Thursday, November 27, 2008

Mumbai

A globalização fez encolher o mundo. Tornou-o mais ao alcance dos nossos olhos. Talvez se tenha reduzido a magia do que se desconhece e se suspeita apenas. Talvez. Mas, com o aumento do conhecimento, as coisas tornaram-se mais nossas.
Portanto os ataques a Mumbai são aqui, mexem directamente connosco, assustam pela proximidade, desmoralizam pela facilidade.
Nunca estive em Mumbai mas um dia estarei. Sei-o. Como sei o que é, como se vive. Os livros explicam, as imagens esclarecem e a imaginação faz o resto.
Estava a saborear "The white tiger" quando uma volta no comando me leva ao incêndio e a notícias soltas de quem procura a lógica em actos loucos.
Um ataque a mais uma cidade, também ela minha, como Nova Iorque, Madrid ou Londres.
Fiquei zangada. Acho que Aravind Adiga também deve ter ficado. Vive em Mumbai. Talvez até estivesse em casa, como eu estava, a ver a televisão, como eu estava.
Decerto ficou zangado. Como eu.
Só não sei o que fazer com a minha zanga!

Tuesday, November 25, 2008

Continuo sem tempo

Ainda não tenho tempo para escrever.
Mas tenho pena.
As letras acotovelam-se na mente, prontas a formarem palavras e frases, ansiosas por se contarem.
Retenho-as.
Sinto-me mal porque elas entristecem. Algumas há que desistem. Devagarinho, perdem a nitidez, esbatem-se.
Quando dou conta tenho uma palavra estropiada... A precisar de carinho urgente que não tenho tempo para lhe dar.
Prometo-lhes que volto, peço-lhes para esperarem um pouco, para não me abandonarem e me deixarem perante a folha branca quando quiser regressar.
Torno a prometer quando sinto que se agitam de novo, cansadas da inactividade forçada.
Haverá tempo.
Prometo.

Monday, November 24, 2008

Volto noutro dia

Impõe-se, agora, escrever claro. Simples e directo. Sem rodriguinhos. Nem floreados. Para que todos percebam. E não sobrem dúvidas. Combatam-se os adjectivos. Reduzam-se os advérbios. Nada de perífrases. Nem ironias!

Aqui fica: não tenho tempo para escrever.

Friday, November 21, 2008

Textos sem sentido

Há quem venha aqui parar, a este bloguito, procurando "texto sem sentido".
Entrem, entrem e procurem com calma.
Porque o sentido dos textos sou eu que o dou.
Para os demais, eles podem bem não ter sentido algum.
E depois, como o poeta Pessoa dizia, podemos sempre fingir.
Que sentimos.
Ainda que seja o sem sentido do texto.
(Não se esqueçam de que o poeta fingia que sentia o que deveras sentia).
Por isso, percam-se na leitura destes mais de 1000 posts. Caminhem sem sentido.
Algo encontrarão.
Espero.

De novo

Chove, está frio e muito vento.
Mas é sexta.
Pela graça de Deus.

Thursday, November 20, 2008

Enquanto o diabo esfrega um olho!

Nem tempo tive para lá ir.

Piratas

Eu sei que são preocupantes todas estas recentes notícias sobre os piratas somalianos, mas não consigo deixar de me lembrar das histórias de infância de cada vez que ouço falar de piratas!
Demasiado Peter Pan, só pode!

Tuesday, November 18, 2008

Polémica actual

As modas são assim: impõem-se sem apelo, insinuam-se e obrigam-nos.
Nós adaptamo-nos, está bem de ver. De qualquer maneira, é próprio do ser humano, adaptar-se, aceitar e depois defender e justificar.
Agora é a vez da transparência, da abertura, tudo em nome dos princípios democráticos que quanto mais se discutem menos se praticam, mas isso todos sabem e, assim como assim, são outros quinhentos.
Não iremos por aí.
Para efeitos deste post aceitemos, pois, a moda.
E defendamos que tudo é público, mais do que público, que deste modo, cada qual guarda para si o que aprouver porque os olhos dos demais estão cheios de tanta ... publicidade.
E chegamos a esse direito, feito fundamental pelos arautos modernos de mostrar entranhas e rascunhos, modelos e tentativas, o acesso a documentos.
Livre, também aqui, tudo livre.
Menos o que não é, porque, sabe-se, não há regra sem excepção.
E se aqui é que a porca torce o rabo, tentemos que, ao menos, o torce de forma linear, repetitiva, para facilitar interpretações.
Qual quê!
Porque há coisas que resistem à simplificação e há pessoas a quem tal impressiona; e toca de inventar casos e descasos, cheios de ses e de suponhamos para ver até onde é que vai o princípio e qual o alcance das excepções.
E se for uma carta? Uma carta pessoal.
Responda-se, a roçar a impaciência, que se aplicam as regras: se as excepções não se aplicarem, publique-se, divulgue-se.
Insistem, pessoal mesmo! Assim íntima.
Tente-se mais uma vez, quiçá com outras palavras: os documentos que a Comissão Europeia detém são, em princípio, públicos...
Retorquem que é indecente expôr assim nudezes pessoais, desabafos de alma.
Leve-se a imaginação ao rubro: haverá quem faça da Comissão serviço de psiquiatria, confessionário leigo? Quem confesse amores de peito e ódios de estimação?
Se calhar sim.
Este é um mundo capaz de tudo.

Sou só eu?

Detesto.
Assim mesmo de detestar.
A artificialidade do "team building" causa-me urticária e as calças de ganga do director (sim, porque a informalidade é ... obrigatória!) deixam-me indiferente.
Pura perda de tempo, sorrisos de plástico, decisões que ninguém supõe que sejam executadas, joguinhos imbecis para, dizem, cimentar as relações.
Falaram em relações?
Com os coleguinhas de trabalho?
Mas há quem queira cimentar tais relações?
(E nem uma constipaçãozita que me obrigue, totalmente contra minha vontade, a recolher ao leito nesse dia!)
It's not fair, it isn't...

Arrefece

Está cada vez mais frio.
Ao menos contextualiza as decorações de Natal...

Monday, November 17, 2008

Felizmente há mundo virtual

Sempre vamos sabendo de uns e de outros, alimentando a sede de contactos e amachucando a culpa de não termos conseguido os propósitos de guardar contacto.
Mas, depois da excitação da (re)descoberta, não ficará o amargo da distância e do tempo todo em que a vida se viveu por outros caminhos?
Ainda assim, vale a pena.

Desespero

No meio de tanto registo no mundo virtual, já não me entendo com tanta password!

Friday, November 14, 2008

Sexta, pela graça de Deus

Entre dois períodos nocturnos, aquele em que me levantei e o presente, sinto que não senti o dia.
Há dias assim...

Thursday, November 13, 2008

Folhas de Outono

O que sentem as folhas pergunta a Madalena e imagina-as entristecidas, como o Outono, a serem pisadas pelos passantes.
Pois eu tenho uma visão mais doce, Madalena.
Doce como o Outono, apesar de aqui não cheirar a castanhas assadas.
Imagino-as a procurarem o sossego, umas encostadas às outras para não arrefecerem, depois de um suave vôo guiado pela brisa outonal, ou de um atrevido salto picado ao colo de uma rajada de vento.
Porque também as folhas têm a sua personalidade e ao lado daquelas que vão procurar os recantos dos jardins para que ninguém as incomode, há as que, mesmo no fim da viagem, procuram emoções fortes, sensações extremas.
Reparaste que há folhas que aproveitam qualquer nesga de vento para surfarem à nossa frente, que se regojizam com um pontapé da criança que passa para darem mais um salto mortal?
Repara até que há umas que ostentam cores maravilhosas, que se maquilham de amarelo e vermelho e ferrugem, para que as levemos para casa e as admiremos em composições outonais!
É certo que algumas se rasgam, se partem. Ou rasgam-nas ou partem-nas.
Se eu disser que é assim, que temos que aceitar que há coisas boas e coisas más, acharás que sou fatalista.
Talvez, até porque sou portuguesa e esse é um dos nossos fados.
Mas são essas folhas rasgadas que permitem que nos maravilhemos perante as outras, as que se libertam da lei da morte (como diria o poeta) para ficarem na nossa imaginação ou nos nossos trabalhos manuais.
Por isso, Madalena, quando as vires de novo, em remoinhos no chão, olha bem e verás muitos sorrisos de Outono.

Tuesday, November 11, 2008

Que horror!

É dia de S. Martinho e eu esqueci-me.
Completamente.
Não cheira a castanhas assadas nesta cidade...

Sorrindo

Para ti sorrio.
Como para os outros e contudo só para ti sorrio.
Não o vês?
Devias senti-lo porém.
Porque nesse sorriso só para ti está um pedaço do meu coração, transformado em felicidade.
Como o sorriso das crianças quando se iluminam.
Como o sol.
Já reparaste que há crianças que trazem no sorriso um pouco do sol?
São sorrisos quentes e luminosos.
Pelo menos eu sinto-me aquecida e iluminada quando me sorriem assim.
E depois há as palavras-sorriso que nos surgem no caminho de forma inesperada.
Também são só para ti aquelas que te digo.
Finges espanto mas eu sei que sabes.

Noite

A chuva acompanhou a minha noite.
Chuva forte que caía na janela como o jacto de um chuveiro, batida por rajadas de vento que arrancam as folhas outonais, espalhando pedaços de amarelo torrado pelo chão da cidade.
Noite ruidosa em que dormi aos solavancos entre os sons da natureza e aqueles que a minha mente inventa nestas noites de Inverno. Sons e imagens selvagens como o vento, enrolando-se em histórias sem nexo que me extenuam, me deixam à procura de um sentido.
Agora o sol brilha.
É o dia que descansa.
Eu descansarei mais logo.

Monday, November 10, 2008

Fim de domingo

O cinzento adensa-se.
É natural. É tempo dele.
Embalada pelo vento que sopra lá fora, entretenho-me a transformar umas coisas noutras, a dar forma ao que vou idealizando.
Acabo enrolada nas páginas de um livro, sem contar o tempo porque a noite, de tão precoce que agora surge, deixa de ter sentido.
Ouço, meia distraída, as notícias e troco umas impressões: não compreendo porque maltratam assim a educação em Portugal, é preciso querer para ser professora hoje em dia, são vocações dizes, será preciso que todas carreguem a sua cruz, as vocações?, penso. Obama salvará o mundo mas não o Sporting que continua ziguezagueante entre vitórias e derrotas, sorrio enternecida à zanga pela bola que não entra, que se recusa a entrar na baliza, volto ao livro e acho que está tudo bem assim.

Friday, November 07, 2008

Ao sabor da crise

Não há como a crise para tornar a União Europeia mais apetecível.

Sexta, pela graça de Deus

Foi impressão minha ou esta sexta demorou mais tempo a chegar?
Que coisa!

Thursday, November 06, 2008

Modelagem

Há a matéria.
Bruta.
Contudo, encerra em si a beleza.
Como o diamante que começa por não ostentar o brilho que verdadeiramente tem.
A matéria é aquilo que quisermos fazer dela.
Desengenho nosso se não lhe dermos a evidência que pode ter.
Que ficará, por falta de arte, ocultada. Mas não inexistente.

Wednesday, November 05, 2008

Deveras

Sente-se o que os outros vêem? Vêem os outros o que sentimos?
Nāo pareces sentir o que dizes, afirmam. 
E como sabem que sentimos o que dizemos ou que dizemos o que sentimos?
No silêncio da noite, quem sabe o que sentimos?
E se o que sentimos nāo se diz?
Ou, como diria o poeta, sente-se o que deveras se sente, ainda que nāo o digamos. Ou mesmo que o digamos. O que importa aqui é o deveras!
Esse diz-se, mas nāo se sente, nem sequer se vê.

Good morning Mr President

Estamos, decerto, a viver história.

Tuesday, November 04, 2008

Sem links

Madruguei, mais do que habitualmente, vim até à blogoesfera, como habitualmente, à laia de café da manhã, para acordar de vez, para aquecer.
Na volta que faço habitualmente espantei-me, entristeci-me, enojei-me.
Ainda bem que tal não acontece habitualmente: já teria desistido deste mundo virtual onde o anonimato permite a manifestação livre de seres asquerosos, que nada merecem.
Sem links, porque os factos são irrelevantes, soube por blogonotícia da morte repentina de jovem de 22 anos, de pais conhecidos.
Arrepiei-me.
(Porque estas coisas me enchem sempre a cabeça de porquês).
E fui lendo coisas daqui para ali como é próprio deste blogomundo e aterrei em blogoimundo que se alegrava com tal morte.
Não sei se as letras eram de inveja, se as palavras de maldade, mas o texto era nojento. Só pode ser viscoso o ente que assim pensa e que assim escreve.
Fiquei a balançar entre a pena da primeira informação e o absurdo desejo de que algo de mau pique o coração desses seres disformes que vivem do mal que sentem e que fazem.
E agora, porque o mundo parece ser assim, vou voltar para este meu espaço, real, onde conheço as pessoas e de onde afasto aquelas que não me agradam.
Com uma oração por esse jovem que não terá mais voltas na vida para lidar com energúmenos.

Monday, November 03, 2008

Dia da bruxas

A globalização tem destas coisas, três bruxas que se passeavam pelas ruas de Bruxelas perante o ar desligado dos demais transeuntes a arejarem, noite entrada, num intervalo na chuva que caiu todo o santo dia de sábado.

Estranheza. Aqui, só o esforço comercial enche as montras de laranja e preto, abóboras de plástico, com olhos vampirescos e sorriso recortado de dentes, já com sítio para pôr a vela, que nunca vi em casa alguma de amigos ou conhecidos. Mesmo quando num esforço de festejar qualquer data, nos tempos idos mais jovens em que se festeja tudo e mais alguma coisa, nunca vi abóboras a sorrirem dantescamente, nem bruxas a perpassarem pelas janelas, nem aterradores mascarados a baterem a portas.

Insistem as lojas. E como água mole em pedra dura tanto dá até que fura, lá iam as três transportando para a capital europeia cenas de filme americano.

Serão mais para o ano, sem dúvida, porque o Natal não basta para vender e fazer comprar.

Tenho é pena que este aumento das bruxas apague das memórias o S. Martinho, menos vistoso decerto, apagadas que estão as fogueiras por desuso e protecção contra perigos reais e imaginados, não vá uma pessoa deixar-se ficar a olhar o fogo, enfeitiçada, enquanto come castanhas assadas ao ritmo de as descascar e de as empurrar com jeropiga doce.

Dizer mal

Dizem que é fácil dizer mal. Que, pelo menos é mais fácil do que dizer bem.
Confesso que não sei. Acho que pratico ambas as artes com conta, peso e medida, para não cansar.
É que é uma canseira ouvir, ou ler, pessoas que só dizem mal, excepto deles!
Hesito entre achar que são uns infelizes: viver rodeados de tanta coisa má deve ser deprimente! ou achar que são uns pretenciosos: coitados, cercados que estão de imbecis!
Mas chatos, isso são concerteza. Daquela chateza feita de previsibilidade, e haverá coisa mais chata do que conhecer o que vem a seguir?, feita da certeza de que irão ver mais uma incompetência, uma incoerência, uma deficiência em tudo o que os rodeia. Daquela chateza feita de se saber (sabemos todos, menos eles) que a excelência de que se acham possuídos nada mais é do que uma enorme banalidade, porque não fundo, são tão incompetentes, incoerentes, deficientes, como os demais que acusam.
Serão tristes talvez!
Porque a galinha da vizinha é sempre melhor do que a que, por infelicidade, lhe coube a eles...
Enerva-me particularmente aqueles que acham que Portugal é o exemplo acabado de idiotismo, idiotismo que se pega a todos os dirigentes do que quer que seja (nestas coisas o idiotismo não olha a cores nem a futebóis!), a todos os produtos que mão portuguesa tenha tocado, a tudo, mesmo tudo, excepto eles, que só nasceram portugueses porque Deus, na sua infinitude, por vezes, é irónico.
Ou outros, os que acham que é o mundo todo que está mal, são uns desiludidos da vida, que se amargam em cada dia que passa, que se recolhem à sua bolha protectora para fugir do Inferno que são os outros. Maçam pouco.
Ao contrário dos portuga-maldizentes que irritam com a sua boçalidade superior, com a sua desconhecida mediocridade.
Não tenho pachorra para tais tipos!