Wednesday, February 20, 2013

O mar está rofe

Dizem-me que refugiando-me nos livros fujo do mundo.
Não fujo.
Apenas vou até ali aprender outras coisas.

Dizem-me que lendo ficção fujo da informação.
Não fujo.
Apenas a recolho de outra forma.

Que pode ser brutal ou poética. Que pode ser linear ou em arabestos que me obrigam a separar o trigo do joio.

Não há um só livro que não me traga algo de novo, que não me ajude a combater as trevas da ignorância.

E prefiro ler que o mar está rofe no olhar dos pescadores açorianos em nostálgicas lembranças das lutas entre os homens e os bichos, do que procurar na Internet o que quer dizer "o mar está rofe".

Friday, February 15, 2013

Prémio Nobel

Nunca pensei lê-lo. Mas fazer parte de um clube de leitura tem destas coisas. E lá peguei em The Red Sorghum de Mo Yan.
Será certamente um óptimo escritor.
Com uma brilhante tradução.
Eu é que não tenho estômago para tanta violência, explícita e implícita.
Sei que o ser humano é o que é porque se habitua a tudo, se adapta a qualquer situação, vai vivendo e sobrevivendo.
Eu, ao contrário, duvido sempre da minha capacidade de sobrevivência à violência que se faz hábito.
Respirei da alívio quando acabei o livro e, não obstante ter vontade de ler mais de Mo Yan, não creio que tão cedo tenha coragem.

Wednesday, February 13, 2013

Schiacciata alla fiorentina

Não creio que a Bélgica tenha qualquer tradição carnavalesca: tirando uns miúdos mascarados, nada mais se vê.
Já em Italia, o Carnaval é uma tradição que inclui iguarias típicas, diferentes consoante as regiões do país.
Ontem provei Schiacciata alla florentina, um bolo com um ligeiro sabor a laranja que se come na terça-feira de Carnaval na região de Florença.

Tuesday, February 12, 2013

Papa

Tenho por hábito dizer que o meu Papa foi João Paulo II.
E foi.
Porque foi o Papa da minha juventude, quando ainda não há vergonha nem sequer muito espírito crítico para se andar de Totus Tuus ao peito (até ontem, nem sequer sabia o mote do actual Papa!).
Porque foi o Papa luz num país então em escombros de uma revolução ainda de pontas soltas.
Porque foi um Papa jovem e brilhante, um public relations do Vaticano.

Bento XVI tinha menos foclore. Puxou menos pessoas para a rua. Não nos incitou a cantar sob o inclemente sol pátrio.
Mas o sue mote "cooperatores veritatis" diz tudo.
Diz da sua inteligência, diz da sua busca, diz da sua postura.

Agora que, com coragem, se assumiu fraco para continuar à frente da casa de tantos nós, faço penitência por não ter sabido ver sem necessidade de me acenarem com panos amarelos e brancos no Parque Eduardo VII.