Tuesday, August 12, 2008

Greve

No aeroporto internacional de Bruxelas.
Greve selvagem.
Sem pré-aviso, nem alternativas.
E todos nós, os passageiros, que viajam por motivos de férias ou de trabalho, que partem ou regressam, reféns.
Sem saber quando acaba a greve.
Sem saber o que vai acontecer.
Os grevistas afectam, economicamente, os seus empregadores mas também todos os que viram os seus vôos anulados, atrasados, deslocados. E que nada podem fazer a não ser esperar, desejar, aceitar mudanças para Charleroi ou Liège...
Não consigo não achar que há algo de errado nesta forma, subversiva, de fazer greve.
Irrita-me a passividade das autoridades, este encolher de ombros, este deixar que o caos se organize por si próprio. Lembra-me a história dos camionistas na Pátria.
E concluo que vale a pena não respeitar nada nem ninguém.

Monday, August 11, 2008

Notícias

Neste lento ritmo de pré-férias, chegam-me da Pátria, notícias difusas.
Rara atenção presto a este esforço informativo de quem pouco tem para informar em época silly.
Até que as vozes se alarmam com esses malandros estrangeiros que vêm para aqui, assaltar.
Acordo do torpor.
Esta necessidade de apontar o estrangeiro como a origem do mal, de assim santificar o nacional, o nosso! E recordo-me de dizer antigo e certeiro dos santos de pau carunchoso.
Eram brasileiros, dizem. Presumo que brancos porque tal não disseram.
Parece (porque não vi) que estiveram em directo nas televisões.
Qual espectáculo moderno de circo romano.
E houve um dedo, de um qualquer imperador, que se virou para baixo.
E houve morte.
Para gáudio dos demais.
(E o que me incomoda é esse elo directo do mal que merece a morte assim se condenando sem leis nem direito. Assim se banalizando a tragédia).

Adormecida

Bruxelas está adormecida.
Os passeios acordam vazios e as estradas incomodam-se com os raros carros passantes.
Assume, assim, a sua pequenez, nas distâncias encurtadas pela ausência.
Eu sonho com a praia, breve, breve!
Mas admito que esta cidade, deste modo, tem algo de nostálgico que me envolve.

Friday, August 08, 2008

Sexta

E aí vem mais uma sexta. Pela graça de Deus.
Hoje começam os jogos olímpicos.
Não verei a cerimónia de abertura, trabalho oblige, mas seguirei os jogos com algum interesse, ainda que remoto, como sempre faço com a televisão.
Recordo de, há muitos anos, numa cerimónia de encerramento, o meu pai me ter dito para eu ver com atenção porque coisa idêntica só aconteceria 4 anos mais tarde. Uma eternidade.
Desde então passaram muitos 4 anos.
Aconteceu muita coisa.
Mesmo a eternidade mudou!

Thursday, August 07, 2008

É bom

É bom conversar.
Trocar ideias, prolongar sorrisos.
Ouvir e aprender.
Falar e explicar.
Sobretudo quando a noite está acolhedora.
Depois, os gestos enlaçam-se e as palavras deixam de ser a única conversa.

Parabéns

Mais um ano que passa, na esperança de outros que virão.
Em Bruxelas chove!
Aí, acha-se sempre que não.

Wednesday, August 06, 2008

Rapidez

Enviei à TAP uma reclamação em Fevereiro.
A TAP respondeu-me agora (dizendo que lamentava mas que...).
Estive quase a impressionar-me com a rapidez da resposta!
Mas, enfim, vale mais tarde do que nunca...

Monday, August 04, 2008

Perspectiva

A neblina alongava-se pelos montes, fina tela rosada espalhando a cor sépia pela paisagem.

Não sei onde fui buscar esta imagem. Sonho talvez, não obstante sonhar pouco, ou pouco me recordar do mundo onírico.

Poderá ser de um filme, desses que quase não deixa rasto na memória depois de ter cumprido a sua função de nos distrair por uns instantes.

Sei apenas que havia essa neblina rosa, que abafava os sons e dissolvia as cores.

Como se dissolvesse o mundo!

E percebi que era o meu. Era o meu mundo que assim se esfumava, liquefazendo os meus desejos, rasgando, lentamente, os meus propósitos.

Tentei lutar. Disso me convenci pelo menos.

Mas, depois, disseram-me que não, que me sentei olhando essa imagem e que a neblina, se a houve, estaria no meu olhar.

Caminho

Iria por aí. Se pudesse!
Iria por aí, à procura do que, decerto, tenho aqui.
Ainda assim, em ritmo de fuga, iria por aí.
E se perguntassem, diria que iria em busca da felicidade.
Faz sentido. Aceita-se porque faz sentido.
Eu não quero perguntas.
E, disseram-me, nem sequer sei se quero ser feliz.

Friday, August 01, 2008

Sexta, pela graça de Deus

Não sei porque insisto em dizer que não gosto de policiais!
A verdade é que estou a gostar muito de "The interpretation of Murder" de Jed Rubenfeld.
Mas, como sou pessoa de hábitos arraigados, sou bem capaz de continuar a dizer que não gosto de policiais! Enfim, sempre há excepções que confirmam as regras.