Friday, September 25, 2009

Sexta, pela graça de Deus

Ou de como os políticos não têm vergonha nenhuma na cara.

Wednesday, September 23, 2009

Souvenirs

Estiveram largadas a um canto, duas telas enroladas, restos de uma viagem.
Esquecimento, inércia... Nem sei bem.
Um dia lá foram para emoldurar.
Admito, tornei a esquecer-me delas.
Quando cheguei a casa, os repetidos gestos quotidianos sobrepuseram-se à novidade e só mais tarde olhei para a parede.
Nem dás por nada disseste, meio desiludido.
De repente, dois raios de sol, vindos directamente dessas férias insulares, invadiram a sala. Traziam memórias e saudades.
Obrigada.

Monday, September 21, 2009

Dia sem carros

Foi ontem mais essa ode ao politicamente correcto.
De repente, num domingo, lembram-se do planeta e lá vêem para a rua as bicicletas que se compraram num momento de decisões profundas e que estavam encostadas a um canto.
A falta de chuva ajudou.
Mas as boas intenções ficaram arquivadas até igual dia do ano que vem: hoje a cidade estava igual a sempre, cheia de carros.

Friday, September 18, 2009

Símbolo perdido

Ainda assim, continuo a achar que há vida para além de Dan Brown.

Sexta pela graça de Deus

Os tempos têm sido de reflexões mais privadas, de afazares menos bloguísticos, de atenções quotidianas sem ecrãs nem teclados.
Nem sempre a escrita encontra nos dedos o caminho da sua expressão; por vezes perde-se em notas de música ou em letras dedilhadas por outros dedos; por vezes interroga-se e fica suspensa em indecisões.
Sobretudo quando leio blogues que são atacados por dedos maldicentes.
Espanta-me esta capacidade infinita de se dizer mal, anonimamente, que a coragem é palavra desconhecida pelas pululantes criaturas que se passeiam pelos blogues em missão destruidora.
Espanta-me porque lhes invejo o tempo que lhes sobra para lerem e destilarem mau-gosto e disparates.
E esse espanto leva-me a actividades mais reais, mais longe desses virtuais anónimos que nunca deixarão de o ser.

Monday, September 14, 2009

Corrente dos sentidos

Acorrentou-me com os sentidos, os cinco, e com o pedido de seguir a corrente por mais cinco bogues.

(Claro que há um selo mas, como é sabido, este blogue não tem imagens a não ser aquelas que as palavras transmitem).

Comecemos pelos sentido, guiados pelas perguntas da corrente:

Audição: Qual o som que mais gostas de ouvir?

O som da natureza mansa, sem excessos nem revoltas, o mar que murmura, os galhos que estalam sob os pés, os passarinhos que acordam a Primavera, o vento que se enrola nas folhas das árvores, a neve que bate leve, levemente...

Visão: Qual a tua imagem favorita?

O horizonte lá longe e os olhos a perderem-se por cores diversas.

Tacto. O que mais gostas de sentir na pele?

Uma carícia.

Paladar: Qual o teu sabor favorito?

Difícil de escolher mas, assim de repente recordo-me dos caramelos a derreterem gulosamente na boca e a colarem-se aos dentes...

Olfacto: Qual o cheiro que te faz bem?

Maresia.

E agora os blogues que sentidamente acorrento: Porta do Vento porque é um bouquet sedutor, O Mundo através de lentes de plástico pela plasticidade das fotos que cria, Cadeirão Voltaire porque os livros são sempre os livros, Portugal dos Pequeninos pelo pensamento livre e Lote 5 - 1° Dto porque o gangue de Bruxelas ainda está aí.

Tuesday, September 08, 2009

Homens como nós

Os franceses não gostam de falar da raffle du vel d'hiv.
E eu também não gosto de pensar que em 1942 homens como nós mandaram outros homens como nós (e mulheres e crianças, como nós) para os campos da morte.

(Ando a ler este livro.)

Friday, September 04, 2009

Sexta, pela graça de Deus

Se calhar a empregada da outra que lhe tira os caroços das cerejas também não se importaria de me descascar as laranjas...

Thursday, September 03, 2009

Imagem

Estava descalço e passeava lentamente pela praia.
De manhã, cedo, quando os restos da noite ainda persistem na humidade colada à areia.
Fiquei a olhar para as calças beiges e a camisa branca.
Achei que ficava bem com o azul do mar.

Wednesday, September 02, 2009

Ele há coisas!

Recebo um desconto para compra de livros e, assim de repente, não me ocorre nenhum livro para comprar.
Estranho...

Tuesday, September 01, 2009

Pela bandeira

No regresso, durante o longo regresso, fui vendo bandeiras portuguesas a tapar os excessos das bagagens extravasadas dos portas-bagagens, cachecóis da selecçāo a enfeitar os vidros de trás, autocolantes nas janelas, berraria em verde e rubro por essas estradas fora.
Todos os excessos sāo demais e este nacionalismo futebolítico desagrada-me.
Vulgariza a bandeira e as cores que se deveriam resguardar para as devidas ocasiões.
Eu preferi recordar história em Tordesilhas. Do tempo em que tínhamos cartas para dar ao mundo e em que as cores, as cores lusas brancas e azuis, corriam pelos ventos dos mares.