Friday, January 30, 2009

Sexta, pela graça de Deus

Isto de combater vírus da constipação é excelente para a leitura: não há saídas, nem ginásio, nem demais actividades extra-muros.
Chá com mel, mantinha nos joelhos, alguns lenços à mão de semear e um livro para devorar.
Acho que vou repetir o tratamento mais logo!

Wednesday, January 28, 2009

Foto

Disse-me a Claudette, no comentário que fez ao post anterior, que uma fotografia resolve a falta de palavras.
Vale por mil, dizem.
Mas, num blogue de palavras feito, (houve uma excepção que permanecerá única!), a foto terá que ser feita de letras.
Seria uma cidade.
Uma rua a acordar.
O frio adivinha-se nos corpos encolhidos, nas caras ensonadas encondidas nos gorros, nos olhos que ainda não beberam café.
Há um carro no fundo da rua.
(Vê-se um pouco de um outro carro, no cruzamento, porque o fotógrafo não se preocupou com enquadramentos e não esperou que o carro fizesse a curva.)
Isto são detalhes, aquilo que vos conto, porque já vi a foto várias vezes e já me posso concentrar nos pormenores.
Aquilo que se vê, antes de se ver tudo o resto, é uma ténue nuvem rosada num céu pálido, ainda a despedir-se do seu roupão estrelado.
Eu diria que é um bordado que os anjos espalharam para receber os primeiro raios de sol. Mas isso sou eu que tenho a mania que sou poeta!
A Claudette, que conhece Bruxelas, tentaria perceber que rua é.
Outros, talvez, ficariam indiferentes perante a banalidade da foto.
Ou tentariam perceber a marca do carro ao fundo da rua.
Ou a matrícula, para confirmarem se a foto era mesmo de Bruxelas.
Os mais afoitos a photoshop, espantar-se-iam com as visíveis imperfeições e proporiam retoques e melhorias.
Alguns olhariam uns segundos e mudariam para o blogue seguinte, sem darem à foto tempo de lhes dizer o que quer que fosse.
Estou certa que haveria quem começasse a trautear uma música. Um amanhecer na cidade pode recordar muitas músicas. Baladas, talvez.
O que vos diz a minha foto?

Tuesday, January 27, 2009

Sem palavras

Sinto que tenho algo para escrever mas não sei que palavras usar.
Remeto-me ao silêncio.

Sunday, January 25, 2009

Livro

"The Birthday Present", parece-me ser uma versão moderna de Crime e Castigo.
Haverá forma de lidar com os remorsos?

Friday, January 23, 2009

Distância

Há momentos de bruma em que não se alcança mais do que a dor de alma que preenche o ser.
Instantes em que tudo se liquefaz e as certezas firmes deslizam, aquáticas, por pilares frágeis, quase irreais.
E há uma bolha que se lentamente nos abafa, nos enrola em silêncio e incompreensão.
As palavras perdem a matéria e esvoaçam perdidas em caminhos que não existem.
Os gestos enredam-se em teias de aranha de delicada inflexibilidade.
De qualquer modo, sem as palavras, os gestos perdem o sentido.
Penduro os braços sem coragem para lutar.
Desistir é a única luz que me chama.
Na sua suavidade quero repousar do meu cansaço.Parar, de mansinho, até que a esperança adormeça e deixe de desejar.

Outro dia de chuva

Mas é sexta-feira, pela graça de Deus.

Thursday, January 22, 2009

Dia de chuva

Hoje é um daqueles dias em que nada faz sentido.

Wednesday, January 21, 2009

Usos e costumes

Entre as brumas da esperança e os ventos do cepticismo, perdem-se as comadres (elas e eles, sem distinção de género, e, já agora, de raça, de credo e tudo o mais que o politicamente correcto ditar) na coscuvilhice de café de bairro: então e viste o vestido dela, ai valha-me Nossa Senhora, que coisa feia, pois parece que era de uma estilista cubana, verde ou amarelo, consoante o olho dos comentadores, que acrescentam para que não se duvide do seus dotes estilísticos, que mal que lhe caía e talvez invoquem, mais uma vez, personagens divinas mas, em post tão pequeno não fica bem um outro valha-me Nossa Senhora, ou um ai Jesus ou mesmo um por Deus!
E eu que, distraída, não presto atenção a estas coisas, lá andei de seca para meca no mundo internético para, ao menos, atinar com a cor do dito e como me encontro em veia conciliatória proponho um verde amarelado ou um amarelo esverdeado e mais não digo, que isto de gostos e de desgostos são como as cabeças, cada qual com sua sentença!

Tuesday, January 20, 2009

Obama Day

Com tanto foclore, já estou a imaginar aquelas t-shirts do Che substituidas pelas do Obama!
Porque hoje não há guerra, nem gás natural, nem crise...
Hoje há Obama.

Monday, January 19, 2009

Adaptação

Não sei se me alegre se me entristeça, porque o caso é dado a distintas interpretações consoante a perspectiva, acontece que me sinto diferente. Quase que diria a ficar belga, mas talvez seja ir longe de mais porque há coisas a que jamais cederia, ou, pelo menos, não o admitiria, nem neste blogue, nem em qualquer outro lugar que isto de ser belga tem muito que se lhe diga. Visto de fora, sem grandes filosofias, é quase uma desgraça mas antes que me acusem de xenofobia fico por aqui que é como quem diz volto à vaca fria e prossigo o meu raciocínio.
Tudo tem a ver com o tempo, o clima, esse tema malfadado pela persistência cinzenta e chuvosa com que nos brinda nesta capital europeia.
Dizia eu que estava quase belga e ao clima me referia, portanto.
Sabem os blogoleitores e os que o não são mas comigo lidam que este tempo me complica os nervos e ora me irrita ora me deprime conforme a minha circunstância de momento.
Pois bem, neste domingo ignorei a chuva, o frio, o vento. Ignorei-os simplemente. Fiz como nada se passasse. Assobiei para o lado.
Limitei-me a levar umas toalhitas para colocar nos assentos da viatura à laia de protecção e diverti-me.
Um banho quente no regresso a casa, roupa seca, e continuei a domingar, já sem chuva. Talvez por a ter ignorado fez uma pausa, para melhor respirar, e voltou hoje em todo o seu esplendor.
Acabei o dia a deleitar-me com mais um Saramago, entre outras actividades variadas que uma casa é um mundo como se sabe, e não mais quis saber se chovia, se nevava...
É o que digo, acho que estou a ficar um pouco belga...

Friday, January 16, 2009

Resolução de 2009

Ir a uma livraria e sair de lá só, só, só com o livro que nos levou lá.

Sexta, pela graça de Deus

Parece que estará de chuva, o fim-de-semana. Nada como o habitual para não nos fazer sair das rotinas.
Será quase tudo dentro de portas, à procura do calor.
Quase tudo.
O demais será à chuva. Lá terá que ser.

Thursday, January 15, 2009

Fotos

Se gostam de fotos vão até aqui.
Eu gosto da originalidade e da criatividade.

Memórias de Viagens VI

A minha mente engana-me mais do que gostaria.
Desata a sonhar com calor de cada vez que se fala de África, imagina-a cheia de palmeiras e de frangipanis, com praias suaves de areia branca.
E ficou baralhada quando o avião aterrou no Sal, debaixo de nuvens compactas e a porta se abriu para uma temperatura primaveril e uma paisagem lunar.
Conversei com ela, disse-lhe que 20°C no Inverno era muito bom e a minha mente conformou-se e depositou suas esperanças na praia.
Mas a praia não tinha o mar azul turquesa da sua imaginação, nem a areia imaculada das fotos. Tinha um mar poderoso como o Atlântico sabe ser, cheio, forte, vivo. Um mar que não se deixa domesticar por qualquer turista incauto.
No fundo, era o mar que me banha a cada Verão, que conheço desde que sou e que aprendi a respeitar.
Um mar que casa com uma areia multicor, onde os grãos pretos se misturam com os dourados em arabescos em permanente mutação. Muitas vezes os meus dedos desenharam nessa areia, padrões sem fim, sem nexo, a mudança pela mudança.
O vento afastava a animação, a música, a dança, a alegria forçada, para me deixar ali, nessa areia viva e nesse mar rebelde, a sentir os salpicos das ondas que se desfaziam em estrondos aparatosos.
A ilha é uma pintura de uma cor só, como se o amarelo da praia tivesse sido puxado pelo pincel para as planícies e os montes, desmaiando-se apenas nas poucas acácias que sobrevivem à falta de água.
E só isso é verdade: a aridez, o amarelo, o vento.
E as salinas que fugiram da beira-mar para uma cratera de um vulcão que encheram de tons rosa e branco, onde já só os turistas vão. Isso também é verdade ainda que o sal tenha deixado de cumprir a sua função. Nesse dia havia sol. Sol e sal.
A faixa ajardinada dos hotéis e resorts é uma contradição numa ilha que não se deixa aprisionar pelos clichés da mente. Podem tentar vendê-la com toques africanos, musicá-la com sons das caraíbas, enfeitá-la com colares de sementes que ali não há.
O Sal é uma ilha de silêncio e de calma onde só as mornas fazem sentido.

Wednesday, January 14, 2009

Visto na Internet

Reflexão

Dizem que o mundo pertence aos que se levantam cedo.
Quanto ao mundo, ainda não confirmei, mas quanto às espreguiçadeiras das piscinas, nada de mais certo!

Tuesday, January 13, 2009

Revisitou

Procurou hoje, tempos idos.
Respirou o ar tentando sentir o cheiro salgado que antes cheirara.
Procurou em novos divertimentos as gargalhadas então dadas.
Tentou saborear de novo a mesma bebida.
Em vão procurou pontos de referência.
Agarrou-se a passageira alegria quando reconhecia uma esquina, uma praceta, teimando dar-lhe uma estabilidade mais que efémera.
Comparou.
Recordou.
Repetiu.
Mas não se encontrou no que fora.

Que pena!

Nesta busca incessante do tema para o post do dia, o prémio do Cristiano Ronaldo poderia ser uma óptima tábua de salvação.

Bastaria fazer um post verde e rubro, cheio de garra lusa, assim é que é, grande herói. Isto era se gostasse do sujeito!

Bastaria fazer um post piedoso, a lamentar um país que se ergue por uns pés e uma bola. Isto era se não gostasse do sujeito!

Acontece que o dito sujeito me é completamente indiferente. Tal como o futebol.

Enfim, continuarei à procura de um tema para o post.

Monday, January 12, 2009

Clima

Passei o fim-de-semana a ouvir notícias de um Portugal frio. E ainda não decidi se os jornalistas acham que só há frio na Pátria (e tal só aconteceu agora!) ou se não têm mais nada para relatar.
Ou seja, temos a silly season fora de época!
E isso sim, seria notícia.

Friday, January 09, 2009

Um minuto de silêncio


Parece-me bem. Para ver se se acaba de vez com a violência gerada por religiões de paz!

Quase me esquecia

Que hoje é sexta, pela graça de Deus.
Eu vou ficar pelo Le Désert.
Vou tentar aquecer-me com a ideia do sol abrasador do deserto porque aqui, o sol, ainda que brilhante (não sejamos ingratos, ele brilha), é invernalmente frio.

Ilusão

Ilusão minha a de pretender que algo mude só porque o ano mudou!
Ilusão minha a de achar que as coisas serão diferentes, levadas pelo entusiamo de um novo ano, ainda sem rugas, com o brilho e o cheiro de algo por estrear.
Ilusão minha!
A cada dia, aumenta a minha incompreensão por este continuar tão previsível, a crise cada vez mais habitual, a guerra cada vez mais brutal, a humanidade cada vez mais desumana.
Percebo, enfim, que o problema é meu, nesta recusa de ver no período de festas o simples continuar de tudo o que existe, sem paragens, sem alterações, um inexorável continuar como se o mundo não precisasse de nós.
(Não precisa!)

Thursday, January 08, 2009

Eu sei!

Eu sei de todas as explicações que provam o aquecimento global, mas, confesso, quando tudo está branco e a cidade tirita de frio, tenho dificuldades em compreender esse conceito de "aquecimento".