Friday, January 29, 2010

Livro dos livros

Por vezes pergunto-me o que me leva a gostar de um livro. Ou não.
Em princípio, tudo levaria a crer que passaria um bom momento com a leitura de Diplomatic Baggage.
Leitura leve e divertida, sobre as aventuras de uma vida diplomática vivida do ponto de vista da mulher. Houve até quem dissesse que a leitura proporcionaria boas gargalhadas.
Então porque é que eu nem sorri?
Não que achasse o livro desinteressante: sou suficientemente curiosa para me interessar por uma vida que nunca vivi e que não viverei; suficientemente realista para entender que aquilo que nos parece uma vida de sonho (uma vida ambulante por esse mundo diverso) nem sempre é cor-de-rosa.
Um ponto de explicação parte das premissas da própria autora que repete e repete que deixou a carreira em prol do marido. E, no entanto, continua a escrever para jornais, a preparar livros. Certo que não se dirije para o emprego a cada manhã, mas não se limitou a gerir a família e a casa como se pode pensar.
E a tal carreira que abandonou? Pintando-se a autora como uma desastrada, cheia de medos e de pavores, parca de imaginação, é lícito perguntar que carreira teria no mundo do jornalismo de moda. Ou então é a sua auto-descrição que é pouco precisa!
Segue-se que a autora se compraz com descrições vivas sobre os seus erros e lapsos, talvez na busca da tal gargalhada perante o embaraço alheio. Não consigo nem sorrir com situações destas que me envergonham e atrapalham como se fosse eu a vivê-las.
Por fim, não apreciei a abordagem pelo lado negativo da vida: as lágrimas, a solidão, o tédio, para no fim reconhecer as vantagens de viver nos quatro cantos do mundo e de conhecer culturas e gentes que de outro modo não conheceria.
Teremos muito tema de conversa na próxima reunião do clube de leitura.
E hoje é sexta, pela graça de Deus e livros é o que não me falta.

Wednesday, January 27, 2010

Privacidade

Uso muito frequentemente um balneário.
É asseado, com cacifos individuais, duches que funcionam, secador de cabelo e toalhas à disposição. Tem, no fundo, tudo o que é necessário para terminar uma qualquer actividade desportiva e continuar a vida normalmente. Porque é para isso que o uso: tomar banho, secar o cabelo, vestir-me e ala que se faz tarde...
A actividade social resume-se aos cumprimentos que a boa educação impõe e que os conhecimentos pessoais decidem: nada de grandes dissertações porque a filosofia em corpos pelados ou com trajes menores fica ridícula.
Admito que haja quem não pense do mesmo modo.
Admito até porque o vejo.
É a que se passeia, em estado natural, pelo balneário de telefone no ouvido, a que se instala num canto, em cuecas, para ter aquela conversa telefónica que não pode esperar pela roupa, as duas que decidem discutir aventuras amorosas em soutien, as que trocam segredos desportivos exibindo o corpo (talvez para provar o êxito desses segredos!)
Agora, o que me espantou (e espanta-me ainda me espantar...) foi a que decidiu que o que estava a dar era a alta voz. E assim, enquanto tratava do corpo ia falando para um telefone instalado ao lado, que lhe ia respondendo. A ela e a nós.
Privacidade é, de facto, uma palavra fora de moda.

Monday, January 25, 2010

Inverno

Quando os jornais anunciaram o fim a vaga de frio que encheu o Natal e o Ano Novo de neve achei que vinha aí a Primavera.
Que querem? Esqueci-me que ainda estamos em Janeiro tal é a vontade de sentir o calor do sol.
O fim-de-semana escorreu cinzento e chuvoso e anuncia-se mais frio. Muito frio.
Aceito que é a época dele e regresso aos casacos e ás luvas e aos cachecóis e aos gorros...
Entretanto acabei "O Conde de Monte Cristo". Foi a minha vingança invernal...

Friday, January 22, 2010

Sexta, pela graça de Deus

Ainda não desiti desta blogocoisa mas o Conde de Monte-Cristo é mais forte.

Tuesday, January 19, 2010

Livro dos livros

O tempo passa e nem dá tempo a que eu passe por aqui.
É que entretanto, e para compensar do tamanho extra large do 2666, pequei no pequenino "Espiões" de Luis Fernando Veríssimo.
Que li de uma assentada, com um sorriso nos lábios e que guardei sem mais pensamentos.
Porque é daqueles livros giros, policial ligeiro num jeito bem brasileiro de apresentar as coisas, daqueles livros que acompanham o som da chuva que bate nas janelas e pronto. Nada mais.
Como estou em fase de clássicos, que isto mais vale tarde do que nunca, entrei de cabeça no "Le Comte de Monte-Cristo", de Alexandre Dumas e por lá ando, fascinada e presa, entre injustiças e vinganças. Em cada dia anseio pelo momento de poder, finalmente, esticar-me no sofá na companhia do distinto conde.
Leio com um prazer absolutamente adolescente.

Monday, January 18, 2010

Curiosidade mórbida

Sempre achei enervante a mania que têm as pessoas de ver acidentes, desastres, desgraças.
Sobretudo desesperam-me as pessoas que abrandam os carros para ver melhor o acidente provocando filas ainda maiores do que as originadas pelo próprio acidente.
Mas agora nem é preciso sair de casa: a televisão entendeu que a melhor informação é a da desgraça, do coitadinho, do miserável, do olha-só-como-é-possível e nada como um terramoto, um tsunami, ou catástrofes do género para nos inundarem a casa com imagens de sangue e lágrimas repetidas vezes sem conta...
Pergunto, o que andam tantos jornalistas a fazer no Haiti? A interromper médicos no seu trabalho, a interromper lutos de familiares para lhes captar a dor, a interromper salvamentos para conseguir grandes título... Enfim, a empecilhar quem tenta ajudar.
A notícia já foi dada. Agora é preciso enterrar os mortos e cuidar dos vivos. Sem jornalistas-voyeurs.

Wednesday, January 13, 2010

Livro dos livros

Ufa.
Já está
Acabei de ler o 2666.
Pelo meio li outros e só não desisti porque voz avisada me aconselhou ir até ao fim.
(Saltei páginas do livro IV admito! Mas sem este recurso não teria resistido à sonolência, poderoso efeito secundário desta parte do livro).
Mixed feelings é a melhor forma de descrever como me sinto.
Partes do livro são interessantíssimas e partes chatíssimas. Partes agarram-nos e atiram-nos para fora do nosso mundo conhecido e partes levam a mente a divagar, a olhar para o lado, a pensar no que estará a dar a televisão e, por fim, a adormecer. Partes fazem todo o sentido e partes não fazem sentido nenhum. Partes justificam o marketing e partes só se justificam pelo marketing.
Como se fora um livro com dupla personalidade, esquizofrénico, que por vezes nos seduz e nos empolga com uma escrita original e por vezes nos incomoda e aborrece, com uma escrita chata.
Houve alturas em que pousei o livro e me perguntei como é possível escrever algo que é ao mesmo tempo arrebatador e entediante…
A história é um longo fio, cheio de pontas, quase sem nós. Certas pontas aparecem e desaparecem, como na vida, onde certas pessoas vão passando por nós. É uma história de um escritor, é uma história sobre crimes, é uma história sobre guerra, é uma história sobre relações humanas, é uma história sobre a revolução comunista, é uma história de amor, é uma história de fé...é a vida, em resumo.
E, pensando bem, a vida tão depressa é emocionante como maçadora.
Enfim, gostei de ter chegado ao fim!

Friday, January 08, 2010

Teimosia

Além de pesado (fisicamente pesado) o livro é como a espada de D. Afonso Henriques: longo e chato.
Tenho que o acabar neste fim-de-semana.
A previsão de queda de neve em barda manter-me-á em casa, em prol desta empreitada.

Wednesday, January 06, 2010

Não entendo

E quando é que a Europa vai perceber que o que é preciso é que os Estados Unidos organizem as suas pilhas de informação em vez de entrarem em histerias de segurança e de imaginarem como recolher ainda mais informação para transmitir aos Estados Unidos?

Toupeira

A permanência da neve na cidade diz-me que o frio está instalado.
As previsões confirmam-no.
Eu instalei-me dentro de portas.
Aninho-me quando posso. Onde posso.
Vejo a beleza branca pelas janelas.
Fechadas.
Tirarei a pele de toupeira quando vier o calor.

Tuesday, January 05, 2010

Coisas boas

Há sempre muitas coisas boas apesar da tendência tão portuguesa para a queixa, o isto vai mal, o antes é que era.
Eu vou-me queixando do frio mais por tradição do que por senti-lo. Frio só o sinto entre as entradas e as saídas, assim uma entrada por saída na rua, que frio assim não faz bem à saúde. Tenho por mim!
Enquanto o calor não vem para me chamar para actividades mais arejadas, vou lendo, e fazendo outras coisas que não são, por ora, dignas de relevo.
A leitura dos blogues, a minha leitura dos blogues, está em recessão, crise própria de quem já por aqui anda há algum tempo.
Só ainda não parou porque continua a valer a pena.
Festejemos mais um ano.

Monday, January 04, 2010

De novo

Regresso, de novo, à rotina.
Mudou o ano mas tudo permanece na mesma.
O mesmo frio, o mesmo trajecto de carro, o mesmo café matinal tomado com os colegas habituais.
Os votos de bom ano passam aconchegados na papelada habitual (ainda que a papelada seja cada vez mais electrónica; como os votos de bom ano, aliás), o Tratado de Lisboa instala-se, Espanha preside à União numa presidência experimental com um Presidente institucional.
2010 continua 2009. Como aquele prosseguiu 2008.
Que esperava eu afinal?

Saturday, January 02, 2010

Livro dos livros

A gélida Bruxelas, apesar dos saldos, chama-nos para o "indoor".
Não que desdenhe os saldos, longe disso, mas 0°C são impróprios para consumismos diletantes.
Aproveitei para terminar "The Age of Innocence" de Edith Wharton, que me acompanhou na viagem para Lisboa e no regresso a Bruxelas.

O Natal foi familiar, com reencontros e comida e pouca leitura, como mandam os usos e costumes.

De usos e costumes trata o livro. Digo eu. De uma história de amor frustada, dirão outros. Também a vi, mas entendi-a como um reflexo da sociedade retratada, Nova Iorque, séc. XIX, cheia de regras e etiquetas, ditas e implícitas, um imenso tabuleiro onde cada um tinha o seu lugar e um papel que devia interpretar. Desrespeito do guião e mudanças de rumo perturbavam o jogo pré-determinado e enervavam os actores.

Comecei a ler o livro como uma visão histórica de uma sociedade passada: livro delicioso, de escrita fluida e clara, ofereceu-se-me como uma tela de cinema (apesar de não ter visto o filme).

Depois vi que tudo mudou mas apenas para que tudo ficase na mesma: continuamos com regras e etiquetas, outras, diferentes das de então, mas preenchendo a mesma função de nos orientar, de nos enquadrar, de nos integrar na sociedade que é a nossa.

Hoje, como dantes, há os que aceitam, os que rejeitam.

E, como dantes, ainda há amores frustados.

Friday, January 01, 2010

2010

Começou como se pode desejar.
Assim continue.
Bom ano!