Friday, December 21, 2012

Fim do mundo

É giro isto de tudo vir aos pacotes! Era o Natal e o final do ano, agora é também o fim do mundo.
Tudo sem pensar, claro.
Porque é possível, óbvio que é, olhar para o fim do mundo com olhos de ...fim do mundo. Catástrofes, cataclismos, o  nada, para sempre.
Mas não, o fim do mundo são os maias e os milhares de programas de televisão que os interpretam, as análises de calendários em que nada se sabe e onde se concluí que nada se ficou a saber, a imaginação.
O fim do mundo é sobretudo isso, a imaginação para atrair, atiçar e vender.
Até aqui, até no fim do mundo é a economia, estúpido.
Vendam-se medos e sossegos, Prefecias e extra-terrestres. Vendam-se teorias e especulações. E artefactos maias. Colem-se os astecas, acrescentem-se índios. Ninguém dará pela diferença. Subam-se pirâmides e daí aos egípcios é um pulinho.
O fim do mundo virá numa nave espacial pilotada por seres verdes.
O fim do mundo virá de trenó puxado por renas e pilotado por seres encarnados.
Misturo.
Um ser apenas.
O Pai Natal.
Agora misturo o fim do mundo com o Natal, que se quer feliz.
Pelo menos eu quero. Quero um Natal completo, como havia antes, com pinheiros cintilantes e prendras com laços farfalhudos. Com mesa farta e lareira crepitante. Branco, se possível, branco como nos livros de outras terras.
Um Natal de fim do mundo.
Para o ano haverá mais.
Se Deus quiser.