Tuesday, September 28, 2010

Perspectivas

Sou do tempo em que estar longe era mesmo estar longe.
As notícias portuguesas chegavam tarde e aos bochechos; quando chegavam já tinham pouca importância!
O Expresso era a bica e o pastel de nata de domingo de manhã, num corropio de gente conhecida que, como à saída da missa, se sabia unida nas saudades das letras pátrias.
Tirando aquela comunidade expatriada, já ninguém queria comentar coisas de ontem.
Aos poucos instala-se a distância, interesses mais próximos captam a atenção e tudo se relativiza. Não era só lá, não era só como lá, até porque já nem sequer era...
Hoje é tudo aqui e é tudo agora.
Eu, prova de que os velhos hábitos demoram a morrer, mantenho a distância, guardo uma perspectiva diferente.