Tuesday, June 30, 2009

Wishlist

Já está na lista dos livros a comprar.
Quem diria que um dia iria ansiar por um livro de receitas!
O mundo é uma verdadeira caixinha de surpresas...

Monday, June 29, 2009

Pertença

As minhas actuais circunstâncias tornam-me sensível à questão da "pertença".

Vem isto a propósito do livro que estou a ler neste momento ("Dreams from my father") e da comoção provocada pela morte de Michael Jackson que, voluntária ou involuntariamente, foi afastando a cor da sua pele.

A questão racial é assunto subjacente, e tantas vezes contornado por imperativos politicamente correctos, de cada vez que um branco se cruza com um negro. Sobram sempre sentimentos excessivos. Seja vergonha ou precaução, raiva ou compreensão.

Crescemos numa sociedade de culpa. Digo mesmo de preconceitos. E, como todos os preconceitos, simplistas demais para a realidade que abarcam.

Até a ideia de que somos livres dessas ideias preconcebidas e que nos estruturam enquanto seres sociais, é um preconceito.

Quando penso no assunto, eu, que vivo o melhor que posso com os meus clichés, compreendo que, como o diz e repete Obama, tudo é uma questão de pertença: a um grupo, a um país, a uma sociedade.

O drama, se de drama se pode falar, é que a noção de pertença varia consoante a perspectiva: se para Obama a questão era ser negro e americano ou americano e negro, eu, que leio o livro sem grande compreensão prática do problema (sendo branca e europeia) dou por mim a corrigir "mulato". Não que isso adiante muito à minha compreensão prática do problema, mas porque me causa estranheza a falta de precisão.

Ainda assim, entendo a necessidade de se sentir integrada num grupo. A minha ligação emocional à ideia de Pátria, fez-se quando me instalei no Luxemburgo e entendi a comunidade portuguesa aí residente, os choques culturais, econónimos e sociais com os luxemburgueses, a discriminação criada pelo desconhecimento.

Percebo a necessidade de integração quando vejo os jovens "europeus", que cresceram longe do país de origem e sem laços particulares à língua-mãe, tentarem criar, quase deseperadamente, laços de grupo com outros similares, gente para quem o mundo é multilíngue e multicultural.

E se agradeço esta época em que vivo, que me permite cruzar, facilmente, países e gentes faço-o porque sei onde está o meu grupo, porque reconheço como fundamental a minha pertença à língua portuguesa. Sem raças, sem religiões, sem mais: só esse elo mundial em que me reconheço.

Thursday, June 25, 2009

Prioridades

Entre os livros que há para ler, o sol que é preciso aproveitar, a conversa a pôr em dia depois de um hiato de 20 anos, e tudo isso que faz da vida a vida, resta menos tempo para estes blogueios.
É tudo uma questão de prioridades.

Tuesday, June 23, 2009

Momentos únicos

Talvez porque goste de ler e de viajar, gosto de ler livros de viagens.
Interessa-me o lado pessoal que falta nos guias turísticos, onde tudo, ou quase tudo, é maravilhoso.
Comparo experiências quando se trata de sítios que já visitei, guardo avisos sobre sítios que espero visitar, vivo nas letras os sítios que talvez nunca visite.
Deste livro sobrou-me o desgosto e o desinteresse de Maria Filomena Mónica por muitos dos sítios que menciona. Como se tudo fosse uma maçada.
Talvez perca o meu espírito crítico quando abandono as minhas fronteira, mas adorei todas as viagens que fiz. Talvez não me apeteça repetir certos países, decerto não perderei mais tempo a revisitar aguns dos locais que vi, tive contratempos e desilusões. Mas o que sobram são sempre experiências novas, enriquecedoras. O que se acaricia são os momentos mágicos que nos marcam, as sensações que nenhum filme ou fotografia podem transmitir. Momentos únicos.
Momentos únicos.

Monday, June 22, 2009

Tempos modernos

Hoje é possível deixar para trás calor em excesso e aterrar, umas horas depois, debaixo de chuva e de poucos graus.
A distância encurtou-se de tal maneira que sorri ao ouvir a minha avó contar histórias de outros avôs que, deixando o seu norte português, vinham a cavalo para Lisboa depois de se despedirem da família prevenindo não-regressos.
Sábado à noite, refresquei suores em esplanada lusa relembrando coisas passadas e gentes afastadas. Com saudades. Porque, apesar de o termos tornado mais "pequeno", o mundo permanece vasto e são muitos os trilhos possíveis.
Segunda de manhã, retomando gestos normais, abri o computador e para o colo saltou-me uma mensagem de uma amiga desses tempos.
Como se, depois de anos de silêncio, o calor pátrio tivesse transmitido as recordações daquelas ruas da cidade, as tivesse transportado pelo fumo do café por mares que essa amiga entretanto navegou.
Abençoado e-mail!

Friday, June 12, 2009

Sexta pela graça de Deus

Vou em busca do sol, do calor e dessas coisas que estão, naturalmente, associadas à Primavera.

Thursday, June 11, 2009

Da importância das cores

Não é que seja mau. Não o é. Mas eu esperava outra coisa e por isso me arrasto lentamente pelas páginas do livro.
De vez em quando sinto a centelha que procuro (ou imagino-a, sei lá), e tento agarrar-me a ela, deixar-me deslizar nos deleites da genialidade.
Assim foi ontem, depois de ter encontrado a senhora de mala castanha à porta de casa, a mesma mala com que ali entrara, nem mais, nem menos, prova da honestidade da serviçal.
Afinal não, ainda não seria desta que acabaria o trabalho naquela casa e a mala castanha, a mesma mala de sempre, voltou ao pequeno cubículo que lhe servia de quarto e de templo.
Depois de tocar as relações sociais na Índia, entre religiões e castas, cor da pele e preconceitos, chega enfim o tempo do fim. O tempo de regressar a casa, que não é bem sua e que só a quer de passagem para outra casa onde possa servir mais uma vez.
Daí a importância da mala, a que a acompanha em 40 anos de ida e vindas, em 40 anos de casas várias.
A tal mala que era castanha, no início, quando a vemos preparada para a falsa partida.
E lá sai ela, em direcção ao autocarro que a levará à casa que também não é sua. Mas desta vez a mala que leva é encarnada…
Parei.
Espantei-me com a minha, seria inventada?, mala castanha.
Voltei atrás nas páginas para confirmar a minha incorrecção, como poderia eu ter visto castanho numa mala encarnada?
Voltei atrás e confirmei que, no início, a mala, a tal mala que toda a vida a acompanhara, era castanha.
Esta mudança de cor perturbou o meu conceito de eternidade.

Wednesday, June 10, 2009

Dia de Portugal

Aqui, nem o feriado nos recorda.
Vamos indo como habitualmente, sem particular empenho nas nossas cores, nos nossos feitos!
Sobram, por vezes, as saudades do sol, do cheiro a maresia, do pastel de nata comido a olhar o Tejo.
E fazemos mal.
Fazemos mal em tentar esconder tanta história, tantos episódios, tanto mundo dado ao mundo, tanta língua deixada por aí.
(Hoje, vestirei a minha t-shirt que diz "Portugal since 1143". No ginásio. Cá fora não está tempo de t-shirts!)

Tuesday, June 09, 2009

Informação

Se as questões europeias vos interessam:
www.PressEurop.eu

Serão diferente

Ontem deixei-me ficar espalhada no sofá a beber as imagens da televisão.
Passei pelo noticiário francês para ver o mundo visto por Paris (eles e pouco mais do que eles), saltei para notícias portuguesas (um pouco de política, um pouco mais de futebol), não fui aos ingleses (que futuro para Brown?) porque, entretanto, me fiquei por tubarões e nascimentos múltiplos confirmando que gosto de documentários.
É raro dedicar-me assim às imagens, habituada que fui a outros passatempos.
Ainda bem que a corrente blogoesférica das 15 séries da minha vida não chegou aqui: não teria tantas para responder. A última que segui talvez tenha sido "Reviver o passado em Brideshead". No século passado. E o "Sex and the city" em DVD.

Sunday, June 07, 2009

Obrigações

Um clube de leitura é uma excelente desculpa para ir à livraria comprar um livro e sair de lá com três!
(Isto porque, depois de anos de treino, estou a ficar mestre em auto controlo.)

Friday, June 05, 2009

Conto a conto (23)

Havia alturas em que queria escrever mas não sabia sobre o quê.
Não que lhe faltassem ideias! Tinha sempre muitas, enroladas num canto da memória, para usar um dia, mas, nessas alturas, nem chegava a desenrolar os rolos. Sabia que não queria nada daquilo.

Ia andando. Procurando.

Eu sei porque um dia encontrei-o e pareceu-me mais distraído do que habitualmente. Disse que procurava algo, não sabia o quê, mas esperava encontrar.

Achava que escrever sobre o mundo era ambicioso. O mundo é vasto. Complexo.
E ele estava cansado deste mundo em que vivia, não lhe apetecia ouvir notícias, nem verborreias de pensadores arrogantes.
É certo que poderia escrever sobre as estrelas e os outros mundos que pudesse imaginar.

Ele disse-me, num dia cinzento, que não queria sonhar mais nada. Queria escrevrer descrevendo.

Concluiu que nunca poderia descrever o mundo porque outros já o tinham descrito e ele nada tinha a acrescentar, pelo menos para já. Talvez, noutra fase, lhe apeteça de novo escrever sobre o mundo. Até mesmo escrever o mundo, encher as planícies de letras, semear o mar de vígulas e exclamar-se por montes e vales.

Por agora teria que reduzir a escala, deixar países e cidades, esquecer ideias e filosofias.

Confessou-me que procurava uma descrição mínima mas palavrosa. Não percebi mas não disse nada. Espero para ver.

Até que um dia pegou numa caneta e abriu o caderno.

Encontrei-o recentemente, num café da cidade. Estava de bom humor. Quando nos despedimos, deixou-me um envelope.

Era grande, maior do que o normal, uma peça de plástico azul, de bordos levantados. Apetecia agarrar, brincar com ele entre os dedos, procurar imperfeições, acariciar a lisura. Tinha quatro buracos. Poderia ter dois. Mas não tinha. Era-lhe indiferente o número de buracos. Mas sabia que era assim, umas vez dois, outras quatro. Realmente, agora que pensava nisso, quatro buracos permitiam mais escolhas. A linha pode passar em vários sentidos. Preferia cruzá-las. Não que as linhas oblíquas o seduzam mais do que as paralelas, não obstante se sentir intimidado com o infinito. Ms ali, nesta pequenez que a sua mão abarca, o infinito é humanamente compreensível. Ainda assim prefere a linha em cruz. E porque é que a linha tem que ser azul? Escolhe uma linha amarela para pregar, em cruz (e aqui abranda porque se apercebe do significado religioso mas decide não ir por aí!), o botão azul de plástico.

Thursday, June 04, 2009

Post moderno

Tenho bué da frio.
Até que esteve tipo bom mas tipo esta cena agora tá a arrefecer outra vez!
Ya.

Wednesday, June 03, 2009

Escolhas

Andei a misturar músicas, colectâneas de trazer por casa e que eu vou ouvindo aqui e ali, quando há tempo, quando há vontade.
Dei por mim a vasculhar CD antigos, a relembrar canções passadas, a descobrir novos gostos e desgostos, porque tudo evolui.
Por vezes, em homenagem ao que fui, surgem notas de outros tempos que não se enquandram nas pautas actuais. Que importa. São meus os CD.
No fim, escrevi os títulos e os cantores, em letras tortas, no CD, e achei que ficou giro.
Foram as minhas músicas, são as minhas músicas.

Tuesday, June 02, 2009

Cinco coisas que adoro

Vem-me o repto ali da Carlota, vizinha do Lote 5.

Vem acompanhado de tarefas que não me parece que vá cumprir:

Primeiro, seria preciso colocar um selo no blogue! Boa piada. Era preciso que eu soubesse como isso se faz e não me apetece, nadinha mesmo, ir às instruções desta blogocoisa. Ficamos portanto assim e se os leitores estiverem para aí virados, imaginem um selo (um qualquer!)

Em seguida, temos que indicar 10 blogues no feminino de que gostemos. Tantos?
Temos portanto, a Carlota, a Sinapse, a Ana Vidal (e sus compañeras), a Madalena, a Ti, a Mulher-Aranha, a Nocas, a Laura, a Tekanelas e a Luna.

Depois teríamos que informar os blogues das ditas de que eu gosto delas! Aposto que as ditas sabem. Ou ficarão a saber assim que passarem por aqui!

E, por fim, 5 coisas que adoro e porquê.
Livros, viagens, desporto, colecções e gelado.
Porquê?
Serão todas porque sim e não se fala mais no assunto.

É já amanhã

Nestas alturas tenho mesmo pena de não estar em Lisboa.
Parabéns João.

Sugestão

Fim-de-semana de três dias.
Perfeito.
Era assim que deveria ser sempre.
Fica a proposta na mesa.

Monday, June 01, 2009

Impaciência

Quando decido que quero uma coisa perco a capacidade da espera: tem que ser agora, tem que ser já.
Por isso, quando soube do novo livro de Aravind Adiga, e depois de ter lido "The White Tiger, quis ir a correr comprá-lo.
Mas, para desespero, o livro tinha saído na India; a Europa teria que esperar.
Nestas alturas, a palavra esperar enerva-me, altera-me a respiração, aguça o meu espírito na busca de soluções.
O que vale é que Bruxelas é cruzamento do mundo e nesses vai e vens, houve quem fosse à India e viesse com um livro na māo.
"Between Assassinations" será a minha próxima leitura. Assim que acabar "Four Reigns" de Kukrit Pramoj.