Friday, October 23, 2009

Sexta, pela graça de Deus

No fundo dançavam notas musicais de mornas e coladeras.
Não lhes prestava atenção mas sentia-se confortável por sabê-las aí.
Senti-as como pontinhos de calor neste Outubro outonal.
Como as castanhas assadas.
Se fechasse os olhos sentiria o cheiro do Sal, essa mistura de mar e de deserto embrulhado pelo vento em música e solidão.
Mas agora estava distraído e não procurou outros sabores.

Engoliu, sem gosto, o café. Por hábito. Para ocupar o tempo enquanto esperava que ele passasse.

Esperava que o tempo, passando, o ajudasse a escolher.

E com isto se surpreendeu. Nunca fora seu feitio deixar que o ajudassem a optar, muito menos o tempo com a sua mera passagem.

Sinta-se amolecer, desinteressado. Qualquer coisa, tanto lhe fazia, o tempo que decidisse…

Agora sim, fechou os olhos e sentiu o cheiro do Sal.

Teve saudades.