Monday, July 23, 2012

Professor

Passou tanto tempo que parece que foi noutra vida.
Era eu uma outra pessoas.
Num outro país.
Nos meus adolescentes anos liceais, cheia de iniciativa e inocência, desdobrava-me em actividades de "chefe de turma" (nome ainda mais antigo que me ficou nem sei porquê. Creio que na altura eu mais não era do que "delegada de turma"!).
Debatiamo-nos com o liberalismo em Portugal e com uma professora que entretanto perdeu o nome e o rosto e que, creio, estava ali porque sim e talvez quisesse estar noutro lado qualquer.
Propus que se fizesse uma conferência com o Professor José Hermano Saraiva que então, na televisão, nós seguíamos e entendíamos...
Não sei como consegui o n° de telefone (talvez através da RTP). Sei que telefonei cheia de armas para enfrentar um exército de dificuldades, de secretária em secretária, orgulhosamente em nome de um esforçado grupo de estudantes do liceu D. Dinis.
Fiquei desarmada (e atrapalhada e espantada) quando me atendeu o próprio e me disse logo que sim, sem problemas quanto ao local e à data propostos. Pediu apenas, já no final da conversa (quando me entusiasmei a achar que chegariam agora as dificuldades para eu usar os meus substantivos e adjectivos...), que a sala onde fosse falar tivesse um quadro negro e giz.
Não que fosse complicado arranjar um quandro negro e giz num liceu, balbuciei um sim, concerteza. Agradeci ainda aparvalhada, com os meus juvenis argumentos inúteis num canto.
No dia, na hora, foi, claro, um sucesso: de súbito o liberalismo se fez fácil e a super aula de história algo que não queríamos que acabasse.
Muito obrigada Sr. Professor.

Monday, July 02, 2012

Passeava ao domingo pela floresta

Entre o futebol que acabou e os Jogos Olímpicos que estão aí a chegar, o mundo retoma um ritmo normal.
Cheio de crise!
De desgraças.
Prefiro a senhora de idade que, com sapatos confortáveis e mapa em riste, percorria a Forêt de Soignes no domingo de manhã.
Foi com um sorriso que acolheu a minha interrupção.
Conversámos um pouco.
Quando, um pouco mais tarde, a chuva regou a floresta lembrei-me dela.
Recordei-me que tinha gabardina e aposto que continuou a sua caminhada com um sorriso.
Porque, até em Bruxelas, a chuva não dura sempre.