Friday, January 30, 2015

Mãos

Sempre gostei de fazer coisas com as mãos.
Quem beneficia são os amigos que recebem os resultados das minhas fases...criadoras. Sim, para que quereria eu 30 écharpes de lã, ou dezenas (centenas?!) de marcadores de livros?
As lojas de "trabalhos manuais" são uma das minhas perdições. Isso e as livrarias.
E nada perturba este gosto: ponho a Internet, o e-reader e demais aparelhos ao meu serviço. Não substitui nada, acrescentei mais uma coisas.
Agora estou a tentar, devagarinho, escrever de novo.
Aqui e com duas lindas canetas de tinta permanente que comprei.
No fundo, quero tudo.

Thursday, January 29, 2015

Recolhimento

Deleito-me com Nikos Kazantzakis. Descubro a sua vida, sobretudo descubro o seu pensamento com o seu Report to Greco. Como se ele estive ao mu lado, a conversar, a dissertar.
Somos imortais, diz-me, enquanto houver quem se lembre de nós.
 
E ele, que morreu em 1957 segundo o saber dos homens, está ali, vivo, ao meu lado, fazendo-me sorrir por vezes, pensar, quase sempre.
E concordo, claro que concordo.
E dou as boas-noites ao meu pai.

Saturday, January 24, 2015

Em tons de branco e sol

Os meus planos derreteram-se no manto branco que me amanheceu.
Deixei, portanto o carro arrumado e percorri a pé as ruas do meu bairro fingindo não ver a lama que a doçura matinal ia criando.
Tinha saudade do silêncio calmo que a neve instala na cidade.
Que, entretanto, acordou.
Retomei a volta habitual dos fins-de-semana.
Dei um pulo ao alfarrabista, a minha biblio-lotaria. Encontrei dois novos livros que já estão ali na pilha a ler.
O sol, tão raro, surgiu. Sei que vai acariciar a neve até a derreter.
Que importa.
Pela janela entram jorros de luz amarela que me iluminam a alma.
Vou ler.

Thursday, January 15, 2015

Apetece-me


Apetece-me voltar.
Talvez porque lá fora a chuva e o vento puxam para dentro, pra dentro de quatro paredes, para dentro de nós.
 
A alma enrosca-se no quentinho do lar e procura, cá dentro, espaço para se espreguiçar. O blogue, este abandonado blogue, pareceu-lhe uma boa opção.
 
A caneta de tinta permanente repousa ao lado. Ainda não se habituou a ser um objecto for de moda. Não desiste de ter tinta no bico. Vai escrevinhando por aí, mas não por aqui, espaço virtual, o meu possível real aqui.
No fundo, eu sou também eu aqui. Não me reinvento virtualmente. Talvez me falte imaginação para tanto.