Thursday, June 11, 2009

Da importância das cores

Não é que seja mau. Não o é. Mas eu esperava outra coisa e por isso me arrasto lentamente pelas páginas do livro.
De vez em quando sinto a centelha que procuro (ou imagino-a, sei lá), e tento agarrar-me a ela, deixar-me deslizar nos deleites da genialidade.
Assim foi ontem, depois de ter encontrado a senhora de mala castanha à porta de casa, a mesma mala com que ali entrara, nem mais, nem menos, prova da honestidade da serviçal.
Afinal não, ainda não seria desta que acabaria o trabalho naquela casa e a mala castanha, a mesma mala de sempre, voltou ao pequeno cubículo que lhe servia de quarto e de templo.
Depois de tocar as relações sociais na Índia, entre religiões e castas, cor da pele e preconceitos, chega enfim o tempo do fim. O tempo de regressar a casa, que não é bem sua e que só a quer de passagem para outra casa onde possa servir mais uma vez.
Daí a importância da mala, a que a acompanha em 40 anos de ida e vindas, em 40 anos de casas várias.
A tal mala que era castanha, no início, quando a vemos preparada para a falsa partida.
E lá sai ela, em direcção ao autocarro que a levará à casa que também não é sua. Mas desta vez a mala que leva é encarnada…
Parei.
Espantei-me com a minha, seria inventada?, mala castanha.
Voltei atrás nas páginas para confirmar a minha incorrecção, como poderia eu ter visto castanho numa mala encarnada?
Voltei atrás e confirmei que, no início, a mala, a tal mala que toda a vida a acompanhara, era castanha.
Esta mudança de cor perturbou o meu conceito de eternidade.

1 Flocos de neve

Blogger Madalena atirou uma bola de neve ...

As cores ultrapassam rapidamente o nosso sentido chamado visão e atingia muito velozmente a nossa compreensão e agitam os nossos mares de tranquilidade interior com a incerteza que gera uma onda de insegurança. Mas, depois, tudo volta à normalidade.... digo eu! beijinhos, Pitucha!

10:40 am  

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