Tuesday, February 02, 2010

Acho que sim

Levantei-me cedo, como de costume.
A cidade acorda aos poucos, tal qual eu.
Reparo que os dias já são mais compridos e perco-me em pensamentos primaveris enquanto conduzo.
Tenho tudo comigo: um livro para eventuais tempos mortos, o saco de desporto para o final do dia, a agenda que me pauta as horas.
Haverá um almoço, telefonemas para fazer, encontros para marcar.
Na minha secretária espera-me o Tratado de Lisboa.
Também me esperam folhas reais e virtuais cheias de importâncias de importância nenhuma.
Um telefone e um computador que me permitem ir por esse mundo, feito cidade, feito aldeia, sem repirar o ar gelado das ruas.
Será assim amanhã e depois.
E muito mais, coisas minhas que sempre foram minhas e que não partilharei aqui.
Um dia quis um blogue. Talvez até tivesse precisado dele. Mas foi um dia.
Hoje maça-me na maior parte das vezes.
Ficará aqui, suspenso, porque existiu.
Não o apagarei (pelo menos para já).
Na roda do mundo deixarei de rodar por aqui.

Monday, February 01, 2010

Livro dos livros

E para compensar, li dois livros de que gostei muito.
Os dois tendo como pano de fundo a segunda guerra mundial.
Um em Guernsey e o outro em Varsóvia.
The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society (só o nome é uma delícia), é um livro escrito em forma de cartas que além da vida que decorre no imediato pós-guerra, se vão recordando, aos poucos, factos sob a ocupação alemã. Mas é um livro em que todos, vencidos e vencedores, são pintados a cores humanas deixando-nos cheios de esperança e fé no futuro dos homens.
Em contrapartida, Os anagramas de Varsóvia é uma bem engendrada história policial num contexto deprimente e depressivo em que nos interrogamos constantemente sobre a humanidade de quem permitiu o gueto de Varsóvia (e tantos outros horrores).
Depois de acabar o primeiro fiquei com vontade de visitar Guernsay, como turista, de imaginar uma vida pintada em tons ligeiramente rosados sob um céu azul, a ouvir o mar.
No final do segundo fiquei com vontade de saber mais sobre os horrores e sobre esse país complexo que é a Polónia. Porque uns fizeram e outros, tantos, viraram a cara.
Por vezes ipergunto-me sobre o que faria eu em tal situação. Como reagiria? E concluo, de cada vez, que poucos são os heróis e nada aponta a que eu seja dessa massa rara. Felizes os que nunca foram postos à prova!