Friday, January 06, 2012

Fortuna

Tenho andado por Barcelona.
Na companhia, pouco recomendável, diria, de Onofre Bouvila.
Encontrámo-nos por finais do século XIX, ainda a tempo de ver as obras para a exposição universal de 1888.
Como desculpa para as más companhias poderei dizer que Onofre Bouvila era então pouco mais do que uma criança. Não poderia adivinhar os maus caminhos por onde caminharia mais tarde.
Vi Barcelona crescer, desenvolver-se, em permanente conflito com Madrid e ainda não cheguei à exposição universal de 1929. Mas lá irei, sei-o.
Entretanto, a Europa dobrou mal a esquina para o século XX e agora a guerra avoluma-se no horizonte. Antes de mim, percebeu-o o nosso herói, o Onofre, que já vai armazenando um arsenal em jeito de investimento.
Devia aprender com ele: comprar, valorizar (por qualquer meio que seja), vender.
Poderia até começar com este livro: elogiá-lo até aos píncaros, explicar que sem ele, Barcelona, a de hoje, perde cor e sabor, tentar mesmo convencer-vos que Onofre, mais do que bandido é castiço. Acender com luzes de néon o título "La ciudad de los prodígios" e o autor "Eduardo Mendoza" e depois vender-vos o livro assim encarecido…