas que escrevem ENERVANTE! E que depois, para distinguir os graus, acentuam a coisa: ENERVANTE! E inclinam-na para que se percebam que há diferentes tons de emoção: ENERVANTE! De súbito um já não chega. Há que perceber que tudo é ENERVANTE!!!!!!!, até mesmo ENERVANTE!!!!!!! Para não falar do toque dimensional; porque há ENERVANTE e ENERVANTE. Até mesmo ENERVANTE!!!!!!!!
E porque será que para o enervamento apenas o vermelho conta: Enervante!
E o compassado? Para que se perceba bem o sincopado da respiração: E-n-e-r-v-a-n-t-e! Antes E-N-E-R-V-A-N-T-E! se a coisa for séria! Quiçá E-N-E-R-V-A-N-T-E!
Que coisa mais enervante de ler.
Não, não gosto de excessos.

Tuesday, July 29, 2008

É que não posso (16)

As pessoas que, arrogamentemente, apelidam de incultos aqueles que não pertencem à tribo e que, ao fazê-lo, dão erros de português, irritam-me. Apetece-me chamá-las de ... incultas!

Acordei

Acordei com a chuva a bater nas janelas.
Fui fechá-las.
Ainda voltei a deitar-me mas só por hábito porque tempo para dormir não havia.
Preguicei por uns momentos, com o quarto cheio de luz (não há maneira de aprender a conviver com o escuro!).
Dentro de dois dia partirá uma colega com quem partilhei meses de trabalho. Regressa a casa, down under (um misto de nacionalidade australiana e escocesa).
E é assim a vida, num perpétuo movimento como diria o poeta.
Hoje faz 10 anos o meu sobrinhito mais pequeno, sinal que tudo isto ainda roda como soía!
Seja.
Por mim, só quero que chegue o dia de amanhã!

Monday, July 28, 2008

Maçada

Há dias em que o blogue me maça, me irrita. Em que não compreendo a sua utilidade!
Depois lembro-me que tudo tem um fim.
Será o princípio?

Sunday, July 27, 2008

Fim de tarde

Há algo de místico na cor pesada que envolve o céu antes de uma trovoada.
Vejo poesia nas nuvens que se enrolam lentamente, cobrindo o sol, esmagando o calor contra o solo, anunciando a purificaçāo pela chuva.
Calmamente, retiram-se os chapéus de sol, recolhem-se as cadeiras, silenciam-se as conversas, num ritual de passagem.
Depois, é a sempre renovada admiraçāo perante esse espectáculo, de luz e som, da natureza. 

Desejo

Gostava de saber contar uma história como Ian McEwan!

Friday, July 25, 2008

Sexta, pela graça de Deus

Na rota das minhas descobertas literárias cruzei-me com Amitav Ghosh.
Um deleite!

Thursday, July 24, 2008

Saudades

Hoje acordei com saudades do cheiro a maresia.

Wednesday, July 23, 2008

Mais do mesmo

E porque nestes sítios o sol é de pouca dura, o dia amanheceu cinzento, a puxar para o Outono, mas sem cheiro de castanha assada!
Aqui aprende-se a dar importância ao momento, porque o sol não espera.
Ontem, mais para o final do dia, troquei os planos pela leitura ao sol.
Fiz bem.
Os planos seguem hoje, nesta normalidade plúmbea, como se nada fora.

Tuesday, July 22, 2008

Imagem

Não sei porque guardo imagem soltas, sem texto nem contexto, só uma forma, uma cor, um cheiro.
De vez em quando, recordo-a.
Não porque queira. Não saberia fazê-lo.
É ela que se recorda a mim, quando alguma palavra-chave a faz soltar-se das brumas.
Fica suspensa de uma história, de um enredo. Intriga-me.
Ontem, quando virei a última folha de um livro, surgiu-me uma dessas imagens, uma sombra na noite, perdida numa cidade que desconheço qual seja.
Havia um cheiro, fumo seria?, havia humidade, frio talvez.
Não sei que imagem é, não sei onde a fui buscar.
Mas distraiu-me.
Distraiu-me de imagens que quero apagar e que voltam, a galope, quando a vontade se desleixa.
Deixei que essa sombra me fizesse companhia por uns momentos.
Depois, fui arrumar o livro.

Friday, July 18, 2008

Libertação

Há algo de libertador no deitar fora. Com as coisas vão-se histórias e memórias que insitimos em lhes dar, vendo alma onde apenas há ... coisas.
Ainda por cima é sexta, pela graça de Deus.

Thursday, July 17, 2008

Renovação

Tenho a tendência enervante de acumular tralha.
É uma tendência natural. Não me custa nada.
Ver-me livre dela é que é o cabo dos trabalhos...

Wednesday, July 16, 2008

A Bélgica e o governo

Manifestamente, a Bélgica anda com problemas governativos!

Ou então é o homem que não quer ser primeiro-ministro. Acho que é uma conclusão plausível para se tirar ao fim de três demissões.

Que cansaço que deve ser, ser-se Rei de uma monarquia destas...

Chuva miudinha

E eu fico aqui a pensar que este cinzento nos puxa para aquele café que é "nosso", onde pedimos uma bica e um chá de menta e ficamos à conversa, sem fio nem destino, só porque sim, porque nos apetece, porque assim nos sentimos bem.

Tuesday, July 15, 2008

Momentos

Há que aproveitar estes momentos de benesse; a chuva já está anunciada!

Por isso, ontem, no final do dia, depois de jantar, dei um passeio a pé. Pelo meu bairro. Sentei-me num banco de jardim em frente ao lago. A conversar. Não me lembro da última vez em que me sentei num banco de jardim. A conversar. Nem sei se alguma vez o fiz, para ser franca.

Ontem fi-lo. E gostei.

Monday, July 14, 2008

Conversas

E, enquanto folheava um livro antigo, revivia as memórias em histórias que ia contado.
Saltitava de umas para as outras, punha de novo os óculos e explicava mais uma foto, descobria as diferenças que a recordação já não registava.
Histórias antigas, sempre renovadas, na memória dos que as haviam vivido, na imaginação dos que o ouviam.
A saudade era o fio condutor dessas histórias soltas que, um dia, deveriam ser escritas.

Boa semana

Depois de uma semana de chuva, sabem bem este sol e este céu azul!

Friday, July 11, 2008

Sexta pela graça de Deus

Juro que o aquecimento do meu gabinete está ligado!
(E só ouço falar de aquecimento global. Onde ? Onde?)

Thursday, July 10, 2008

Desabafo

É que estou farta de chuva!

Wednesday, July 09, 2008

Outros tempos

Ontem, numa amena cavaqueira, fizeram-me notar que não existe em Portugal, essa Pátria amada, um museu dos Descobrimentos.
Não sei se fiquei mais espantada pelo facto em si, se por nunca me ter verdadeiramente apercebido do facto.
E recordei-me daquela viagem em que me apontaram orgulhosamente um padrão português, réplica do original (bem guardado num museu) ali deixado nos idos de 1488 por Bartolomeu Dias.
O apontamento foi feito por orgulho estrangeiro, orgulho que eu ultrapassei pela honra de partilhar raça e língua com esses portugueses de então que foram por aí dando novos mundo ao mundo!
Hoje, pelos vistos, deixamos que sejam outros a apontar. E a guardar as peças em museus.

Tuesday, July 08, 2008

Quem sou?

Nasci em Lisboa.
Cresci nos Olivais.
Amadureci no Luxemburgo.
Vou andando por Bruxelas.

Qual é a minha identidade perguntas? Porque dou tanto peso a sítios que só turisticamente cruzei?

Tento responder-te.

A minha cidade é Lisboa, feita de sol e sal. Feita das escolas por onde andei, das pessoas que conheci, dos sítios que descobri. Feita também das histórias que não vivi e que me habituei a conhecer por filmes e livros. De tal modo que as sinto minhas.

E nessa cidade fui envolvida em histórias da minha família, em palavras dos avós, em fotos vistas e revistas, tantas vezes recordadas que é como se lá estivesse estado. Chegaram-me sons outros, gostos diversos, palavras distintas e muitos sonhos. Que alimentei puerilmente primeiro, deliberadamente depois, crescendo em conhecimento e em consciência de que a minha identidade era também essa Lisboa "capital do Império" como me ensinaram na escola.

Parte de mim estava onde eu nunca houvera estado. Num sítio quente e invertido, onde era Verão quando a minha cidade tiritava de frio. Onde os horizontes se alargavam para realidades impossíveis na minha curta visão lisboeta. Esse sítio de onde me chegaram estatuetas e livros, móveis e panos coloridos, pulseiras e missangas.

Alimentei ilusões, decerto. E preparei o caminho para as pôr à prova.

Fui.

Confrontei os meus sonhos com uma realidade que todos diziam dura. Inesperadamente esses sonhos chocaram com um longo abraço quente de imagens que se conhecem, se reconhecem, não obstante nunca se terem visto. De lugares que se identificam ainda que nunca por lá tivesse passado. De cheiros que se sabem nossos mesmo que nunca os tivesse cheirado.

Reconheci os passos da minha família como se fossem meus. Intitulei minhas essas vivências.

Impostora serei.

Por ter ido buscar raízes às minhas raízes matriarcais, por as ter colado com as minhas próprias raízes lisboetas. Colei ao meu modo europeu de ser esse jeito africano de querer ser. Que sei que nunca serei.

Assim sou.

Liberdade editorial

A última revista LER tem a Margarida Rebelo Pinto na capa. Caiu o Carmo e a Trindade. Até parece que alguém é obrigado a comprar a revista! Compra quer quer, quem não quiser que siga caminho.
Há gente que adora comprar guerras.

Friday, July 04, 2008

Sexta pela graça de Deus

Não consigo imaginar as emoções do reencontro de Ingrid Betancourt com os seus filhos.

Wednesday, July 02, 2008

Conto a conto (10)

Tudo era transparente.
A mão que deseperadamente se estendia.
A palavra que insistentemente se dizia.
O olhar que tristemente se perdia.

Enrolou-se num canto.
Diminuiu-se.
Desapareceu-se.

Sobrou um canto.
Uma nota de música.
Uma balada suave.

Que se prolongou, transparentemente, na noite escura.

Tuesday, July 01, 2008

Silêncio

Há momentos em que o silêncio é eloquente.